| É bom quando nossa consciência sofre grandes ferimentos, pois isso a torna mais sensível a cada estímulo. Penso que devemos ler apenas livros que nos ferem, que nos afligem. Se o livro que estamos lendo não nos desperta como um soco no crânio, por que perder tempo lendo-o? Para que ele nos torne felizes, como você diz? Oh Deus, nós seríamos felizes do mesmo modo se esses livros não existissem. Livros que nos fazem felizes poderíamos escrever nós mesmos num piscar de olhos. Precisamos de livros que nos atinjam como a mais dolorosa desventura, que nos assolem profundamente – como a morte de alguém que amávamos mais do que a nós mesmos –, que nos façam sentir que fomos banidos para o ermo, para longe de qualquer presença humana – como um suicídio.Um livro deve ser um machado para o mar congelado que há dentro de nós. Franz Kafka |
 Apresentação por Sílvia Gabas
O fato de a origem da vida ser um mistério não significa que temos de criar agentes sobrenaturais para explicar o que a ciência atual ainda é incapaz de explicar totalmente. Nossa profunda ignorância a respeito do motivo de existirmos e de toda a grandiosidade e mistério do Universo não devem abrir as portas para a superstição, mas sim para o prosseguimento das pesquisas que nos levem a explicações aceitáveis, plausíveis, coerentes e fundamentadas no que é real. É dentro deste contexto que surge este jovem pensador, já centrado em si mesmo, ocupado com as questões humanas essenciais, questões estas que comumente não pertencem a indivíduos de sua faixa etária. O livro com que ele nos presenteia é didático, técnico e altamente esclarecedor, fornecendo aos mais diferentes tipos de leitores – céticos ou espiritualistas – informações substanciais acerca da possibilidade da existência ou não de um Criador do Universo. [ ler]
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 Ao meu filho
Lendo e relendo seu livro, senti-me estranhamente feliz em perceber que você soube traduzir na íntegra a sensação que por toda a vida me acompanhou. Ao lê-lo, senti um certo descompasso, que certamente foi o ressurgimento de uma inquietude que, em mim, havia se aquietado com o passar dos anos, mas que não resistiu passar por você sem despertar e extravasar. A tocha que entreguei a você estava quase apagada em minhas mãos; eu diria que, silente, ela agonizava. Mas, em suas mãos, ela se agigantou das cinzas e voltou a brilhar em toda a sua plenitude. Sinto-me plena de orgulho por ter em você um fiel depositário de tudo o que sempre senti, mas nunca te deixei saber. Não precisei te contar: a semente germinou sem água e sem calor, pois o solo, sem dúvida, era incomensuravelmente rico e produtivo. [ ler]
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 Prefácio do autor
Sei que o assunto é difícil e delicado, e que há inúmeras pessoas que poderiam, sem dúvida, fazê-lo de modo muito mais completo e profundo. Quis, com a presente obra, apenas lançar algumas sementes de livre-pensamento, incitando os indivíduos a voltarem um olhar mais profundo e imparcial a si mesmos e à realidade em que vivem, esperando, com isso, que algumas das sementes lançadas terminem por germinar em algumas mentes que saberão cultivá-las e, espero, transformá-las numa árvore capaz de gerar frutos. Entretanto, entenda-se bem que não foi meu objetivo destruir as crenças de ninguém, muito menos impor pontos de vista, pois aquilo que defendo, antes e acima de tudo, é a liberdade intelectual. Tampouco foi meu desejo fazer com que todos creiam cegamente em tudo o que digo. Apenas achei que, ao final de vários anos de estudo, tinha algo a dizer que era importante, por isso escrevi o livro. Tentei sintetizar neste meu modesto trabalho intelectual os aspectos mais relevantes daquilo que aprendi. [ ler]
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| PARTE I |
 Introdução geral
O problema que analisaremos ao longo deste trabalho não é de modo algum recente. Poderíamos dizer que se trata de uma das questões que foram mais debatidas e investigadas em toda a história da humanidade. É o problema do ser humano questionando as realidades mais fundamentais, buscando nisso sua identidade, sua origem, sua raiz. Que é o homem e qual o seu lugar no mundo? Que é este mundo? De onde veio? Há um porquê? Há alguma finalidade nisso tudo o que estamos vivendo? Afinal, que estou fazendo aqui? Por que existo? Alguns dos melhores intelectos já surgidos tentaram suas respostas, e deram seu sangue para demonstrar que há uma razão oculta por detrás de nossa existência. Entretanto, lamentavelmente, tudo leva-nos a pensar que seus esforços foram em vão, ao menos no sentindo de encontrar uma resposta positiva. Alguns julgam que nunca alcançaremos qualquer resposta para as questões dessa natureza. Mas a razão disso não seria, talvez, porque estamos fazendo as perguntas erradas? Antes de perguntarmos qual é o sentido da vida, não seria sensato pensarmos se a vida de fato tem algum sentido? Antes de perguntarmos quem criou o mundo, não seria sensato pensarmos se o mundo de fato foi criado?
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 Os fundamentos do ateísmo
Etimologicamente, a palavra ateu é formada pelo prefixo a – que denota ausência – e pelo radical grego theós – que significa Deus, divindade ou teísmo; ou seja, a palavra ateu pode significar sem deus ou sem teísmo. Como a imprecisão desse primeiro significado o torna impróprio para representar a noção de descrença ateística, usa-se como base a acepção teísmo, que significa crença na existência de algum tipo de deus ou deuses de natureza pessoal. Nesse caso, chegamos a uma definição mais coerente e clara de indivíduo ateu: aquele que não acredita na existência de qualquer deus ou deuses. Assim, quando queremos uma palavra que representa tal perspectiva, usamos o termo ateu ligado ao sufixo ismo, que, na língua portuguesa, é usado com o significado de doutrina, escola, teoria ou princípio artístico, filosófico, político ou religioso. Deste modo, chegamos a uma definição bastante nítida do que é ateísmo: estado de ausência de crença na existência de qualquer deus ou deuses. [ ler]
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 Argumentos em favor da existência de Deus
Expostos os conceitos básicos da lógica que fundamenta o ateísmo e lançada a pergunta central – que motivos temos para acreditar na existência de um deus? –, então temos de nos confrontar com os argumentos que pretendem provar a existência de Deus, e certamente não faltaram esforços nesse sentido, pois, como sublinhou Le Bon, Os crentes, por mais convencidos que sejam, têm sempre sentido a necessidade, pelo menos para converter os incrédulos, de achar na sua fé razões justificativas. As numerosas elucubrações dos teólogos provam com que perseverança essa tarefa é empregada. Nas páginas a seguir analisaremos os principais argumentos propostos e, então, apresentaremos os motivos pelos quais não servem como justificativa para a crença em Deus. Veremos primeiramente os argumentos mais singelos, que podem ser refutados sem muitas dificuldades por se basearem em noções bastante distorcidas do que seria realmente uma prova. Posteriormente, trataremos dos argumentos mais elaborados, que serão analisados de modo mais extensivo.
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 Argumentos contra a existência de Deus
Até agora, vimos alguns dos principais argumentos que tentam provar a existência de um deus e evidenciamos os motivos pelos quais são inválidos. Como pudemos notar, nem o melhor dos argumentos apresentados chegou sequer a aproximar-se do que seria suficiente para provar algo. Deste modo, vemos claramente que não há motivos lógicos que justificam a crença na existência de algum deus. Apesar de a mera refutação ser suficiente para justificar o ateísmo, ao longo deste capítulo daremos continuidade à nossa análise crítica, e com isso pretendemos demonstrar que a crença em Deus não é somente injustificada, mas também altamente incoerente, contraditória, apinhada de impasses insolúveis. Como a argumentação, a partir daqui, será abertamente voltada à demonstração da impossibilidade da existência de Deus, isso significa que estaremos adotando a perspectiva do chamado ateísmo crítico, que é a categoria filosoficamente mais sofisticada e poderosa.
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 Religião como alienação e controle social
Mesmo vasculhando todos os cantos de nossa compreensão da realidade, não somos capazes de encontrar justificativas objetivas para a crença em algum deus, força superior, ordem moral do mundo ou qualquer espécie de realidade transcendental. Contudo, certamente é um ingênuo engano pensarmos que a mera contestação da possibilidade lógica da existência de Deus é suficiente para dissipar a crença de um indivíduo religioso; quando muito, provoca-lhe um sutil tremor, do qual logo se recupera. A irracionalidade da crença claramente não é um fator obstrutivo à fé. Assim, mesmo sem qualquer respaldo racional ou empírico, sem qualquer razão objetivamente plausível para fazê-lo, legiões de indivíduos religiosos mostram-se convictas da existência de seus respectivos deuses. Não importa quantas incoerências apontemos em suas crenças, não importa que refutemos todos os argumentos que apresentam para justificar sua fé; em sua essência, ela permanecerá intocada, sem sofrer sequer um arranhão.
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| PARTE II |
 Introdução à parte II
O fato é que de nada adianta apenas criticarmos as visões equivocadas a respeito do mundo, de nada adianta apenas apontar erros. Após o trabalho de demolição, é inteligente refletirmos sobre qual foi a armadilha que nos conduziu ao erro a fim de evitar que, novamente, sejamos pegos por ela. Para tal fim, é necessário analisar a questão detidamente, nos esforçando no sentido de compreender quais são as causas desses erros de interpretação. Depois de destruir, portanto, é necessário reconstruir: pular por cima do erro e, então, reestruturar nossa cosmovisão para que esta possua uma maior correspondência com a realidade. Em nossa sociedade, por longos séculos, o conceito de Deus tem ocupado um papel de importância central. Muitas das respostas às questões mais relevantes de nossas vidas tiveram sua origem na teologia. Todavia, como tais alicerces, aos nossos olhos, mostraram-se equivocados, julgamos de suma importância reavaliar os elementos que foram mais fortemente influenciados pelas explicações religiosas. Daremos início a uma revisão crítica dos fatores mais pesadamente relevantes da natureza humana.
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 Os fundamentos da Teoria da Evolução
Visto que o período de nossas vidas é infinitesimal em comparação às eras geológicas que estiveram disponíveis para a ocorrência dos fenômenos seletivos da evolução biológica, quando, depois de um belo almoço, nos voltamos à natureza e vemos tudo já acabado, funcionando de modo extremamente interdependente, somos vítimas da ilusão de que as espécies estão em harmonia com o meio ambiente e que um existe para o outro; ou então que foram criadas por alguma inteligência suprema do modo como são atualmente. Intuitivamente, parece-nos absurdo pensar que toda essa magnífica profusão de espécies apenas aconteceu por acaso. Certamente as espécies estão em harmonia com o meio ambiente, mas não porque um existe para o outro e nem porque foram criadas, mas porque o ambiente é um tirano que ceifa impiedosamente a vida daqueles que não são capazes de subsistir sob as condições impostas por ele. Mas essa explicação não é muito intuitiva, e tampouco apela às nossas sensibilidades poéticas.
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 A representação humana da realidade
Precisamos deixar claro que o homem definitivamente não é capaz de apreender a realidade em si mesma diretamente. O que ele faz, na verdade, é apenas uma representação mental dessa realidade através dos sentidos e do intelecto. Podemos usar o exemplo das cores para elucidar o mecanismo de representação. O espectro visível, para nós, vai do violeta – com comprimento de onda igual a 400 nanômetros – até o vermelho – com 700 nanômetros (nanômetro ou nm equivale à bilionésima parte do metro; isto é, 10-9 ou 0,000.000.001 m). Nós vemos objetos pretos, vermelhos, brancos, azuis, amarelos etc.; entretanto, tais objetos não são realmente pretos, vermelhos, brancos, azuis, e assim por diante. O que vemos, na verdade, não são os objetos, mas a luz que esses objetos refletem. Objetos pretos, por exemplo, são aqueles que absorvem todas as cores do espectro visível; os objetos brancos são aqueles que refletem todas as cores; os objetos vermelhos, azuis, amarelos e verdes são aqueles que absorvem todos os comprimentos de onda, refletindo, respectivamente, apenas os vermelhos, azuis, amarelos e verdes. Normalmente usa-se a luz branca, que é a mistura de todas as cores – por exemplo, a luz do Sol ou de uma lâmpada –, como o padrão para se definir as cores “reais” dos objetos. Entretanto, o fato é que nenhum objeto tem uma cor em si, previamente definida. Por exemplo, se iluminarmos um objeto branco com uma luz vermelha, ele será percebido pela nossa visão como um objeto vermelho. Por outro lado, se iluminarmos um objeto vermelho com uma luz azul, para nossos olhos ele será preto, pois estaria absorvendo toda a radiação luminosa que chega a ele na forma de luz azul. Se a luz liberada pelo Sol e pelos nossos artefatos de iluminação fosse apenas vermelha, estaríamos acostumados à ideia de que todos os objetos brancos na realidade são vermelhos.
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 Sobre o fundamento da moral
Imaginemos um universo sem qualquer tipo de vida, totalmente estéril. Suponhamos que, num planeta qualquer desse universo, exista um vulcão localizado numa área de grande atividade sísmica. Nós, como seres humanos frágeis, costumamos associar uma imagem negativa a vulcões ativos, já que estes representam um enorme perigo potencial às nossas vidas. Entretanto, haveria qualquer diferença se esse vulcão permanecesse quieto ou vomitasse cinzas e magma furiosamente e engolisse os arredores se não houvesse qualquer vida para ser consumida? Não, de fato não haveria. Pedras não se importam em ser tostadas pelo magma, a água não se importa em ser evaporada, a terra não se importa em ser recoberta de cinzas. Esse planeta poderia até ser destroçado por um mega-meteoro errante, mas ainda assim nada disso poderia ser considerado um mal se não houvesse um ser ao qual isso representasse um prejuízo. Nesta situação o bem e o mal existem? Não, pois não há qualquer tipo de referencial em relação ao qual poderíamos estabelecê-los. Entretanto, colocando-se na superfície desse planeta um indivíduo dotado de vontade – vontade de sobreviver, por exemplo –, e concedendo-lhe alguma inteligência, então esse indivíduo se posicionaria em relação aos fenômenos naturais desse planeta, declarando-os bons ou maus em função de serem favoráveis ou desfavoráveis aos seus objetivos.
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 Sobre o sentido da vida
Pode-se dizer que, em todas as suas manifestações, a vida biológica, por uma simples questão de seleção reprodutiva de longo prazo, possui um sentido em si, que não é um significado, mas um sentido mecânico, inercial: a tendência de continuar existindo. No caso do homem, esse sentido em si deixou de ser totalmente mecânico quando nele surgiu a consciência, a capacidade de reflexão e deliberação. Apesar de potencialmente antinatural, o intelecto do homem moderno permitiu uma maior maleabilidade comportamental, fazendo com que se tornasse um animal muito mais adaptável, versátil e, por isso mesmo, bem-sucedido.
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 As razões do corpo
A maioria das pessoas vê o âmbito da afetividade como algo que não pode ser pensado, algo misterioso, que está acima da razão. Isso acontece porque os afetos originam-se em níveis profundos do cérebro, e a mente racional, que constitui a camada evolutivamente mais recente, não tem o poder de controlá-los a seu bel-prazer. Sentimentos e reações emotivas são praticamente imunes à razão e à vontade consciente; isso, obviamente, também se aplica às crenças que satisfazem nossas necessidades afetivas. Mas o simples fato de serem imunes não significa que estão acima; estão apenas desvinculados, funcionam independentemente da razão. Colocados nesses termos, todos os nossos sentimentos e emoções certamente perdem aquele brilho místico; é exatamente esse o objetivo. Nossos sentimentos e emoções não são verdades, mas apenas vínculos e impulsos poderosos, forjados inconscientemente e emanados das profundezas de nossa mente, manifestando-se em nosso comportamento. Nossa constituição mental, como todo o resto, não teve seu valor definido pela sua veracidade, pela sua lógica, pela sua coerência. Pura e simplesmente, o valor dela foi definido pela sua capacidade de proporcionar a sobrevivência. Assim como nosso fígado, nossos afetos não evoluíram para fazer sentido, mas para serem eficientes.
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 O homem, o mundo e o nada
No princípio, nosso planeta era o centro do Universo. Ora, éramos a obra prima de um Deus todo-poderoso que nos amava; nada poderia ser mais justo. Depois de muito tempo, vieram os astrônomos da Idade Média, que abalaram os alicerces do pensamento geocêntrico da época, demonstrando que a Terra não era o centro de coisa alguma; é ela que gira em torno de um Sol, e não o contrário. Além disso, não há apenas o nosso planeta; há vários outros também. Isso nos diminui um pouco, mas não há problema, pois o nosso sistema planetário é tudo o que existe. Teria sido bom para nosso ego se todas as descobertas se resumissem a isso, mas não foi o que aconteceu. Agora sabemos que as estrelas que, à noite, vemos no céu, são outros sóis. Assim, nosso sistema planetário deixou de ser o único, pois há muitas outras estrelas com muitos outros planetas girando em seu redor. Mas, na verdade, não são apenas muitos sóis: são muitíssimos; de fato, são bilhões de sóis – 100 bilhões de sóis! Esse é um número tão absurdo que sequer conseguimos imaginar o que ele significa. Contudo, sem dúvida, percebemos que faz de nós algo muito, realmente muito pequeno. E isso tudo fica ainda pior quando percebemos que somos muito menores. Toda essa grandiosidade colossal está contida em apenas uma galáxia, e choca-nos pensar que, além da nossa, há mais 100 bilhões de galáxias, com aproximadamente outros 100 bilhões de sóis em cada, e estes, talvez, sendo orbitados por muitos planetas; e esses números, tudo indica, ainda hão de aumentar. No mínimo, é um tapa na cara de nossa arrogância. Quem, diante disso, disser que representamos um grão de areia, estará fazendo um elogio desmedido.
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| APÊNDICE |
 Sobre a liberdade e o livre-arbítrio
Tomando-se uma concepção de vida enquanto um sistema informacional físico, enquanto uma máquina programada à autoperpetuação, ela não só pode prescindir do livre-arbítrio, como também é absurdamente incompatível com tal ideia. Para compatibilizá-las seria necessário postular a existência de um Fantasma da Máquina transcendental que não só escapa às leis físicas, mas também as influencia; ou seja, teríamos de jogar pela janela todo o conhecimento que adquirimos sobre o cérebro humano; algo que soa como um delírio análogo àqueles que deram origem a todas as quimeras que povoam o mundo do além.
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 Sobre o autor
Meu nome é André Díspore Cancian. Nasci no dia dezenove de fevereiro de 1982, numa pequena cidade do interior de São Paulo chamada Catanduva. Foi como autodidata que fiz meus estudos sobre todos os assuntos que abordo aqui. Passei a ter um contato mais profundo com a filosofia e com a ciência a partir dos dezessete anos de idade, e entre algumas das influências que foram mais marcantes em meu pensamento e minha visão de mundo estão os nomes Nietzsche, Cioran, Schopenhauer, Freud, Pessoa, Russell, Sagan e Dawkins. Por isso sempre digo, com algum toque de humor negro, que quase todos os meus amigos estão mortos, e só me deixaram seus livros; mas antes os amigos mortos que os imaginários. [ ler]
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