Altruísmo verdadeiro ou falso?
#1
Postou 24/07/2010 - 12:13
Da Wikipédia
Altruísmo > Percebida muitas vezes como sinônimo de solidariedade, a palavra altruísmo foi criada em 1830 pelo filósofo francês Augusto Comte para caracterizar o conjunto das disposições humanas (individuais e coletivas) que inclinam os seres humanos a dedicarem-se aos outros.
Bem, conceitos à parte, a meu ver o altruísmo é um apaziguador psicológico interno em que a pessoa apenas satisfaz, de alguma forma (caridade, por exemplo), sua própria necessidade de estar em "paz" consigo mesma.
- Efetivamente falando ninguém perde o sono por causa da miséria do mundo. Perde?
- O que motiva as pessoas a mandarem dinheiro para uma conta bancária para ajudar desabrigados do outro lado do mundo e ignorarem o mendigo desabrigado na esquina de seu próprio bairro? Onde está a coerência nisso?
- Mesmo uma pessoa que se 'doe' 100% pode ser incluída no altruísmo da simples satisfação pessoal, ou seja, no fundo, atrás das ações e do discurso ela está visando (mesmo sem saber) apenas um conforto psicológico próprio. Concordam com isso?
Os exemplos são muitos e gostaria que pouco a pouco fossemos colocando-os em discussão, com a maior sinceridade possível, e avaliando o altruísmo a fundo.
#2
Postou 24/07/2010 - 12:21
Of course, o apaziguamento interno é o motor. Seja pela recompensa do céu, ou da reação em cadeia que iniciamos e acaba voltando para nós.
Temos vergonha, ou apenas não sabemos ajudar alguém diretamente, se mandamos dinheiro ao Teleton.
#3
Postou 24/07/2010 - 14:31
Penso ser o instinto gregário humano o causador do fenômeno altruismo, calcado na necessidade de proteger-se e proteger a tribo das ameaças externas, algo como o "um por todos, todos por um", dos mosqueteiros.
Com o surgimento das religiões, a consequência não seria apenas a proteção do bando, mas o mérito individual e a recompensa espiritual para o abnegado(a).
E, com o advento dos governos centralizados, os cuidados na preservação das "leis e costumes" de uma determinada população recaíram em "órgãos", responsáveis pela segurança, saúde, moradia, educação e etc. Restaria portanto ao cidadão a "caridade" de seu auxílio direto àqueles porventura excluídos do sistema de benefícios oficial, se motivado pela culpa e sentimento de responsabilidade, se por pura vontade de ajudar, se por imposição religiosa, constata-se que há um dispêndio de tempo e dinheiro com pessoas fora da família e dos contatos mais íntimos.
Em contraste com a Natureza, somos insignificantes, vulneráveis e incapazes de impedir sua ação. Quando somos esmagados por suas forças, enquanto alguns se unem para angariar fundos para reconstrução, fazer e receber doações e passar horas em escombros nos resgates, outros saqueiam, roubam, violam, numa demonstração explícita dos "Gersons" que caminham por aí à espreita de algum "descuido" dos incautos.
Ontem assisti "Predadores". Meio fraquinho, mas encerra uma lição interessante: quando estamos ameaçados, colocamos nossos talentos para beneficiar a todos, porque isso NOS beneficia. Pelo mesmo motivo, podemos nos dar mal no altruísmo, pois há os que se beneficiam da bondade alheia para o cometimento de crimes; ocultos em uma aparência de fragilidade, aproveitam-se parasitariamente dos altruístas para manterem-se vivos enquanto todos morrem à sua volta. Um estratagema bom até alguém desconfiar que só o parasita continua vivo...
Há que se usar de lógica, bom senso e inteligência nessas horas...
#4
Postou 24/07/2010 - 15:32
Citaram também o caso das pessoas realmente precisando de ajuda ali ao seu lado e na maioria das vezes não ajudarmos, e também aqueles que foram chamados de parasitas, então mesmo que algumas pessoas queiram tomar ações e mudar alguma coisa sempre havera esse medo, com tanta desonestidade, e mesmo que o mendigo no começo não fosse um mal carater, a falta de ajuda no começo tenho feito ele mudar suas atitudes.(sei que não foi nesse sentido a coisa dos parasitas mas peguei o exemplo e fiz uma colocação, você estava falando de grandes ongs e etc certo? corrija-me se eu estiver errado).
#5
Postou 24/07/2010 - 20:50
Na minha opinião nós os seres humanos temos predisposição ao altruísmo, talvez porque somos seres dotados da capacidade de planear o futuro, e pensar no coletivo.
Quando faço algumas ações é de forma instintiva sem pensar na recompensa (de forma consciente), ela depois vem como bonús (e sim Russel, algumas situações graves tiram-me o sono), tem outras alturas que as faço pensando nas gerações futuras (de forma mais consciente). Conheço colegas, que não têm essa predisposição pelo menos tão instintivamente. Dou um exemplo simples: eu faço reciclagem pensando em poluir menos e dessa forma melhorar o futuro do nosso planeta (claro que no fundo espero recompensa, mas indireta), tenho colegas que só o fariam se lhes pagassem por isso. Pergunto, será da educação, meio ou genético mesmo, não sei (mas há diferenças).
Albert Einstein
#6
Postou 24/07/2010 - 21:46
"O altruísmo nada mais é, que o cúmulo do egoísmo..."
Isso me chocou tanto, que tive que desenvolver algumas teorias, e reorganizar meus conceitos e minhas prioridades.
Na minha concepção, o altruísmo nada mais é que uma forma de mistificação de um ato (hehe como tudo na vida).
Um ato de "ajudar o próximo" dando dinheiro para um desconhecido, achando que vai ajudar esta pessoa.
(a própria pessoa que deu o dinheiro vai se sentir mais poderosa, dizendo inconscientemente para sí mesma... eu venci na vida, tenho dinehiro para dar para uma pessoa que não conseguiu vencer na vida, se elevando a uma altura acima da pessoa que recebeu a "ajuda")
Um ato de "salvar o próximo com a própria vida" se jogando em cima de uma bala, que iria acertar outra pessoa.
(é a vontade de querer ser eternizado na mente daquelas que observam o fato e idolatram a coragem de tal pessoa de fazer isso)
Todos atos são baseados em características egoísticas.
Mas se você for pensar bem, é relativo!
(hehe começei
Se você analizar um ato "altruísta" do jeito que expliquei acima, você irá ver que a razão seria egoísta.
Mas se você analizar pensando que foi um "deus" que teve vontade de mandar aquela pessoa fazer aquilo, então o ato seria um mistério... logo seria mistificado e se tornaria uma ação digna de um "deus mistico".
@Russell
Se o altruísmo for falso, então não teria lógica para morrer salvando outra pessoa, ou fazer atos que ajudem outras pessoas e que te prejudiquem.
Se o altruísmo for verdadeiro, então o ato de ajudar alguem ou dar a vida por alguem, deve ter algum motivo...
Se tem motivo, então devemos analizar de onde vem esse motivo que leva a pessoa a fazer estes atos.
(como eu fiz acima)
Se não houver nenhum motivo egoístico para mover a pessoa a fazer tal ato, então o altruísmo EXISTE.
Se houver algum motivo egoístico, então o altruísmo nada mais é que uma forma mistificada de egoísmo.
Bom pelo menos essa foi a lógica que entendi.
Presidente Rome??? Prefiro ser um Faraó! Aristocracia ao invés de democraia!
Adoro beber HEINEKEN
#7
Postou 24/07/2010 - 22:42
A bondade, genoridade, preocupações honestas com as pessoas que nos são de interesse, sem dúvida alguma existem, porém, essas cumprem um propósito centrado em interesses pessoais. Como a vida em sí não possue nenhum valor em sí mesma, qualquer atribuição valorativa e emocional que façamos de nós mesmos é uma crença centrada em sentimentos (amor, pena, compaixão). Tais sentimentos residem em nós e acabamos humanizando valorativamente a existência através deles, e ainda acabamos saciando os mesmos. Eles que nos impulsionam a implantarmos associações nas pessoas e as valorizá-las pelo que ela nos representa, e não pelo que ela seria em sí (objetivamente), seja de forma individual ou coletiva. A nível de representação, o contato que temos com as pessoas são através de crenças. Sim, de fato, elas fazem jus as caracteristicas ideativas e emocionais que temos delas, mas tais já são crenças e, dentro dessa lógica, nos relacionamos com as pessoas através dessas representações, e não de como elas são efetivamente (que, a esse nível, não significaria nada).
A nível de relação, tais comportamentos baseados em atribuições são efetivos, apenas não representariam nada em sí além de nossas crenças.
#8
Postou 25/07/2010 - 17:48
A palavra analisada leva ao esclarecimento. Ísmo igual a movimento. Altru, vem de alter, ou seja para o alto. Portanto, altruísmo é igual a promover o outro, levá-lo para cima.
As sensações que promovem a satisfação do ego são desencadeadas pelo "descargo da consciência", que todo o indivíduo experimenta ao fazer o bem. Aí entra a idéia do humanitarismo, religiosidade, fazer o bem sem olhar a quem,etc...
Sabemos que para viver basta-nos muito pouco. Uns nada tem. Também não precisamos de religião para praticar o bem.
Alguém disse e gosto de repetir:" Chega de falar, dai-lhe de comer e o que vestir e a dignidade aparecerá por sí".
Quando finalmente os teístas passarem a fazer algo para promover o outro, uma nova visão de religiosidade deve aflorar.
Continuemos na luta. Abraço.
#9
Postou 25/07/2010 - 23:01
O altruismo na minha compreenção,éo reconhecimento do valor humano em sociedade.
A medida que compreendemos que cada individuo,tem o seu valor social,ser altruista é cumprir o papel de elevar no homen sua auto estima como pessoa, não estado alheio aos problema dos outros.
Então, segundo a minha compreenção,é uma questão de sobrevivências humana,ajudar os seus pares,mesmo que estejam a quilometros de distancia de nos.
#10
Postou 25/07/2010 - 23:11
"Altruísmo" vem da junção de "alter" (outro, em latim) mais o sufixo "-ismo", que designa, segundo o Houaiss Eletrônico 3.0, "doutrina, sistema, teoria, tendência, corrente etc."
Não confundir com o também sufixo "-ismo" (do grego "ismós") que indica intoxicação (no caso de doenças).
#11
Postou 26/07/2010 - 07:41
Acabei por concluir que nada é do que a necessidade de satisfazer nosso desejo de bem estar. Seria uma forma de afastar o problema. Quando dou dinheiro a um mendigo(coisa que raramente faço), sinto a sensação de dever cumprido... já fiz a minha parte...o problema já não é mais meu ( se é que foi algum dia).
No decorrer de meus pensamentos, vejo que tudo não passa de uma hipocrisia egoísta... tudo motivado pelo desejo de paz interior. Não dou dinheiro ao mendigo para que ele fique bem, dou dinheiro para que eu me sinta melhor.
Ainda estou pensando a respeito... tentando entender a natureza humana e sua interações...
"Schopenhauer"
#12
Postou 26/07/2010 - 07:45
Quanto ao altruísmo, penso que existem várias razões diferentes, mas que refletem uma característica evolutiva desenvolvida pela vida em sociedade e nosso poder de abstração e empatia únicos. A diferença dos outros atos alturístas encontrados na natureza é que podemos conscientemente vencer as barreiras genéticas e criar caminhos que possa elevar tantos conceitos com escopo empático como este, não em um sentimento vaidoso de massagear o ego, mas em algo pensado em sociedade para minimizar os estragos que fazemos e se fossemos literalmente altruístas em relação a isso, definitivamente perderíamos o sono.
A verdade não tem que ser aceita com fé. Os cientistas não seguram suas mãos todo domingo, cantando, “Sim a gravidade é real! Eu vou ter fé! Eu vou ser forte! Amém.”" Dan Barker, ex-evangélico e autor
#13
Postou 26/07/2010 - 11:26
Albert Einstein
#14
Postou 26/07/2010 - 14:39
Deus Rome, em 24/07/2010 - 20:46, disse:
(é a vontade de querer ser eternizado na mente daquelas que observam o fato e idolatram a coragem de tal pessoa de fazer isso)
Pois é, Deus, aconteceu uma coisa este fim de semana que me deixou encucado. Eu estava caminhando com minha namorada quando ouvimos uns barulhos parecendo tiros. Eu a abracei, tentando protegê-la, mas não eram tiros, eram só uns barulhos de bombinhas. Mas aí vem o caso. Eu me coloquei na frente dela, mas não sei porque fiz isso. Se fossem tiros, provavelmente me acertariam e poderiam me matar. Eu sou ateu, não acredito em vida após a morte, não haveria recompensa pra mim. E mesmo considerando o que o Rome falou, o que importaria o reconhecimento pelo meu ato se eu não estaria vivo para recebê-lo? E, provavelmente, qualquer um aqui faria isso por alguém muito querido.
Então estou com minhas dúvidas sobre o altruísmo existir ou não.
#15
Postou 26/07/2010 - 14:55
Justamente o que Dawkins fala do gene egoísta. Como vivemos há muito tempo em grupos tais atitudes ajudaram a perpetuar a espécie, como sempre salvar a mulher grávida em situação de perigo.
Hepacia,
Eu ainda penso que demonstrações de altruísmo como a de Ghandi, Einstein ou similares a do Guillermo (que este caso está mal contado), são um altruísmo memético. Eu, por exemplo, vou morrer defendendo a idéia de que toda religião deveria se tornar mitologia e faria alguns sacrificios (como já fiz) para perpetuar esta idéia.
A verdade não tem que ser aceita com fé. Os cientistas não seguram suas mãos todo domingo, cantando, “Sim a gravidade é real! Eu vou ter fé! Eu vou ser forte! Amém.”" Dan Barker, ex-evangélico e autor
#16
Postou 26/07/2010 - 15:25
Terei que a partir de agora reformular o nome que dou aos meus atos, serão mais atos pró-sociais e não altruísmo. Pode a conduta moral humana ser explicada em termos de seleção natural?
Albert Einstein
#17
Postou 26/07/2010 - 16:24
Eu acho que sim pela empatia e status que a atuitude promove(espero que cada vez mais empatia,
Vamos tomar por exemplo a lista que Einstein fez contra a outra dos outros cientistas alemães a apoiarem a causa nazista. Foi o maior fracasso, mas eu entendo esta açao como um exemplo de altruísmo que tento imitar, na medida do possível e guardadas as devidas proporções. Mas para isso temos que entender o que aconteceu á época e o que representou esta ação.
A verdade não tem que ser aceita com fé. Os cientistas não seguram suas mãos todo domingo, cantando, “Sim a gravidade é real! Eu vou ter fé! Eu vou ser forte! Amém.”" Dan Barker, ex-evangélico e autor
#18
Postou 27/07/2010 - 12:27
seja fazendo uma doação para se confortar psicologimente, para mostrar aos outros que você é "bonzinho", ou porque sua filinha que se importa com o mundo não para de encher sua paciencia!!!
No fundo não existe altruismo (e isso não é relativo), porque, independente da ação a pessoa busca uma reconpensa!
Satanas, Cresus Jisto, Anticristo
Guerreiros do mal
Ozzy Osbourne, Espiritos Malignos, Teletubbies, Jason Voorhees, Nemesis, Sauron, Freddy Krueger, Chucky, Coringa, Exterminador do Futuro, Predador, Pinguim, Darth Vader,
Coisas Satanicas
666
#19
Postou 27/07/2010 - 21:54
Quote
Então estou com minhas dúvidas sobre o altruísmo existir ou não.
Entendo perfeitamente a dúvida Gabriel. As vezes, apensar de estar ciente de minhas intenções claramente, existe uma sensação de controversa, mesmo o tema já estando significativamente claro. No caso, claramente que protegeriamos uma pessoa amada de possíveis perigos, mas o fazemos não por recompenas as quais não acreditamos, como uma possível vida após a morte. No caso, protegemos pois, para nós, há uma importância na pessoa, um investimento emocional. Naturalmente que podendo evitar possíveis prejuízos a pessoa e fazemos isso sem problemas, no entanto, não fazemos exatamente por ela, e sim por nós. Suponhamos que ela, por algum motivo que seja, deixe de se comportar aos poucos de forma afetiva com você, ou lhe cause algum problema emocional desnecessário, ou simplesmente não haja mais vontade de ficar junto. Sua preocupação com o bem-estar dela será diminuido ou até extinguido de alguma forma, dependendo de como isso o afetar. Tal desagrado fará você perder (parcialmente, temporariamente ou definitivamente) o sentimento de apreço emocional que teria pela pessoa. Esse desafeto faria com que você desistisse de dedicar-se afetivamente a ela. Considerando que a motivação vinda de sua dedicação seria o efeto, e esse, estando, no caso, extinguido, não haveriam mais motivações para cuidar dela, pois ela deixou de ser um investimento, e não seria mais algo de interesse. Claramente que você ainda poderá demontrar cuidados mesmo após isso, mas tal não será motivado, (tendo consciencia da situação) por um tipo de afeto que almeje converter o cuidado em uma possível reconciliação. Pois, se o fizermos, estariamos sendo motivados por esperanças sem justificativas, e que ainda cumpre um propósito próprio.
Em circunstâncias gerais, havendo desinteresse afetivo para com a pessoa em questão, não há motivo algum para uma preocupação legítima, e se caso houver, não seria mais por esse motivo. Visto por esse ângulo, a condição evidencia que o interesse, no final, era nosso. Sim, as intenções de agrado eram indiscutivelmente voltadas a pessoa, mas não desinteressadamente.
#20
Postou 28/07/2010 - 09:36
A verdade não tem que ser aceita com fé. Os cientistas não seguram suas mãos todo domingo, cantando, “Sim a gravidade é real! Eu vou ter fé! Eu vou ser forte! Amém.”" Dan Barker, ex-evangélico e autor



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