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Poesia Alguém gosta de ler ou escrever poesia'

#521 Membro offline   LIKIDI Ícone

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Postou 16/11/2014 - 02:09

Bem, o Dostoiévski é incrível, existem, dentre tantas passagens geniais, umas 9 dele que guardo do lado esquerdo do peito. Dentre as nove estão aquela descrição que o próprio personagem, Fiódor Karamazov, faz de si mesmo (sim, aquele velho libertino, o pai dos irmãos Karamazov ), e essa preciosidade aqui do final do Memórias do Subsolo:

" Acostumara-me a tal ponto a pensar e a imaginar tudo de acordo com os livros, e a representar a mim mesmo tudo no mundo como eu mesmo anteriormente compusera nos meus devaneios, que então nem compreendi imediatamente aquele estranho fato. Eis o que sucedeu: ofendida e esmagada por mim, Liza compreendera muito mais do que eu imaginara. Ela compreendera de tudo aquilo justamente o que a mulher sempre compreende em primeiro lugar, quando ama sinceramente, isto é, compreendera que eu mesmo era infeliz.
A expressão de susto e de dignidade cedeu a princípio, em seu semblante, a uma perplexidade amargurada. E, quando eu comecei a chamar-me de canalha, e crápula, quando me ocorreram as lágrimas (proferi toda esta tirada com lágrimas), todo o seu rosto se contorceu em não sei que convulsão. Quis levantar-se, deter-me; e, quando acabei de falar, não foi para os meus gritos que ela dirigiu atenção: ''Para que está aqui?'', ''Por que não vai embora?!'', mas para o fato de que, provavelmente, era muito difícil a mim mesmo dizer tudo aquilo. E estava tão aniquilada, a pobre; considerava-se infinitamente inferior a mim; como poderia, pois, ficar zangada, ofender-se? Súbito pulou da cadeira num repente insopitável e, querendo atirar-se toda para mim, mas ainda tímida e não ousando sair do lugar, estendeu-me os braços...Nesse ponto, o meu coração também se confrangeu. E ela se lançou subitamente a mim, rodeou-me o pescoço com os braços e chorou. Eu também não resisti e chorei aos soluços, de modo como nunca ainda me acontecera...
- Não me deixam...eu não posso ser....bondoso! - mal proferi, em seguida fui até o divã, caí nele de braços e passei um quarto de hora soluçando, presa em um verdadeiro acesso de histeria. Ela deixou-se cair junto a mim, abraçou-me e pareceu petrificar-se naquele abraço.
Mas, apesar de tudo, a histeria tinha que passar afinal. E eis que (bem que estou escrevendo uma verdade repulsiva), deitado de bruços no divã, apertado fortemente contra ele, o rosto enfiado em meu ordinário travesseiro de couro, comecei a perceber aos poucos, como que de longe, contra a vontade, mas de modo incoercível, que eu ficaria então encabulado de levantar a cabeça e olhar Liza bem nos olhos. De que me envergonhava? Não sei, mas tinha vergonha. Acudiu-me também à transtornada cabeça o pensamento de que ps papeis estavam definitivamente trocados, que ela é que era a heroína, e que eu era uma criatura, tão humilhada e esmagada como ela fora diante de mim naquela noite, quatro dias atrás...

Um quarto de hora depois, eu estava andando a passos largos, em uma impaciência furiosa, de um canto a outro do quarto, e a cada instante me acercava do biombo e olhava Liza por uma pequena fresta. Ela estava sentada no chão, a cabeça reclinada sobre a cama, e provavelmente chorava. Mas não ia embora, e justamente isso é que me irritava. Desta vez, ela já sabia tudo. Eu a ofendera para sempre, mas...não há o que contar. Ela adivinhara que o arroubo de minha paixão fora justamente uma vingança, uma nova humilhação, e que ao meu ódio de antes, quase sem objeto, se acrescentara já um ódio pessoal, invejoso, um ódio por ela...Aliás, não afirmo que ela compreendesse tudo isto com nitidez; em compensação, compreendera completamente que eu era um homem vil e, sobretudo, incapaz de amá-la.
Sei que me dirão que isto é inverossímil; que é inverossímil ser tão malvado e estupido como eu; acrescentarão talvez que era inverossímil não passar a amá-la ou, pelo menos, não avaliar aquele amor. Mas inverossímil por quê? Em primeiro lugar, eu não podia mais apaixonar-me, porque, repito, amar significa para mim tiranizar e dominar moralmente. Durante toda a vida, eu não podia sequer conceber em meu íntimo outro amor, e cheguei a tal ponto que, agora, chego a pensar por vezes que o amor consiste justamente no direito que o objeto amado voluntariamente nos concede de exercer tirania sobre ele. Mesmo nos meus devaneios subterrâneos, nunca pude conceber o amor senão como uma luta; começava sempre pelo ódio e terminava pela subjugação moral; depois não podia sequer imaginar o que fazer com o objeto subjugado. E o que há de inverossímil nisso, se eu já conseguira apodrecer moralmente a ponto de me desacostumar da ''vida viva'', e haver tido a ideia de censurar Liza, de envergonhá-la com o fato de ter vindo a minha casa para ouvir ''palavras piedosas''; mas eu mesmo não adivinhara que ela não viera absolutamente para ouvir palavras de piedade, mas para me amar, pois para a mulher é no amor que consiste toda a ressurreição; toda a salvação de qualquer desgraça e toda regeneração não podem ser reveladas de outro modo. Aliás, eu não a odiava tanto assim quando corria pelo quarto e a espiava pelo biombo, através de uma pequena fresta. Dava-me apenas um sentimento insuportavelmente penoso o fato de que ela estivesse ali. Queria que ela sumisse. Queria ''tranquilidade'', ficar sozinho no subsolo. A ''vida viva'', por falta de hábito, comprimira-me tanto que era até difícil respirar.
Passaram-se mais alguns minutos, e ela ainda não se levantara, como se estivesse esquecida de si mesma. Tive o descaramento de bater devagarinho no biombo, para lembrar...
De repente, sobressaltou-se, ergueu-se e começou a procurar o seu lenço, o chapeuzinho, a peliça, como se quisesse escapar de mim...Dois minutos depois, saiu vagarosamente de trás do biombo e me dirigiu um olhar penoso. Sorri com maldade, aliás à força, por uma questão de decência, e virei-me, evitando-lhe o olhar.
- Adeus - disse ela, encaminhando-se para a porta.
De repente, corri até ela, agarrei-lhe a mão, abri-a, coloquei ali...e tornei a fechá-la. E, no mesmo instante, me virei e corri o quanto antes para o outro canto a fim de não ver, pelo menos...
Quis, ainda a pouco, mentir, escrever que eu fizera aquilo sem querer, não sabendo o que fazia, fora de mim, por tolice. Mas não quero mentir e, por isto, digo francamente que abri a mão dela e coloquei ali...por raiva. Veio-me à mente fazê-lo quando eu corria de um canto a outro do quarto e ela estava sentada atrás do biombo. Mas eis o que posso dizer com certeza: cometi esta crueldade, ainda que intencionalmente, mas não com o coração, e sim com a minha cabeça má. Esta crueldade era tão artificial, mental, inventada, livresca, que eu mesmo não a suportei nem um instante sequer; a princípio, corri para um canto, a fim de não ver, e depois, presa de vergonha e desespero, precipitei-me atrás de Liza. Abri a porta do apartamento e me pus a prestar atenção.
- Liza! Liza! - gritei para a escada, mas sem coragem, a meia voz...
Não houve resposta, e eu tive a impressão de ouvir seus passos nos últimos degraus.
- Liza! - gritei, mais alto.
Nenhuma resposta. Mas, ao mesmo instante, ouvi abrir-se lá embaixo, pesadamente, com um rangido, a porta emperrada, envidraçada, que dava para a rua, e fechar-se pesadamente também. O ruído soou pela escada.
Ela partira. Voltei pensativo para o meu quarto. Uma sensação terrivelmente penosa me dominava.
Detive-me junto à mesa, ao lado da cadeira a qual ela estivera sentada, e fiquei olhando com ar estúpido para a frente. Cerca de um minuto se passou; de repente, estremeci todo: bem diante de mim, sobre a mesa, vi...numa palavra, vi uma nota amassada, azul, de cinco rublos, aquela mesma que, um minuto antes, eu fechara em sua mão. Era aquela nota, outra não podia ser, não existia outra em casa. Quer dizer que ela tivera tempo de jogá-la sobre a mesa, no instante em que eu correra para o outro canto.
Pois bem, eu podia esperar que ela fizesse isso. Podia mesmo? Não. Eu era a tal ponto egoísta, respeitava, na realidade, tão pouco as pessoas que não podia sequer imaginar que ela o fizesse. - Não suportei aquilo. Um instante depois, como um insano, corri a vestir-me, joguei sobre mim o que pude, às pressas, e corri velozmente em sua perseguição. Ela não tivera ainda tempo de percorrer duzentos passos quando saí para a rua.
Tudo estava quieto, a neve despencava quase perpendicularmente, forrando com espessa alfombra a calçada e a rua deserta. Não havia um transeunte, não se ouvia um som sequer. Os lampiões tremeluziam melancólica e inutilmente. Corri uns duzentos passos, até a encruzilhada, e me detive.
Para onde teria ido? E por que estou correndo atrás dela? Para quê? Cair diante dela, chorar de arrependimento, beijar-lhe os pés, implorar perdão! Eu até que desejava isto; meu peito dilacerava-se todo, e jamais, jamais poderei lembrar aquele momento com indiferença. Mas, para quê?, pensei. Não irei eu odiá-la, amanhã mesmo talvez, justamente por lhe ter beijado hoje os pés? Irei eu dar-lhe felicidade? Não constatarei acaso hoje novamente, e pela centésima vez, quanto valho? Não irei suplicá-la de uma vez?
Parado sobre a neve, pensava nisto e perscrutava a bruma turva.
E não será melhor, não será melhor, fantasiava eu já em casa, depois, abafando com a imaginação a dor viva que me ia na alma, ''não será melhor se ela levar consigo agora e para sempre a afronta?'' A afronta...mas é uma purificação; é a mais corrosiva e dolorida consciência! Amanhã mesmo eu sujaria com o meu ser e a sua alma e cansaria o meu coração. Mas a afronta, agora, não se extinguirá nela nunca mais e, por mais repulsiva que seja a imundice que a espera, a afronta há de elevá-la e purificá-la...por meio do ódio...hum...e talvez pelo perdão também... Aliás, fará acaso isto com que tudo lhe seja mais leve?
E realmente dessa vez proponho já de minha parte uma pergunta ociosa: o que é melhor, uma felicidade barata ou um sofrimento elevado? Vamos, o que é melhor?. "

- Memórias do Subsolo, Dostoiévski.
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#522 Membro offline   Liah Ícone

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Postou 16/11/2014 - 07:29

Sou profundamente apaixonada por Dostoiévski.
Memórias do Subsolo (ou Notas do Subsolo) é sua obra que mais gosto e me impressiona pelo realismo.

Este meu poema é baseado neste trecho do livro que você postou.

O Bárbaro

Pensou poder lhe tocar o coração
Mas incendiado de dor ficara o seu
Inconformada com sua maldição
aos céus clamara
Tente transformar um demônio
e dois demônios serão
És pedra
Lápide que jaz corpos sem vida
Coração vazio que a alma vaga por terras secas
Desejos insaciaveis e loucuras a deleitar-se em leviandades
Mas amou-te! Tudo que és!
Na crueza de teu ser enveredara-se
E tu a sugastes, oh criatura da noite!
De sua alma e de seus sentimentos te fartastes
Como anjo caido a procura de alívio
Longe da luz da aurora que o dia traz
para a escuridão a cativastes
Contigo saltastes o profundo abismo
Mas tu, tinha asas... Negras e grandes asas...
Voou
E ela, que em queda livre se dilacerava, o hades viu
Esgoelou seu choro aos quatro ventos atormentada
Vagando pela solidão de incontáveis e inconsoláveis dias
Fugiu
Dilacerada e irreconhecível ser
Nuvens gris sobre sua cabeça a acompanhar-lhe
Até que chegue
Na sepultura de sua cama onde tua ausência lhe consome
E até que venha a próxima eternidade, és tu, em sua lembrança
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#523 Membro offline   Malta Ícone

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Postou 17/11/2014 - 17:56

Inspirado nos poemas de Li Stoducto

Destilando bagagens

Nosso caso já nasceu
antes de poder ter sido
a essa sensação,
essas palavras
o que se sentiu
o que se irmanou
nas tramas como ilusão
asfixiado... evaporou!
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#524 Membro offline   LIKIDI Ícone

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Postou 17/11/2014 - 23:01

(uma homenagem ao meu energético preferido :D )

Monstro

Sou um erro,
má -
um monstro;
Pois não basta sentir amor,
deve-se representar.

Sou cruel,
vil -
um monstro;
Pois não basta se importar,
deve-se aparentar.


Sou perversa,
sádica -
um monstro;
Pois não basta falar verdades,
não se pode machucar.


Sou ruim,
seca -
um monstro;
Pois não basta sentir dor,
é preciso ainda se humilhar.

Sou egoísta,
fria –
um monstro;
Pois não basta ser humana,
deve-se ao demais agradar.


Sou inconveniente,
pedra no sapato –
um monstro;
Pois não basta sofrer,
é preciso dissimular.
0

#525 Membro offline   Malta Ícone

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Postou 18/11/2014 - 11:17

Uma questão de estatística

Há 99% de hipóteses de estar louca
e 1% de tudo não passar de um pesadelo
Há 99% de razões para falar sozinha
e 1% para fechar a matraca
Há 99% de motivos para chorar
e 1% para dar uma boa risada

Quando dou conta já sou
Um número, uma percentagem
O indicador, sem remorsos
Acusa-me de ser miragem
Mas os dados da estatística
Abonam a meu favor
99% de mim é genuína
1% é sabotagem

(Maria Fernanda Reis Esteves)
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#526 Membro offline   LIKIDI Ícone

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Postou 18/11/2014 - 13:22

Da Observação

Não te irrites, por mais que te fizerem…
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio…


- Quintaninha
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#527 Membro offline   Lynash Ícone

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Postou 18/11/2014 - 19:32

Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

— Vinicius de Moraes
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#528 Membro offline   Malta Ícone

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Postou 18/11/2014 - 20:38

A Lição do Jardineiro

Pequeno reino de sebes e canteiros,
O meu jardim me ensina
Que até a rosa nobre de Mileto
Tem de, para ser bela, ser podada.
Também ela deve compreender
Que a couve, o alho e outros legumes
De origem modesta, mas não menos úteis,
Têm como ela, direito
Á sua ração de água.
O jardim seria mato
Se só na rosa imperial pensássemos.

(Bertolt Brechet)
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#529 Membro offline   LIKIDI Ícone

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Postou 18/11/2014 - 22:05

O Mapa

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo…

(É nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei…

Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei…)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso…


- Quintaninha




Poeminha Sentimental

O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas…
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.



- Quintaninha
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#530 Membro offline   Malta Ícone

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Postou 18/11/2014 - 23:52

Quando meus olhos fundem céu e mar
numa espécie de duelo celestial
há um certo jogo de brincar.

Toda água que já foi mar
desagua em tempestade
onde Sol não se opõe (está por trás de tudo)
e só fica a espiar.

E a natureza se faz ciranda:
devolve toda água pro céu
que retorna de novo pro mar.

Mas o vento que entra sem chamar
dissipa todas as nuvens (ele não gosta de brincar);
mas nem pense mal dele,
pois é natural das coisas
a brincadeira terminar.

(Berg Nascimento)
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#531 Membro offline   Callegari Ícone

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Postou 19/11/2014 - 08:56

“in the cupboard sits my bottle
like a dwarf waiting to scratch out my prayers.
I drink and cough like some idiot at a symphony,
sunlight and maddened birds are everywhere,
the phone rings gamboling its sound
against the odds of the crooked sea;
I drink deeply and evenly now,
I drink to paradise
and death
and the lie of love.”

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#532 Membro offline   Liah Ícone

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Postou 19/11/2014 - 12:24

4º Motivo da Rosa

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verás, só de cinza franzida,
mortas intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos,
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que me vão lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.


- Cecília Meireles -
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#533 Membro offline   Ricardo Sandre Ícone

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Postou 19/11/2014 - 18:09

Em tempos passados, invocava-se o nome de deus como fundamento da ordem política. Mas deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar:
A democracia é o governo do povo. Não sei se foi bom negócio; o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de TV que o povo prefere. :D
Quanto mais eu conheço o macaco nu, mais admiro o chimpanzé.
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#534 Membro offline   Dom Marcio Ícone

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Postou 19/11/2014 - 18:20

Ver postRicardo Sandre, em 19/11/2014 - 18:09, disse:

Basta ver os programas de TV que o povo prefere. :D


....os políticos que o povo elege!... :D
Quanto mais eu rezo, mais ignorantes aparecem... (Dom)
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#535 Membro offline   Liah Ícone

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Postou 19/11/2014 - 18:43

Até aqui! :mellow:
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#536 Membro offline   Malta Ícone

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Postou 19/11/2014 - 22:14

"O poder do povo

Você é poderoso senhor político
Com a máquina a seu dispor?
E cada dia mais rico
Deixando a maioria com menos valor

Mentiste para nos conquistar
Disseste o que ia fazer
Até então nada a mostrar
Mas conosco tu virás a ter

Precisará de nós com certeza
Pois, temos a chave da porta.
Basta desta pobreza
Nada mais nos importa

Não queremos um salvador
Somente alguém honesto
Que a política seja por amor
E esqueça do resto

Faça um pouco pela maioria
Algo que possa ser lembrado
Chega de tanta “putaria”
Eu mesmo já estou cansado

Estas palavras são um lembrete
De alguém que te ajudou
Faça um balancete
Diga porque se abandidou?

E por fim quero frisar:
Quem tem o poder é o povo
Do poder vamos lhe tirar
Nem que seja com tomate e ovo."
0

#537 Membro offline   Liah Ícone

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Postou Ontem, 08:14

OS PARAÍSOS ARTIFICIAIS


Na minha terra, não há terra, há ruas;
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.
Na minha terra, não há árvores nem flores.
As flores, tão escassas, dos jardins mudam ao mês,
e a Câmara tem máquinas especialíssimas para desenraizar as árvores.
O cântico das aves – não há cânticos,
mas só canários de 3º andar e papagaios de 5º.
E a música do vento é frio nos pardieiros.
Na minha terra, porém, não há pardieiros,
que são todos na Pérsia ou na China,
ou em países inefáveis.
A minha terra não é inefável.
A vida da minha terra é que é inefável.
Inefável é o que não pode ser dito.

- Jorge de Sena -
0

#538 Membro offline   Malta Ícone

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Postou Ontem, 18:55

"Vinho e Vermute

Quisera saber de toda tua complexidade
ser uma pequena cidade no Mediterrâneo
e te contemplar do palato até os rins.

Curar toda mediocridade
a cada gole desse elixir
que me faz rever amigos
como se estivessem aqui.

E cada vez que viro a taça
sou mais amigo de Baco
sou todos os vinhedos...

E nesse hotel barato
torno-me cavaleiro lunar
brindo com minha sombra
que me parece acompanhar."
0

#539 Membro offline   LIKIDI Ícone

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Postou Ontem, 23:09

- Ela é tão livre que um dia será presa.

- Presa por quê?

- Por excesso de liberdade.

- Mas essa liberdade é inocente?

- É. Até mesmo ingênua.

- Então por que a prisão?

- Porque a liberdade ofende.



- Clarice Lispector
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#540 Membro offline   LIKIDI Ícone

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Postou Ontem, 23:16

Não me provoque, tenho armas escondidas...
Não me manipule, nasci para ser livre...
Não me engane, posso não resistir...
Não grite, tenho o péssimo hábito de revidar...
Não me magoe, meu coração já tem muitas mágoas..

Clarice Lispector
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