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Complexidade irredutível

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Tabela de conteúdo

Complexidade irredutível

Complexidade irredutível é um dos mais novos argumentos pró-criacionismo. Uma complexidade irredutível, segundo os criacionistas, é um sistema complexo demais para surgir através da evolução, já que a simples retirada de uma parte causaria mal funcionamento do conjunto.

Trata-se, na verdade, de um erro básico. Dizer que partes evoluem gradualmente não quer dizer que as partes de um mecanismo surjam prontas. Os mecanismos complexos que conhecemos hoje evoluíram de partes mais simples que foram interagindo entre si até que formassem cadeias complexas, depois de mudanças simultâneas e graduais que foram recompensadas pela seleção natural por serem eficientes em suas funções.

Complexidades irredutíveis mais comumente citadas

Complexidade irredutível prova o design

Alegação

Alguns sistemas bioquímicos são irredutivelmente complexos, o que significa que a remoção de uma das partes destrói a funcionalidade de todo o sistema. Complexidade irredutível elimina a possibilidade de um sistema ter evoluído, portanto só pode ter sido obra de um designer.

Fonte

Behe, Michael J. 1996. Darwin's Black Box, New York: The Free Press.

Resposta

Behe em sua argumentação falha em vários pontos. Primeiro, porque ele alega que um sistema que ele chama de irredutivelmente complexo não pode ter surgido pela evolução. Isso não é verdade.

Se ele chama de irredutivelmente complexo um sistema que perde sua função se uma de suas partes for removida, isso significa apenas que um sistema não pode ter evoluído pela adição de partes prontas, que nunca mudam de função. Isso ainda deixa livre muitas outras possibilidades evolucionárias, tais como:

  • Deleção de partes.
  • Adição de múltiplas partes, por exemplo, a duplicação de grande parte ou da totalidade do sistema (Pennisi 2001).
  • Mudanças de funções.
  • Adição de uma segunda função para uma das partes (Aharoni et al 2004)
  • Mudanças graduais das partes.

Todos esses mecanismos foram observados em mutações genéticas. Inclusive deleção e duplicação genética são bastante comuns (Dujon et al. 2004; Hooper and Berg 2003; Lynch and Conery 2000), e fazem a complexidade irredutível não apenas possível, mas também esperada. De fato, ela foi prevista pelo geneticista ganhador do prêmio Nobel Hermann Muller quase um século atrás (Muller 1918, 463-464), chamada por ele de “complexidade interconectada” (Muller 1939).

Ou seja, simplesmente porque algo é irredutivelmente complexo agora não significa que sempre foi assim. As partes podem mudar de função, ou ganhar ou perder funções, ou ter mais de uma função, etc. Se olharmos para um sistema pronto e acharmos que ele já veio pronto dessa forma, com as funções sempre daquela forma, sem nunca terem mudado, é óbvio que vamos imaginar ter sido impossível terem surgido pela evolução. Mas evolução ensina exatamente o contrário, que os seres não são fixos, que novas funções podem surgir e desaparecer ao longo do tempo.

A segunda falha no raciocínio de Behe é que ele está partindo de uma argumentação negativa. Ou seja, segundo ele, se A não é possível, então B automaticamente é verdade. Não é assim que se faz ciência, pois ao invés de provar B, como deveria ser, ele tenta provar que A não é possível. Se fosse assim, poderíamos dizer que, se a Terra não é plana, então ela é cônica. Pode parecer ridículo - e de fato é -, mas é o mesmo raciocínio que Behe toma quando diz que se a evolução não ocorre, então só pode ter sido um designer, eliminando qualquer outra possibilidade. Não passa de um apelo à ignorância.

A terceira falha na argumentação de Behe é que alguns sistemas apontados por ele como irredutivelmente complexos na verdade não o são. Muitos deles podem manter sua função, apesar de não tão bem, sem várias de suas partes, por exemplo:

  • A ratoeira poderia funcionar sem a base, sem a isca ou até outras partes.
  • O flagelo bacteriano poderia continuar sendo usado como propulsor mesmo sem várias de suas proteínas. É sabido que muitas das proteínas do flagelo eucariótico (também chamado cilium ou undulipodium) são dispensáveis, porque tais flagelos existem são conhecidos, e não possuem as proteínas, e ainda assim são funcionais.
  • Mesmo com o exemplo da complexidade do transporte de proteínas de Behe, existem outras proteínas que não precisam de transporte.
  • O sistema imunológico que Behe diz ser irredutivelmente complexo na verdade não o é, porque os anti-corpos que marcam as células invasoras para serem destruídas também podem servir como sistema de defesa, destruindo eles mesmos, apesar de forma não tão eficiente.

Referências

  • TalkOrigins Archive. n.d. Irreducible complexity and Michael Behe. http://www.talkorigins.org/faqs/behe.html
  • Aharoni, A., L. Gaidukov, O. Khersonsky, S. McQ. Gould, C. Roodveldt and D. S. Tawfik. 2004. The 'evolvability' of promiscuous protein functions. Nature Genetics [Epub Nov. 28 ahead of print]
  • Bridgham, Jamie T., Sean M. Carroll and Joseph W. Thornton. 2006. Evolution of hormone-receptor complexity by molecular exploitation. Science 312: 97-101. See also Adami, Christopher. 2006. Reducible complexity. Science 312: 61-63.
  • Dujon, B. et al. 2004. Genome evolution in yeasts. Nature 430: 35-44.

Hooper, S. D. and O. G. Berg. 2003. On the nature of gene innovation: Duplication patterns in microbial genomes. Molecular Biololgy and Evolution 20(6): 945-954.

  • Lynch, M. and J. S. Conery. 2000. The evolutionary fate and consequences of duplicate genes. Science 290: 1151-1155. See also Pennisi, E., 2000. Twinned genes live life in the fast lane. Science 290: 1065-1066.
  • Meléndez-Hevia, Enrique, Thomas G. Waddell and Marta Cascante. 1996. The puzzle of the Krebs citric acid cycle: Assembling the pieces of chemically feasible reactions, and opportunism in the design of metabolic pathways during evolution. Journal of Molecular Evolution 43(3): 293-303.
  • Muller, Hermann J. 1918. Genetic variability, twin hybrids and constant hybrids, in a case of balanced lethal factors. Genetics 3: 422-499. http://www.genetics.org/content/vol3/issue5/index.shtml
  • Muller, H. J. 1939. Reversibility in evolution considered from the standpoint of genetics. Biological Reviews of the Cambridge Philosophical Society 14: 261-280.
  • Pennisi, Elizabeth. 2001. Genome duplications: The stuff of evolution? Science 294: 2458-2460.
  • Ussery, David. 1999. A biochemist's response to "The biochemical challenge to evolution". Bios 70: 40-45. http://www.cbs.dtu.dk/staff/dave/Behe.html
  • Gray, Terry M.. 1999. Complexity--yes! Irreducible--maybe! Unexplainable--no! A creationist criticism of irreducible complexity. http://tallship.chm.colostate.edu/evolution/irred_compl.html
  • Lindsay, Don. 1996. Review: "Darwin's black box, the biochemical challenge to evolution" by Michael Behe. http://www.don-lindsay-archive.org/creation/behe.html
  • Miller, K. 1999. Finding Darwin's God. Harper-Collins, chap. 5.
  • Shanks, N. and K. H. Joplin. 1999. Redundant complexity: A analysis of intelligent design in biochemistry. Philosophy of Science 66: 268-298. http://www.asa3.org/ASA/topics/Apologetics...enksJoplin.html

O flagelo é irredutivelmente complexo

Alegação

O flagelo bacteriano é irredutivelmente complexo, pois como partes não funcionais não podem ser preservadas pela seleção natural, esses sistemas só podem ser explicados pelo design inteligente.

Fonte

Behe, Michael J. 1996. Darwin's Black Box, New York: The Free Press, pp. 59-73.

Resposta

Essa argumentação de Behe, bem como de todo o design inteligente, é baseada apenas na incredulidade pessoal, também chamado apelo à ignorância. Ao invés de provar a existência do designer, como a ciência normal tentaria fazer, eles tentam achar falhas na teoria da evolução, como se ao invalidar um, automaticamente valida o outro.

De fato muitas das proteínas do flagelo bacteriano são similares entre si ou similares a proteínas com outras funções. Sua origem pode ser facilmente explicada como uma série de duplicações genéticas seguidas por modificação e/ou co-interação, procedendo gradualmente entre sistemas intermediários desde um flagelo simples até o flagelo final.

Um caminho plausível para a evolução do flagelo segue os seguintes passos básicos (tenha em mente que esse é um resumo, e que grandes interações seriam seguidas por longos períodos de otimização das funções):

  • Poros passivos gerais evoluem para poros mais específicos pela adição de proteínas. Transporte passivo é convertido a transporte ativo pela adição de ATPase à hidrólise de ATP da capacidade de exportação aprimorada.
  • O sistema de exportação tipo-III é convertido para um sistema de secreção tipo-III (T3SS) pela adição de membranas porosas protéicas (secretina e secretina chaperone) do sistema de secreção tipo-II. Eles eventualmente formam os anéis P e L, respectivamente, do flagelo moderno. O sistema secretor moderno tipo-III forma uma estrutura muito parecida com a estrutura de mastro e anel do flagelo (Hueck 1998; Blocker et al. 2003)
  • O T3SS secreta diversas proteínas, uma das quais é a adesina (uma proteína que gruda a célula em outras células ou em um substrato). A polimerização dessa adesina forma um filamento primitivo, uma extensão que dá a célula uma melhor capacidade adesiva. Depois da evolução do filamento T3SS, ele se diversifica para várias outras tarefas especializadas, por duplicação e subfuncionalização.
  • Um sistema de bomba iônica com outra função na célula se torna associada com a base do sistema secretor da estrutura, convertendo o filamento em um primitivo protoflagelo. A função inicial do protoflagelo é uma melhor dispersão. Homólogos do motor de proteínas MotA e MotB são conhecidas e funcionam em diversos procariontes independentes do flagelo.
  • A ligação de uma proteína que transmite um sinal na base do sistema secretor regula a velocidade de rotação, dependendo da saúde metabólica da célula. Isso impõe um impulso na direção de regiões favoráveis e para longe de regiões de poucos nutrientes, como aqueles encontrados em habitats com superpopulação. É o começo da mobilidade químico-tática.
  • Vários outros melhoramentos continuam no recém formado flagelo. Todos os componentes são originados por duplicação e subfuncionalização da estrutura axial do filamento do flagelo primitivo . Essas proteínas acabam formando a família protéica axial.

O flagelo bacteriano nem mesmo é irredutivelmente complexo. Alguns flagelos bacterianos funcionam sem os anéis L e P. Em experimentos com várias bactérias, alguns componentes ( por exemplo, FliH, FliD, e o domínio muramidase do FlgJ), são importantes mas não essenciais (Matzke 2003). Um terço dos 497 aminoácidos dos flagelos foram cortados sem prejudicar sua função (Kuwajima 1988). Mais ainda, muitas bactérias tem proteínas adicionais que são necessário para o seu próprio flagelo, mas não no bem estudado flagelo “padrão” E. coli. Diferentes bactérias tem números diferentes de proteínas nos flagelos (no Helicobacter pylori, por exemplo, apenas 33 proteínas são necessárias para produzir um flagelo funcional), então o exemplo favorito de Behe para complexidade irredutível parece mais mostrar uma grande variedade numérica de partes necessárias (Ussery 1999).

Cílios eucarióticos são feitos de mais de 200 proteínas distintas, mas até aqui a irredutibilidade é ilusória. Behe (1996) implica e Denton (1986) alega explicitamente que tubulares 9+2 comuns da estrutura dos cílios não podem ser simplificados. No entando, cílios 3+0, faltando muitos microtúbulos e também outras estruturas, existem e são conhecidos (Miller 2003, 2004).

Outro exemplo de como o flagelo não é irredutivelmente complexo pode ser encontrado na bactéria Yersinia pestis, responsável pela transmissão da peste bubônica. O flagelo dessa bactéria não roda, portanto não é usado como motor. Porém é usado como agulha para infectar o hospedeiro. Na estrutura do Y. pestis, apesar de extremamente similar, faltam muitas proteínas que estão presentes no flagelo E. coli, porém ainda assim ela é plenamente funcional.

Aqui tem um vídeo bem explicativo de como o flagelo bacteriano pode ter evoluído: [1]

E por isso a idéia de complexidade irredutível é falha. Ela supõe que as estruturas sempre foram fixas, imutáveis, porém a evolução prevê exatamente o contrário, mudanças constantes, o tempo todo.

Referências

Ussery, D. 1999. (see below)

A coagulação é irredutivelmente complexa

Alegação

A bioquímica da coagulação sanguínea é irredutivelmente complexa, indicando que ela deve ser o produto de um design.

Fonte

Behe, Michael J. 1996. Darwin's Black Box, New York: The Free Press, pp. 74-97.

Resposta

Os sistemas de coagulação parecem ser formados por qualquer cadeia polimérica que estiver à mão. Existem muitos exemplos de sistemas complicados feitos de componentes que são úteis, mas tem papéis completamente diferentes em componentes diferentes. Há também evidência de que os genes responsáveis pela coagulação (de fato, o genoma inteiro) foram duplicados duas vezes no curso da evolução (Davidson et al. 2003). A duplicação de partes e a interação delas com diferentes funções resolvem o desafio da evolução gradual do processo de coagulação.

Vemos também que a coagulação não é irredutivelmente complexo. Alguns animais – golfinho, por exemplo – se dão muito bem sem o fator Hagemann (Robinson et al. 1969), um componente no sistema de coagulação humano que Behe alega ser irredutivelmente complexo. (Behe 1996, 84). Doolittle and Feng (1987) previram que vertebrados “inferiores” não teriam o “caminho de contato” da coagulação sanguínea. Trabalhos com o genoma de baiacus confirmaram essa previsão (Yong and Doolittle 2003).

Por fim, vemos novamente o argumento da incredulidade pessoal. Mesmo que a evolução não pudesse explicar a coagulação (o que não é verdade), não significa necessariamente que um designer é a resposta.

Referências

O olho não pode ter evoluído

Alegação

O olho é complexo demais para ter evoluído.

Resposta

Um dos argumentos mais usados pelos criacionistas, é dito aos quatro ventos que o olho é complexo demais para ter evoluído, muitas vezes citando inclusive Darwin fora de contexto.

Olhos existem de todos os tipos, desde simples células fotosensíveis até olhos complexos e incrivelmente precisos como os das águias e falcões. Darwin reconheceu esse problema, porém ele próprio forneceu uma forma de como eles podem ter evoluído:

  • Células fotosensíveis simples, que permitam apenas diferenciar o claro do escuro. Essa diferença, embora pareça pequena, pode ser uma enorme vantagem em ambientes onde todos são cegos.
  • Células fotosensíveis pigmentadas se agregam, sem nervo.
  • Um nervo ótico cercado por células pigmentadas e coberto por pele translúcida.
  • As células formam uma pequena depressão. O animal já consegue focalizar precariamente possíveis predadores e/ou presas.
  • As células formam uma depressão mais profunda. Ele já consegue focalizar melhor.
  • A pele translúcida sobrepõe a depressão, tomando a forma de lente.
  • Músculos permitem que as lentes se ajustem.

Todos esses passos são viáveis, porque todos eles existem animais hoje em dia. Os incrementos entre esses passos podem ser divididos em incrementos ainda menores. A seleção natural deveria sempre favorecer is incrementos, por menores que eles sejam.

Como os olhos não fossilizam bem, nós não sabemos ao certo qual o caminho exato o desenvolvimento do olho seguiu, mas certamente não podemos dizer que esse caminho não existe.

Podemos ver as evidências do desenvolvimento dos olhos dos vertebrados por anatomia comparada e pela genética. Os genes do βγ-cristalino dos vertebrados, que codifica diversas proteínas cruciais para as lentes, são muito similares com o βγ-cristalino do Ciona. O Ciona é um urocordato, um parente distante dos vertebrados. O βγ-cristalino do Ciona é expressado no seu otólito, uma célula pigmentada irmã das células fotosensíveis. A origem das lentes parece estar baseada na co-interação das células preexistentes em no sistema anterior sem lentes.

Esse é apenas um argumento baseado em incredulidade pessoal. Só porque uma pessoa não acredita que algo funcione, não significa que não funciona.

Referências

  • Lindsay, Don, 1998. How long would the fish eye take to evolve? http://www.don-lindsay-archive.org/creation/eye_time.html
  • Darwin, C., 1872. The Origin of Species, 1st Edition. Senate, London, chpt. 6, http://www.talkorigins.org/faqs/origin/chapter6.html
  • Nilsson, D.-E. and S. Pelger, 1994. A pessimistic estimate of the time required for an eye to evolve. Proceedings of the Royal Society of London, Biological Sciences, 256: 53-58.
  • Shimeld, Sebastian M. et al. 2005. Urochordate βγ-crystallin and the evolutionary origin of the vertebrate eye lens. Current Biology 15: 1684-1689.
  • Dawkins, Richard, 1996. Climbing Mount Improbable, New York: W.W. Norton, chpt. 5.
  • Land, M. F. and D.-E. Nilsson, 2002. Animal Eyes. Oxford University Press.
  • Fernald, Russell D. 2006. Casting a genetic light on the evolution of eyes. Science 313: 1914-1918.

O youtube está repleto de vídeos que explicam a evolução do olho.

Documentário

Vídeos amadores

Palestra com o Prof. Richard Dawkins

O ouvido não pode ter evoluído

Alegação

O ouvido é complexo demais para ter evoluído.

Resposta

Não é necessária muita complexidade para o ouvido evoluir. Basta um nervo conectado a algo que possa vibrar. Insetos desenvolveram "ouvidos" em pelo menos onze partes diferentes do corpo, desde antenas ate as patas (Hoy and Robert 1996). Até seres humanos podem detectar freqüências pelo tato, não pelos ouvidos.

Esse é apenas um argumento baseado em incredulidade pessoal. Só porque uma pessoa não acredita que algo funcione, não significa que não funciona.

Referências

  • Hoy, R. R. and D. Robert. 1996. Tympanal hearing in insects. Annual Review of Entomology 41: 433-450.

O cérebro não pode ter evoluído

Alegação

O cérebro é complexo demais para ter evoluído.

Resposta

Cérebros existem em diferentes tipos e tamanhos. O caramujo do mar possui apenas 20.000 neurônios em todo o seu sistema nervoso. Celenterados possuem um sistema nervoso ainda mais simples, consistindo apenas de uma rede nervosa, sem cérebro. Existe um sem número de formas intermediárias entre humanos e animais sem cérebro.

A evolução gradual do cérebro não é um desafio para a evolução. Esse é apenas um argumento baseado em incredulidade pessoal. Só porque uma pessoa não acredita que algo funcione, não significa que não funciona.

Referências

O sexo não pode ter evoluído

Alegação

O sexo é complexo demais para ter sua origem explicada pela evolução. Machos e fêmeas teriam que ter evoluído separadamente, e qualquer incompatibilidade física, química e comportamental levaria à extinção. Nesse caso, reprodução assexuada deveria ser muito mais favorável do que a sexuada, já que eles podem se reproduzir mais rápido sem a necessidade de um parceiro.

Resposta

A variedade dos ciclos da vida é muito grande, não é apenas questão de reprodução sexuada e assexuada. Existem vários estágios intermediários, por exemplo:

  • Animais que se reproduzem de ambas as formas, sexuada e assexuadamente.
  • Animais que podem mudar a forma de reprodução, de sexuada para assexuada, ou vice-versa, dependendo das condições do habitat.
  • Animais que possuem ambos os sexos (hermafroditas).
  • Animais que mudam de sexo em caso de necessidade.

Ou seja, evolução gradual, favorecida pela seleção natural, é possível (Kondrashov 1997). Os estágios iniciais envolvem organismos unicelulares simplesmente trocando informação genética, sem ser necessariamente sexos distintos. Machos e fêmeas com certeza não precisariam evoluir separadamente. Sexo, por definição, depende de ambos macho e fêmea agindo juntos. À medida que o sexo evoluiu, haveria algumas incompatibilidades causando esterilidade (como ocorre hoje em dia), mas isso afetaria indivíduos, não populações inteiras, e os genes que causam essas incompatibilidades seriam rapidamente selecionados contra.

Muitas hipóteses foram propostas para a vantagem evolucionária do sexo (Barton and Charlesworth 1998). Existem boas evidências experimentais para algumas dessas, incluindo a resistência a mutações deletérias (Davies et al. 1999; Paland and Lynch 2006) e adaptação mais rápida em um ambiente em constante mudança, especialmente para adquirir resistência a parasitas (Sá Martins 2000).

Referências

  • Barton, N. H. and B. Charlesworth, 1998. Why sex and recombination? Science 281: 1986-1990.
  • Davies, E. K., A. D. Peters and P. D. Keightley, 1999. High frequency of cryptic deleterious mutations in Caenorhabditis elegans. Science 285: 1748-1751.
  • Kondrashov, Alexey S., 1997. Evolutionary genetics of life cycles. Annual Review of Ecology and Systematics 28: 391-435.
  • Paland, Susanne and Michael Lynch. 2006. Transitions to asexuality result in excess amino acid substitutions. Science 311: 990-992. See also: Nielsen, Rasmus. 2006. Why sex? Science 311: 960-961.
  • Sá Martins, J. S., 2000. Simulated coevolution in a mutating ecology. Physical Review E 61(3): R2212-R2215.
  • Judson, Olivia, 2002. Dr. Tatiana's Sex Advice to All Creation, New York: Metropolitan Books.
  • Margulis, Lynn and Dorion Sagan, 1990. Origins of sex: three billion years of genetic recombination, New Haven: Yale University Press.
  • Wuethrich, Bernice, 1998. Why sex? Putting theory to the test. Science 281: 1980-1982. See also several related articles in the same issue.

Órgãos vestigiais tem função

Alegação

Praticamente todos os órgãos chamados “vestigiais” tem mostrado que possuem funções certas e não são de modo algum vestigiais.

Resposta

Vestigial não significa inútil. Um vestígio é "um traço ou sinal visível deixado por algo perdido ou desaparecido" (G. & C. Merriam 1974, 769). Exemplos de vestigiais são:

  • Ossos de pernas em cobras.
  • Restos de olhos em peixes cegos de cavernas (Yamamoto e Jeffery 2000).
  • Dedos extras em patas de cavalos.
  • Asas de aves e insetos que não voam.
  • Molares em morcegos vampiros.
  • Dentes de leão (se reproduzem sem fertilização, mas mesmo assim produzem flores e pólen).
  • Ossos da pélvis em baleias.
  • Os lagartos do gênero Cnemidophorus. Somente a fêmeas se reproduzem, sem a necessidade do macho, por partenogênese. Mesmo assim os machos tentam inutilmente copular com as fêmeas.
  • Pelos no corpo nos seres humanos.
  • Arrepio (vestígio da tática que os animais usam para parecerem maiores quando ameaçados).

Entre muitos outros. Se hoje esses vestigiais possuem função ou não é irrelevante. Eles com certeza não possuem a função que nós esperaríamos ver em tais partes em outros animais, os quais os criacionistas alegam que tenham um "design".

Órgãos vestigiais são evidência da evolução porque nós esperamos que as mudanças evolucionárias sejam imperfeitas enquanto as criaturas evoluem e adotam novos nichos. O criacionismo não é capaz de explicar os órgãos vestigiais. Eles são evidência contra o criacionismo porque eles provam que o “designer” criou estruturas sem função, sem propósito, ou com a função seriamente prejudicada, imperfeita, comprometida, etc, exatamente o contrário do que o criacionismo advoga.

Referências

O besouro bombardeiro (Brachynus crepitans)

Alegação

O besouro dispõe de um artifício de defesa interessante: expele substâncias que causam reações explosivas. Para tal, estoca peróxido de hidrogênio e hidroquinona em duas bolsas separadas, a fim de evitar explosões internas. Para misturá-las, utiliza-se de um espaço revestido de amianto, que lhe assegura proteção contra o choque da explosão. Uma terceira capacidade lhe permite evitar que a explosão externa atinja o seu próprio corpo: ao expelir o material em pequenas pulsações, evita a corrente contínua que acabaria por matá-lo.

Resposta

Insetos produzem quinonos para proteger sua pele. Quinonos os tornam desagradáveis para predadores, então insetos evoluem para produzirem mais e mais deles como defesa química, incluindo hidroquinonos. Os predadores desenvolvem resistência aos quinonos, o que faz os besouros adquirirem ainda mais quinonos, num círculo vicioso que é chamado de co-evolução.

Os insetos evoluem depressões para armazenamento e músculos para ejetá-los na superfície quando são ameaçados. A depressão se torna um reservatório com glândulas secretoras fornecendo hidroquinono nela. Essa configuração existe em muitos besouros, incluindo parentes do besouro bombardeiro (Forsyth 1970). Peróxido de hidrogênio é misturado com os hydroquinonos. Cataleses e peroxidases aparecem junto com a saída do reservatório, assegurando que mais quinonos apareçam no produto expelido. Mais cataleses e peroxidases são produzidas, gerando oxigênio e produzindo uma pequena descarga, como no besouro bombardeiro Metrius contractus (Eisner et al. 2000).

À medida que a passagem de saída se torna uma sólida passagem, ainda mais catalases e peroxidades são produzidas, gradualmente se tornado os besouros bombardeiros de hoje. Todos esses passos podem ser quebrados em passos ainda menores, sendo sempre, lentamente, mais vantajosos. Vários estados intermediários são viáveis, porque eles existem em outras espécies conhecidas.

A girafa

Alegação

O coração da girafa deve ser muito grande para bombear sangue para a cabeça. Uma série de válvulas especiais no pescoço regula a corrente sanguínea, para impedir que vá sangue demais para a cabeça quando ela abaixar para beber água, e uma rede de veias na base do cérebro guardam um pouco de sangue de reserva para quando ela levantar a cabeça, senão ela desmaiaria. Todas essas características – um coração grande, as válvulas e a rede de veias – deveriam estar no lugar simultaneamente ou a girafa morreria simplesmente ao beber água. Elas não poderiam ter evoluído gradualmente.

Resposta

Um coração um pouco mais forte produziria um pouco mais de pressão para um pescoço um pouco maior, enquanto válvulas parciais suportariam um pouco mais de pressão e uma pequena rede de veias armazenaria um pouco de sangue. À medida que pescoços maiores fossem selecionados, todos os componentes seriam modificados pouco a pouco também. Em outras palavras, para cada centímetro que o pescoço crescesse, a fisiologia da girafa teria que evoluir para suportar tal crescimento, antes de crescer o próximo centímetro.

A Cascata da coagulação

[Colocar o suposto problema e a resposta baseada na evolução]

O Sistema Imunológico

[Colocar o suposto problema e a resposta baseada na evolução]

Ligações externas

Besouro-bombardeiro na Wikipédia