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A realidade crua: O ser humano sustenta valores, ainda que subjetivos e só válidos do seu próprio ponto de vista.
Esse é o ponto de partida.
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O nihilismo nega uma porção significativa dessa realidade e torna impossível a compreensão completa do ser humano por que o ser humano é uma criatura de valores que passa a maior parte de sua vida ocupado com estes valores, no momento que se nega a existência dos valores ou a importância deles na vida humana você na verdade está enxergando uma realidade imperfeita, uma realidade coxa e que do ponto de vista lógico seria inconsistente pois não se pode prever o humano sem entender suas motivações.
Não é negado que somos serem que cultivam valores, e nem a sua influência, pois tal dependência é um fato. Só observamos que esses valores não são nada além do que meras convenções que estabelecemos. Isso não implica em desrespeito para com nossas atribuições. A ideia é apenas apontar que elas inexistem alheio a sujeitos (justamente por isso que tiverem que ser implantadas, pois não existem.)
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Veja que se uma pedra desenvolvesse de repente a capacidade de observação e intelecto e observasse o ser humano, ela ficaria completamente desorientada pois nada do que o ser humano faz lhe faria sentido, falta a pedra a compreensão completa do ser humano, para ela o ser humano estaria tomando atitudes aparentemente ilógicas. Apenas com a compreensão completa das motivações humanas, suas origens e seu desenvolvimento a pedra poderia explicar o ser humano.
Não estamos tentando observar a realidade do ponto de vista de uma pedra (seja lá o que isso signifique). Um ponto da questão é que simplesmente ao perceber que uma parte considerável do que vivemos é mera implantação nossa, ao sermos mais lúcidos e racionais, não temos como evitar a frieza da realidade. Objetivamente, nada nos diferencia do restante do ambiente que estamos, independentemente dos valores que caracterizamos nossas vidas.
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O nihilismo tenta fazer o contrário disso, tenta jogar fora esse conhecimento entitulando o mesmo de subjetivo e inválido e ao fazer isso encontra uma filosofia que é falha em entender o ser humano.
A subjetividade não é ignorada, apenas colocada no seu devido lugar. O que o niilismo busca compreender são os fatos o mais objetivamente possível. Se grande parte de nossos valores e atribuições não encontram respaldo na realidade objetiva, que sejamos justos e saibamos admitir que não puderam vir de outro lugar a não ser de nossos cérebros.
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E Civ, a fome é um valor, hardwired no seu sistema, mas ainda assim é um valor.
A fome é uma necessidade biológica, um fato. A fome não é uma implantação nossa. Se você assim quiser definir a fome como um "valor", fique à vontade, mas, qual a definição de valor que você está empregando? Não precisamos dar adjetivos aos fatos para que eles existam. Se apelidamos uma bomba nuclear de "abominável", ela não será nenhum pouco diferente do que é, e não faz sentido algum expressarmos repúdio a mesma. Não importa como apelidemos os fatos, eles continuarão sendo o que são. E, como niilistas, o que procuramos fazer é remover classificações sem fundamentos objetivo, unicamente para um melhor esclarecimento da realidade.
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O nihilismo nega estes processos, diz que eles são inválidos, que no máximo(e isso depende do tipo de nihilismo) existe a configuração de fábrica. Isso é um jeito limitado e incompleto de enxergar a realidade.
O único ponto que eu afirmaria é que, sendo objetivo, não faz o menor sentido em "negar". Ao negarmos um fato objetivo, passamos a ser ignorantes.
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Por exemplo, não lembro em que post foi dito que o nihilismo ajuda a enxergar o aborto de forma objetiva, isso é uma incoerência, a questão do aborto é uma questão de valores morais, a definição de certo e errado é subjetiva, decidir se um aborto é permissível ou não, se é correto ou não, é a definição de um valor moral.
O niilismo de fato nunca poderá ser usado para justificar qualquer tipo de atitude moral. Mas, ao analisarmos os fatos sob uma perpspectiva niilista, não estamos tentando fazê-lo, estamos tentando olhar a questão com mais lucidez. O niilismo não seria um meio para se justificar certo e errado, mas um meio para analisar um fato alheio, e imparcialmente a essas valorações.
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Mas o nihilismo parte do dogma de que não existem valores, o que torna completamente ilógico tentar discutir o assunto com a ótica nihilista, simplesmente não se aplica.
Assim que alguém demostrar que valores morais existem além de sujeitos não haverá mais motivos para classifica-los como subjetivos. Com o que se pareceria um valor moral objetivo?
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Pior, ao se discutir um assunto como esse pela ótica nihilista, você pretende chegar à uma conclusão que é um valor moral, mas você já estabelece como premissa que não existem valores, portanto você estará discutindo algo cuja conclusão inescapável você já conhece e é nenhuma, nada, não existe certo ou errado a respeito do aborto.
Se limitar a uma análise dos fatos e tirar uma conclusão do que se apresenta não é lá bem o que se classificar como moralidade. Se for assim então, uma escavação em busca de um fóssil, ou uma autopsia seriam verdadeiros cursos de ética. Estamos analisando uma realidade fria e indiferente, e a questão da subjetividade que estamos negando é que venha dela. Que somos prisioneiros delirantes de nossa subjetividade já sabemos, só estariamos usando o bom senso para não pensarmos que o ambiente que nos circunda compartilhe de nossos próprios delírios.
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Logo assuntos como este e quase qualquer outro assunto humano estão no ponto cego do nihilista, ele não tem as ferramentas necessárias para tratar estes assuntos já que ele nega a existência delas.
O niilismo apenas foca a questão lucidamente e objetivamente, e a exclusão da moral, em uma análise objetiva, não é nada além do que atribuições nossas e que só dizem respeito a nossos interesses. Se quisermos analisar um ponto sob um aspecto moral, que fiquemos à vontade para expor nossa crenças. O único ponto que temos a dizer é que, a realidade não vai mudar só porque a estamos olhando sob valores subjetivos.
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O nihilista no máximo poderia dizer o que é o aborto e quais as técnicas usadas para abortar, mas jamais discutir a respeito do seu aspecto
moral.
Sim, pois esses são pontos objetivos. Como disse acima, se quisermos estabelecer valores para podermos julgar um ato, que fiquemos à vontade. Isso em nada muda o fato dos valores continarem a ser subjetivos.
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A única resposta honesta do nihilista para o que ele acha do aborto deveria ser: Não computa.
O niilismo não é um ponto de vista se julgar a moralidade, como é claro. O ponto é que ver a realidade objetivamente é o que há para ser feito. Se quisermos intepretá-la sob um ponto de vista moral ou outros parâmetros subjetivos, que fiquemos à vontade. Absolutamente nada nos impede isso. A questão é que esses pontos são todos nós mesmos que atribuimos, de maneira que tentarmos defendê-los objetivamente como a "conduta correta" ou " o modo certo de fazer tal coisa" é apenas uma questão subjetiva e relativa. Como um objetivo desejável que queremos é viver bem mutuamente, é claro que há parâmetros subjetivos que nos ajudarão mais do que outros, mas, isso em nada significa que tal conduta é algo além do que um sistema útil para esse fim. Há diversas formas de se viver, por mais repugnante, abominável, invejável, agradável etc... que possa variar nossas opiniões humanas, diversas condutas existem e são objetivamente possíveis de serem concretizadas, mas não são nada mais além de meras regras subjetivas, e não condições absolutas e objetivas.
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O nihilismo moral é uma maneira concretista de enxergar o mundo que segue uma lógica inválida para determinar o que é válido ou não, ele segue uma lógica que invalida a si mesmo antes mesmo que se possa entrar na discussão.
Poderia deixar isso mais claro.
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Só por que os valores não são paupáveis e não tem o mesmo valor e intensidede para diferentes indivíduos, não significa que eles existam, eles são uma construção estabelecida à partir da combinações de outros valores mais físicos como a fome, amor, impulso social, etc e de situações específicas para as quais o indivíduo foi exposto, esta construção é feita para melhor adaptar o indivíduo às circunstâncias à que ele vive.
É claro que eles existem, dentro de parâmetros subjetivos, e não objetivos. Estabelecer regras qualquer um pode fazer, só estamos afirmando que essas regras não são objetivas. Analisemos o caso da religião. A religião quer passar o valor deles objetivamente. Uma condição objetiva que nos julga sob valores que nos mesmos definimos. Da mesma forma que esses são valores, crenças subjetivas que foram implantadas, nossa moralidade e outros postos valorativos foram igualmente implantados. Não estou exatamente tratando se são úteis ou não, mas apenas que são, subjetivos, e, em tal condição, não há a menor possibilidade racional que requer "pregá-los" como se fossem condições que "todos deveriam seguir" ou o que seja. Sim, como eu disse, há condutas que indiscutivelmente nos promove melhor resultados do que outras a um certo meio, mas isso não desqualifica o fato de alguém, se assim preferir, viver da forma que quiser.
O ponto de ser subjetivo apenas diz respeito a tal atribuição depender de um individuo para exitir. Temos que atribuir esses valores justamente por que a realidade carece de todos eles, e é esse ponto que estamos analisando. A referência de "bom" ou "mau" basea-se em um sujeito, sem um sujeito, inexiste a referência, torna-se indiferente. E é esse tipo de indiferença que a realidade se torna após retirarmos nossas decorações subjetivas.
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Ao contrário do que afirma o BossGrave, os memes aos quais a gente está exposto não são inúteis, eles são a melhor ferramenta que o ser humano tem para se adaptar prontamente à realidade, processos que demorariam milhares de anos com a evolução biológica, com o uso do fator intelectual, abstrato, por vezes dura apenas anos, ou mesmo instantes.
Têm sua parcela de utilidade sem dúvida. Mas, sendo praticamente uma ferramenta de sobrevivência, é útil a esse fim, não a respeito da qualidade das informações que esse nos repassa.
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Os valores que construimos são uma tentativa de aumentar a capacidade de sobrevivência da espécie, assim como as mutações, por vezes eles vem para prejudicar e portanto levam ao fracasso da população em que eles estão presentes. Mas a blindagem à estes valores é um retrocesso evolutivo.
Concordo! Porém, ao filtrarmos nossas valorações, não significa necessariamente que não concordamos com eles, como imagino que tenha ficado claro, mas apenas que não os vemos como algo além de meras implantações que não partiram de outro lugar a não ser de nós mesmos. De maneira que praticamente o que é feito, da forma como está sendo conceituado, é uma separação do subjetivo e do objetivo, apenas isso.
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Civ, exatamente, eu questionei neste tópico a eterna repetição que o niilismo provoca. Ele revela-se num labirinto enfadonho, num eterno ciclo repetitivo. Humildemente eu penso no niilismo como algo contraproducente, bem estruturado, mas inviável.
O beco sem saida é por simplesmente, nada mais há para dizer sobre esse assunto. Não há um o que ultrapassar. Se quisermos pensar algo estamos totalmente livres para isso, não iremos conseguir sair da premissa do niilismo. Simplesmente porque o niilismo sempre irá esbarrar em algo quando começarmos a querer justificar nossas ideias. Afinal, se quando nos propormos a falar e a pensar, não estivermos fazendo considerando fatos objetivos, então poucas de nossas ações poderão ser justificadas.
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Exatamente Notivago, o que você descreveu, procede pela indignação do pensamento niilista de um modo geral, mas por um outro lado, o pensamento niilista também pode ser positivo, sem os devidos exageros evidentemente, mas como um regulador do exagero da subjetividade.
E como ferramenta, é o que ele pode oferecer. Claramente que o niilismo não é algo agradável de ser levado como uma "filosofia de vida". O fato é que, estando consciente da condição, não precisarmos de esforço algum para começarmos automaticamente a analisar diversos pontos sob tal aspecto. Em sí, todos alguma vez já fizemos isso (no trabalho, na escola, faculdade...). Se propor a analisar tudo objetivamente não nos torna exatamente desumanos, talvez como a ideia possa parecer, apenas é uma postura demasiadamente fria. Ao filtrarmos a subjetividade, só estamos a negar que tal, como projeção, faça parte da realidade objetivamente. Não se trata de cegueira, mas de bom senso. Em nenhuma hipótese podemos supor que fatos que nós definimos sejam algo além disso, se fosse assim, poderiamos definir a realidade da forma que quisessemos que, tudo seria objetivo. Como evidentemente não é assim que ocorre, e como poluimos demaisamente a realidade com nossas projeções, nada mais sensato do que fazer essa distinção e colocar ambas em seus devidos lugares.
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Isso mesmo, o niilismo não funciona como filosofia autônoma. Ele deve ser agregado à outra, logicamente como acessória.
Se estamos tratando o niilismo como forma de negação, claro que ela necessita de um ponto para negar.