Docke, em 05/08/2010 - 07:54, disse:
Hélio Schwartsman escreveu:
A blogsfera dos ateus está em polvorosa. Meu amigo Daniel Sottomaior, da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), já quer processar o apresentador.
Pessoalmente, não acho que seja o caso. Acredito em liberdade de expressão em sua forma forte. O Datena é livre para dizer o que pensa de ateus, e, nós para afirmar o que quisermos de suas declarações, da religião e da própria ideia de Deus. O debate tende a ficar veemente, mas, enquanto ninguém substituir palavras por fogueiras, estamos num jogo razoavelmente civilizado. Se só pudermos dizer o que as pessoas estão dispostas a ouvir sem ofender-se, a liberdade de expressão nem precisaria estar inscrita na Constituição.
Isso é bastante discutível. Não discordo integralmente da opinião do Hélio, mas carece de uma análise um pouco mais profunda.
No vídeo acima, postado pelo Vouks, quando o rapaz troca a palavra "ateu" por "negros", para demonstrar o quanto o imbecil do Datena foi um mentecapto incitatador do preconceito, fica claro que mesmo ninguém "substituindo palavras por fogueiras", existe um limite para um apesentador que atinge milhões de aparelhos de TV no Brasil expressar sua "opinião pessoal" e fazer enquetes com seu público.
Eu até perguntaria ao Hélio o seguinte: uma vez que está "na moda" condenar introspectivamente todos os muçulmanos do mundo como sendo violentos e terroristas, será que se o Datena tivesse feito aquele teatro esdrúxulo usando o termo islãmico ao invés de ateu, suas "palavras" iriam soar tão despercebidas pela sociedade como foram? A comunidade islãmica brasileira (e talvez internacional) não estaria a essa altura com "zilhões" de processos contra ele? E a própria rede Bandeirantes não estaria com um "abacaxi" de explicações para dar ou até mesmo se ver forçada a demitir o imbecil apresentador sensacionalista??
Vou além. Acho que se as palavras trocadas fossem como o rapaz do vídeo exemplificou (ateu por negro e brancos), provavelmente a direção do programa cortaria a exibição instantaneamente e o Datena correria o risco de sair algemado dos estúdios da Band.
O Hélio Schwartsman está correto ao defender a liberdade de expreessão, está corretíssimo (eu mesmo sou um ferrenho defensor). Só não acho que se deva menospresar o poder das palavras e da incitação verbal, porque elas podem ser armas mais letais do que uma fogueira.
A lavagem cerebral, que por consequência óbvia estirpa o livre pensamento das pessoas e pode formar exércitos de homens bombas ou agentes de uma KKK (entre tantas outras loucuras), é uma "arma" poderosíssima que se esconde por detrás da liberdade de expressão. Sei que é um assunto delicadíssimo e compreendi a colocação do Hélio (como sempre ele foi muito lúcido em seu artigo), mas a linha é bastante tênue.
edit: Rubens, só depois que postei é que lí sua mensagem. Concordo plenamente contigo.







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