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Resenha

O Vazio da Máquina tem como finalidade apresentar ao leitor uma abordagem niilista da realidade e do homem. O livro inicia-se com definições básicas sobre niilismo, discutindo a relação deste com alguns aspectos de nossas vidas; isso para entendermos o niilismo com clareza, para deixarmos de vê-lo como uma postura extremada. Notaremos que o niilismo nada mais é que uma visão honesta e sensata da realidade. Complementando esse alicerce teórico inicial, tecemos algumas considerações sobre o conhecimento e a ciência.

Após esse momento, temos os ensaios críticos; investigamos alguns dos tópicos centrais da existência humana, clássicos da filosofia. Passamos por temas como solidão, hipocrisia, sofrimento, suicídio, loucura, egoísmo, felicidade. São, sem dúvida, assuntos pesados, mas é exatamente essa a proposta do livro; tratar de assuntos difíceis com clareza e honestidade, sem qualquer preocupação em poupar o leitor.

O fato, entretanto, é que gostamos de nos poupar. Mesmo que a ciência tenha nos proporcionado um conhecimento sólido sobre o mundo, ainda consideramos um tabu sermos completamente honestos. Temos medo do vazio da existência, o abismo niilista nos aterroriza. Mas veremos que esse medo é sem sentido, que é muito preferível aceitar uma existência sem sentido a continuar acreditando num sentido falso para a existência, que aponta para lugar nenhum. Ao sermos honestos, tudo o que temos a perder são ilusões.

Ao longo das reflexões, perceberemos que nossa moderna visão do mundo ainda esconde muitos preconceitos metafísicos; esses preconceitos fazem com que vejamos os fatos sob uma ótica constantemente falsa; fugimos daquilo que, inescapavelmente, determina nossas vidas. Sentimo-nos solitários, mas nunca tentamos entender por quê; sofremos, mas não damos importância a isso por acreditarmos que nossas vidas caminham em direção à felicidade absoluta; somos egoístas e hipócritas, mas não o admitimos porque consentimos em ser calados pelas convenções sociais; indivíduos matam-se todos os dias e, em vez de tentar entender o porquê, simplesmente repetimos chavões mecanicamente até alguma ocupação nos tirar essa ideia angustiante da cabeça. Fugimos de todos esses assuntos como covardes.

Deixamos essas questões de lado porque pensamos que investigá-las nos conduziria à loucura. Muito pelo contrário; isso nos conduziria apenas à lucidez, nos permitiria viver com os pés no chão. As respostas para tais questões são muito mais óbvias do que pensamos, e muitas vezes sabemos quais são. Parece quase surreal que, para proteger pequenas ilusões cotidianas, inventamos grandiosas ilusões metafísicas. Contudo, é fato; realmente fazemos isso. Preferimos abraçar várias ilusões absurdas a aceitar a realidade mais elementar, que está bem diante de nossos olhos. Todas essas incoerências são resultado dos preconceitos metafísicos aos quais ainda nos agarramos desesperadamente em busca de um sentido que não faz sentido algum. Afirmamos que tais assuntos são demasiado profundos apenas como pretexto para tratá-los superficialmente; vemo-los como perguntas impossíveis de ser respondidas apenas porque temos medo das respostas.

Nós realmente somos aquilo que parecemos ser: máquinas. Não há nada por detrás. Esse por detrás foi inventado por nós numa tentativa infantil de humanizar a existência. Já perdemos tempo demais nos enganando com esse conceito falso de profundidade do saber. Temos o mundo diante de nossos olhos, e podemos compreendê-lo nós mesmos. Não precisamos do intermédio da ótica de alguma teoria que tenta garantir que nosso cérebro nunca se torne parte da equação. Esse é o único modo de chegarmos a compreender todas as nossas limitações, mas também todas as nossas possibilidades reais, e empregar todo o nosso entendimento para tirar algum proveito de uma existência tão pouco aproveitável como a nossa.

Temos diante de nós a tarefa de realmente nos valermos de nosso conhecimento; desnudar o homem moderno; apontar seus preconceitos metafísicos e morais; quebrar algumas de suas muletas, algumas de suas dúvidas mais vergonhosas; trazer à luz algumas de nossas mentiras mais sagradas, algumas de nossas verdades mais secretas. É uma dolorosa revisão da realidade, mas há muito necessária para limparmos a vista.