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Viabilidade Do Ceticismo concluir é melhor do que acreditar

#1 Membro offline   RavenaRaven Ícone

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Postou 26/07/2010 - 15:09

Olá pessoal,


Acabei de ler um livro muito bom sobre a vida do matemático Erdos e nele um trecho me chamou a atenção. Não estou mais com o livro em mãos pra citar exatamente, mas era mais ou menos o seguinte. Algumas provas matemáticas são contra-intuitivas, ou seja, desafiam o senso comum. Em tais casos, mesmo Erdos acabava se contentando com o parecer de outros matemáticos, que supostamente teriam verificado tal prova.

Nisso fiquei pensando na viabilidade de ser cético. Pois muita coisa que aceitamos (ou ao menos eu penso assim) eu não concluí por mim mesmo.

Sei que é uma 'crença' menor, já que se aquilo que 'acreditamos' (por não termos conhecimento para concluir por nós mesmos) estiver minimamente errado, alguém surgirá com uma explicação/prova/hipótese melhor. Mas por ser uma tarefa sem fim, o ceticismo cobra um esforço mínimo das pessoas. E é comum, penso, que conforme a idade chegue, as mudanças possam ser menos bem vistas. Digo isso por experiência própria, ao observar vários professores universitários propagando mitos (computacionais, não religiosos ;) há muito desbancados, mas que eram o pensamento vigente na época em que foram estudantes.

Sintetizando: quão difícil é para vocês concluir ao invés de acreditar? Pois para concluir é preciso estudar, e nem sempre temos tempo para tal. Ou interesse.


Rav.
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#2 Membro offline   Gabriel Fernando Ícone

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Postou 26/07/2010 - 15:41

Rav, eu até entendo quando alguns religiosos dizem que precisamos ter um pouco de fé. Realmente é improvável (pra não dizer impossível) ser cético em relação a tudo e todos. Imagine todas as áreas do conhecimento humano. Há casos em que simplesmente devemos confiar.
Eu, por exemplo, não entendo quase nada de astronomia e vejo documentários e opiniões de especialistas sobre o assunto, e mantenho certa confiança no que dizem, mesmo que eu não possa ou não queira experimentar. Eu tenho o pensamento de que ele está sendo vigiado por outros especialistas da mesma área e se estiver falando bobagem, possivelmente será desmentido.

Sobre a questão dos professores universitários que você citou, eu lembro de quando eu tinha aula de fotografia. Minha professora, que já foi uma profissional muito experiente, teimava que a fotografia analógica não estava sendo substituída pela digital no meio profissional. Os conceitos que ela trazia da época em que realmente a fotografia digital estava só no começo e nem chegava perto da qualidade do método analógico, ainda estavam enraizados na mente dela e não permitiam que ela enxergasse o quanto a tecnologia digital evoluiu. Se os profissionais que ela formou não assistissem a suas aulas com o devido ceticismo, iriam comprar velhas máquinas com filmes pra montar seus estúdios.

#3 Membro offline   Teixeira Ícone

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Postou 26/07/2010 - 15:56

Ravena,

O cético, na prática, precisa estar aberto à novas evidências contrárias às suas crenças. Quando tem suas crenças confrontadas, deve analisar as evidências e argumentos e caso estes tenham melhor consistência do que aqueles que serviram para construir sua crença prévia, esta deve ser modificada para se apoiar nas novas evidências.

A maior dificuldade, em minha opinião, é a de ter a real consciência do peso das evidências das crenças que possuimos. Afinal, podemos descartar novas evidências sem maior aprofundamento por acreditar que possuem peso menor do que aquelas que sustentam nossas crenças prévias, quando na verdade o peso destas é pequeno ou inexistente. A isso, chamamos de preconceito.
Bruno Teixeira
"A verdadeira ignorância não reside na falta de conhecimentos, mas na falta de vontade de aceitá-los." (Karl Popper)

#4 Membro offline   Deus Rome Ícone

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Postou 26/07/2010 - 16:43

Adoro o Ceticismo Pirrônico...

""Nada pode ser conhecido, nem mesmo isto". Os céticos pirrônicos negam assentimento a proposições não imediatamente evidentes e permanecem num estado de inquirição perpétua. Por exemplo, pirrônicos afirmam que uma falta de provas não constitui prova do oposto, e que essa falta de crença é profundamente diferente de uma descrença ativa. Ao invés de descrer em Deus, poderes psíquicos etc., baseados na falta de evidências de tais coisas, pirrônicos reconhecem que não podemos estar certos de que evidências novas não possam aparecer no futuro, de modo que eles mantém-se abertos em sua pesquisa. Também questionam o saber estabelecido, e vêem o dogmatismo como uma doença da mente."

Pena que em algumas partes sou o oposto ou não, com minhas ideias relativistas:

-Pra mim, a falta ou não de provas não prova nada, nem o oposto, nem o que se quer provar.
-Uma pessoa só vai estar certa para ela mesma, e aquilo que ela considerar certa.
-Sempre me mantenho aberto a todas teorias.
-Questiono o saber estabelecido.
-Tudo vem da mente, não existe doença mental.
VIVA LA RELATIVACION !!!
Presidente Rome??? Prefiro ser um Faraó! Aristocracia ao invés de democraia!
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#5 Membro offline   Wolph Ícone

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Postou 27/07/2010 - 07:06

Ravena,

A matemática possui uma carcterística quase que holística a ela mesma, ou seja, ela é tudo que pode ser, mesmo que becos sem saída. Lembro de uma indiano que era um genio e em seu curto tempo de vida escreveu várias funções que foram usadas um século depois na teoria M, se não me engano. Mostrando que becos sem saída podem ou não ser uma abertura para outra área de aplicação. Matematicamente poderíamos voltar ao passado ou desquebrar um ovo, por isso, penso eu que a matematica não possa ser usada como uma "arma" isolada para exemplificar alguma "crença menor".

Rome,

Será que voce poderia repsonder algum tópico sem pregar sua pseudo-filosofia?
Porque voce fala que adora algo que é contra suas proposições?
Aonde estão as provas do que voce prega?
Porque voce não questiona o seu saber estabelecido já que carece de lógica e alguém que pense como voce?
Se voce se manter aberto a todas as teorias, o que voce pensa sobre se abrir mais ao ceticismo?
Voce que gosta destas comparações: Se o universo só possuísse seres unicelulares acéfalos, o que seria este universo?
“O invisível e o inexistente se parecem muito.” Delos B. McKown

A verdade não tem que ser aceita com fé. Os cientistas não seguram suas mãos todo domingo, cantando, “Sim a gravidade é real! Eu vou ter fé! Eu vou ser forte! Amém.”" Dan Barker, ex-evangélico e autor

#6 Membro offline   RavenaRaven Ícone

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Postou 27/07/2010 - 07:49

Gabriel, achei o seu exemplo bem parecido com o que eu citei. Em ambos os casos acho que cai no que o Teixeira falou, do preconceito. Sem ele não teríamos um ponto de partida para "separar o joio do trigo", ou seja, tentar restringir o que vale ou não a pena investigar. Mas como toda simplificação, vamos incorrer em algum erro no processo. Entretanto nesse contexto o preconceito é necessário, não?

Rome, acho que ser cético não implica em ser dogmático, muito pelo contrário. ;) Então estar sempre aberto a novas idéias deveria ser também uma característica do cético. Deve sim haver uma certa barreira (baseada no preconceito que o Teixeira comentou), que torna viável (ou pelo menos mais prática) nossa tarefa de investigar novas idéias que nos são apresentadas. Porém essa barreira só não deve ser intransponível, para não virar dogma.

Wolph, citei matemática só por ser o que tinha em mãos no momento. Mas, por exemplo, vendo suas discussões sobre história, filosofia ou política, ou qualquer outra coisa mais para a área de humanas, eu só posso ouvir. Quando alguma coisa é interessante eu procuro ler de outras fontes... mas é só. Infelizmente não tenho muita motivação para ir (pelo menos não agora ;)) aos livros citados nessas discussões para eu mesmo tirar minhas conclusões. Mas mesmo que fosse, aposto que estas seriam um tanto ingênuas por eu não ter bagagem da área. Daí, o que me sobra, é acreditar.


Rav.
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#7 Membro offline   kevorkian Ícone

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Postou 27/07/2010 - 08:51

Ravena, vou te dar um exemplo pouco conhecido.

Havia um cara chamado Newton que formulou alguma coisa sobre a Gravitação. Ela responde muita coisa. Mas ele mesmo se questionava que havia alguma coisa errada com essa matemática toda dele. Apesar de tudo, ele ainda desconfiava daquilo ali que estava sendo constatado e provado matematicamente.

Foi preciso um judeu para mudar a realidade que havia sido prescrita. E este ai teve que precisar de um católico para "provar" suas crenças. E ainda assim não foi suficiente, para outras dúvidas.

Talvez algum cientista hindu possa nos dar uma luz divina com alguns TeV per Beam.

#8 Membro offline   Wolph Ícone

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Postou 27/07/2010 - 10:19

Ravena,


Entendo,

Neste caso voce podese guiar pelo que parece-lhe mais coerente com seu modo de entender o mundo. Pois em muitos casos é mais uma escolha que uma lei. É impossível equacionar o comportamento humano, mas mesmo assim eu não considero uma "crença menor" e sim em hipóteses mais plausíveis que se revelam mais ou menos coerentes com mais dados e experiencias acumuladas. Se voce não sabe quase nada a respeito, voce pode até acreditar, mas nunca terá certeza ou sentirá "algo" inexplicável que te convença, correto?
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#9 Membro offline   CIV Ícone

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Postou 27/07/2010 - 11:07

Há uma certa dificuldade em se adotar o ceticismo no dia-a-dia como forma de adquirir uma compreenção justa e pondera de situações. No máximo, pelo menos ele sempre nos permite o direito da dúvida, de não aceitarmos como informação legítima como entendimento de qualquer assunto ou situação que se tem contato. Nesses casos, me parece adequado apenas aceitar tais informações temporariamente. Encará-las da forma como foram recebidas a nós (alguém disse que X é Y e não Z) e não do ponto de vista do enunciado, pois, de imdiato, podemos não ter evidências contra e a favor. A desvatagem nesses casos, está em, como disse o Teixeria, em não podermos verificar todo e qualquer enunciado que nos passam. Nesses casos, não resta opção de assumir plena e conscientemente minha ignorância. Infelizmente, como disse o Ravena, nem sempre temos motivação, ou talvez recursos para explorar decentemente a questão. E, do ponto de vista intelectual, efetivamente não há o que se fazer, já que, sem estudo, sem instrução, sem entendimento. Como nosso ceticismo, presumo, seja algo quase instintivo (termos o hábito de ficar com o pé atrás em toda e qualquer informação que nos é passada, e só as aceitarmos depois de termos um acesso efetivo ao enunciado, se ele ao menos for plausível), é dedutível, pelo menos para mim, quantas informações do dia-a-dia que, para um dado interesse nosso, seriam relevantes mas que, por não termos acesso, ou motivação suficientes, nós nos sentimos incapacitados de compreender ou se pronunciar sobre o assunto com conhecimento de causa, sendo preferível o silêncio e a ignorância do que dizer ou pensar besteira.
Niilista

#10 Membro offline   Lamarck. Ícone

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Postou 29/07/2010 - 02:15

Na verdade, a prática do ramo do ceticismo que consiste em estar aberto à novas idéias. Como o Mori falou: Duvidar de tudo, é acreditar em nada. Logo, um ceticismo 'impraticável' ( Palavra que melhor expressa o que quero dizer. ). "
Entretanto, para ateus não-dogmáticos, este tipo de prática é mais viável e mais fácil, tendo em vista o abandono de crenças impostas desde à infância, por exemplo. Digo, se você conseguiu se desvencilhiar de uma crença que prega um mar de fogo repleto de gritos de dor por seres não corpóreos ( LOL ), por que não se livrar da crença de que manga com leite é letal?

Como citaram acima, quando não se detém de argumentos contra determinadas alegações que, aparentemente, são mais convincentes, lógicas e verídicas, o correto é admitir, da maneira mais humilde possível, a ignorância quanto à tal, mas sem adotar aquela afirmação como verdade vitalícia, assim digamos. E depois, claro, buscar evidências à respeito de tal, para assim, diante das mesmas, se posicionar sobre. Concordo plenamente com isso.

P.S.: Wolph, eu nunca consegui entender as "filosofias" do Rome. Talvez por que ele faça um verdadeiro samba do crioulo doido quando vem as expor. De qualquer forma, ele só quer garantir as vendas do seu futuro livro. EUSHUAHSU

#11 Membro offline   Deus Rome Ícone

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Postou 29/07/2010 - 10:39

"O ceticismo nada mais é que duvidar... é a primeira fase da descrença, e a ultima fase antes da aceitação." Alexandre (eu mesmo :P )

Sim, meu relativismo está 100% sempre duvidando de tudo, mas ao mesmo tempo aceitando tudo...

Por isso brinco de defender as ideias opostas e a favor das minhas.

:lol:

(tudo depende do ponto de vista)

(tem um complemento no desvituamento dos tópicos)
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