Rulphus

Niilismo

281 posts neste tópico

De certa forma sim J.

Nega-se que não haja sentido (um significado simbólico) existente objetivamente (isso seria, efetivamente). Só o que existiria, no que se refere a esse ponto, seriam ocorrências e fatos. Sentidos existem subjetivamente, como um tipo de critério imaginário que usamos para conectar fatos e assim podermos compreendê-los (nesse sentido, seria apenas a busca pela coerência). Dois pontos a se considerar que geralmente são confundidos: A existência desse, e sua utilidade. No caso de sentidos, é claro que eles existem, mas na condição de serem o que são. Sentidos que percebemos nas coisas, subjetivamente, são um tipo de conexão coerente de fatos, que, correspondendo-se ou não com o que mensuram, são arbitrários, e essa arbitrariedade ultrapassa o espectro da utilidade, por isso que questionamentos envolvendo utilidade são tão frequêntes, como no caso de uma ideologia moral, por exemplo. Em tal caso, deduzem que, se estamos negando que a moralidade existe, estamos afirmando que deveriamos viver de forma imoralista (e não amoralista, efetivamente), quando tal associação não parece ter fundamento algum, não sendo mais do que um raciocínio lógico considerando uma dualidade arbitrária. Há como separarmos ideologias de alguns elementos isolados que as constituem e selecionarmos os mesmos unicamente por causa da sua utilidade (que, no caso, é para isso que ela deveria servir, é o seu fim último). Aspectos práticos e úteis de uma ideologia não são parte integrante da mesma. De fato, uma ideologia é construida com bases em um conjunto de práticas selecionadas como úteis a um dado fim. No caso, o que o niilismo faz é o processo inverso: descontruí-las. Atos e suas consequências valem por sí só, e não são "propriedades inerentes" de alguma crença ou ideologia (que nada mais seriam do que uma abstração representando uma quantidade de condutas, cridas como "corretas" ou "verdadeiras"). Há interpretações e discuções mais adequadas e pertinentes para tratarmos o entendimento de ideologia considerando críticas e reflexões sobre abordagens de pensadores como Karl Marx por exemplo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ideologia

Contudo, basicamente, o niilismo aqui entendido e conceituado nega, com mais concisão, os mesmos elementos da ideia dissociada do entendimento "fragmentado" do niilismo: Não há, objetivamente, sentido, meta, moralidade, verdade (no sentido de "caminho correto para tal fim" ou equivalente), valores, fundamento na existência... Basicamente, no que se refere a vivência, o que nos restaria seria apenas o bom senso e o julgamento dissociados de quaisquer ideais que percebamos não fazer correspondência com os fatos tais como temos acesso de forma mensurável, sendo uma postura pautada unicamente em parâmetros que possamos absorver da própria realidade, tal como a percebemos, com a intenção de governarmos nossas vidas.

O niilismo (simbolicamente falando), tenho percebido ser algo complexo de se comunicar, visto que se trata apenas de uma concepção de mundo que as vezes possa parecer controversa por negar elementos com uma multiplicidade de interpretações e entendimentos e não algo, de início, claramente mensurável. Estamos lidando com a negação de parâmetros que nós mesmos implantamos, e nós mesmos os estamos usando para afirmarmos sua inexistência objetiva. Mas, não há controversa alguma, desde que percebamos que coisas são o que são. Se não acreditarmos que um conjunto de caracteres possue alguma sequência com algum sentido intrinseco, não faz sentido acharmos incoerentes os usarmos para negar sua própria ausência de significado. São ferramentas humanas de comunicação, isso me parece ser o bastante para o esclarecimento.

Como forma de pensamento racional, sereno e equilibrado, o que afirmamos como niilismo ("nadismo"), não me parece algo insultuoso ou alvejante ao mundo e as coisas, desde que tratado de forma racional e imparcial. No entanto, há lados desvantajosos também a nossas vontades humanas com relação ao niilismo, e nesse ponto, para nós, e nossa adaptação biológica e social, ele pode se confrontar com diversas incoerências, o que é previsível. Se existimos em um ambiente de pessoas que creem no sentido, e nós não, é lógico que teremos conflitos (exatamente como temos conflitos com religiosos sendo ateus). E, como sabemos que a justificativa alheia carece de significado, as vezes nos vemos inflados de razão por sabermos que suas motivações estão apoiadas em bases inexistentes. E isso pode causar alguma imprudência as vezes, não por orgulho pessoal, diria, mas por aplicarmos um raciocínio lógico em um ambiente que funciona com base em outro. Isso gera incoerências terríveis (por experiência, cognitivas e biológicas) se nos restringirmos muito ao fato de que vivemos em um ambiente sem sentido, mas, que, precisamos nos comportar como se ele existisse. Felizmente, deixando-se motivar por outros fatos, mas, nem todos acham algumas justificativas práticas aceitáveis (como já era no ateísmo, de forma mais branda), mas, gostem ou não, os efeitos das práticas não mudam, independentemente se vemos um "sentido em sí" nelas ou não.

Como o niilismo entra em conflito direto com o sistema que nós mesmos definimos para existir (além de nossa condição biológica, a seu nível) e, como sabemos que não há justificativas racionais para pensarmos o contrário do que sua conclusão nos apresenta, podemos, se não usarmos a razão, ficarmos muito alienados com o fato da "ausência de sentido" e disso tentar tirar proveitos (como imprudências, porém, não diretamente motivadas pela ideia, mas sim pelo efeito que essa tem é de "libertação" no que se refere a ausência de sentido), sem aos quais racionalmente não fariamos considerando parâmetros de punição. Na prática, não é um comportamento anormal, como talvez todo esse raciocínio, mais o parâmetro do "niilismo" deva induzir a pensar, mas sim, um comportamento inconsciente. Exatamente como inconscientemente a grande maioria das pessoas, inclusive nós mesmos já o fizemos, apela para Deus quando há alguma ameaça iminente. Nosso inconsciente, em termos incorretos, "aderiu" o conceber da ausência de sentido e isso pode acabar, pela minha experiência, por exemplo, a nos deixarmos ser imprudentes com atos que, geralmente não deveriamos (principalmente por sermos moldados, restringindo-se a conclusão do niilismo, abdicarmos até mesmo de vantagens práticas, por refletirmos sua falta de sentido). E tudo isso, avistando uma coerência e se vendo dentro dela, no entanto, cosnciente de que estamos sendo regidos em um mundo com parâmetros sistêmicos de sentido. Seria, uma "imprudência inconscientemente racional". Ao que percebo, pelo fato de toda nossa busca por entendimento ser focada na utilização e sobrevivência, é perceptível que tentemos dar um emprego ao entendimento da "ausência de sentido objetivo", no entanto, tal praticamente não possue, salvo uma utilidade de compreenção.

O niilismo, como qualquer outro sistema de pensamento, tem suas vantagens e suas desvantagens no que se refere a vivência. E isso não significa que a validade da conclusão o torne "errado", ou relativo. Assim como não significa que a possibilidade da praticidade seja alterada por sua "desmontagem" teórica de não possuir uma "razão de ser". Sua concepção não é feita visando ter uma utilidade prática para nenhuma meta pessoal ou mútua, ela apenas é fruto de reflexões e questionamentos filosóficos sobre os fatos, nada mais.

Edit: Alterações e correções.

Editado por CIV
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"Se existimos em um ambiente de pessoas que creem no sentido, e nós não, é lógico que teremos conflitos (exatamente como temos conflitos com religiosos sendo ateus). E, como sabemos que a justificativa alheia carece de significado, as vezes nos vemos inflados de razão por sabermos que suas motivações estão apoiadas em bases inexistentes. E isso pode causar alguma imprudência as vezes, não por orgulho pessoal, diria, mas por aplicarmos um raciocínio lógico em um ambiente que funciona com base em outro. Isso gera incoerências terríveis (por experiência, cognitivas e biológicas) se nos restringirmos muito ao fato de que vivemos em um ambiente sem sentido, mas, que, precisamos nos comportar como se ele existisse."

confesso que muitas vezes me sinto assim, nalgumas rodas de conversa com alguns amigos. é mesmo muito interessante (e intrigante) como eles não conseguem entender certas coisas, mesmo eu sendo o mais lógico e racional que posso ser nas minhas argumentações e/ou comentários.

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Concordo CIV, A Realidade (com maiúscula) sempre será inacessivel, pois é necessário interpreta-la e se um sujeito interpreta então já não é mais objetiva e sim subjetiva, logo, o que pode existir são as realidades (no plural).

CARA VOCÊ DISSE TUDO!

:D

É exatamente isso que digo sempre nos meus posts, mas de uma outra forma...

Tudo são processos mentais!

TUDO!

...os efeitos das práticas não mudam, independentemente se vemos um "sentido em sí" nelas ou não.

Pra mim muda...

As vezes deixo de fazer algo, pois vejo a inutilidade daquilo.

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Unarmed

confesso que muitas vezes me sinto assim, nalgumas rodas de conversa com alguns amigos. é mesmo muito interessante (e intrigante) como eles não conseguem entender certas coisas, mesmo eu sendo o mais lógico e racional que posso ser nas minhas argumentações e/ou comentários.

É uma situação onde convivemos com uma oscilante incoerência. De um lado, sabemos (e no fundo, com um pouco de racionalidade, depevem perceber também), a carência de sentido da existência, mas, precisamos nos comportar como se ela, de fato, existe. Conviver socialmente com esse pensamento (e, inescapavelmente, como conclusão também) mesmo que expliquemos as pessoas, elas até podem nos compreender, mas logicamente não pararão suas vidas em prol disso, como nós também não. Essa situação, para mim, é a mais corroziva. Temos uma clara e seguramente confiável conclusão da ausência de finalidade objetiva, mas temos que nos comportar como se ela existisse, pelo menos de forma inconsciente. De fato, ninguém, exceto em uma crença, jamais buscou alguma justificativa objetiva para existir, isso porque, nunca houve nenhuma. Toda e qualquer meta já estabelecida, respalda-se unicamente em alguma vontade, de início, pessoal. Não existe um "algo que todos devemos fazer", e nem tal ideia, objetivamente, faz qualquer sentido. Todo o sistema de convivencia existente, é estabelecido com base em interesses de um meio social ou individual. Como os meios sociais possuem sempre mais influência do que um único indivíduo, é claro que, como base, eles preponderam, mas isso não significa que suas metas escapam dos seus interesses. Assim como não significa que a crença em Deus de uma nação inteira ultrapassa a esfera da religião. Se há vantagens em algo que eles fazem, temos que separar a vantagem, da crença ou da ideologia. Como havia dito, a utilidade, em sí, nada tem a ver com a ideologia ou crença. Basicamente, trata-se apenas de uma conduta útil a um interesse, e não é uma propriedade da crença/ideologia. Isso é, como um pensador disse: Um sequestro. A utilidade de uma conduta vale por sí mesmo, a ideologia que a acompanha é dispensável. Isso pois, como uma ideologia, da forma como concebida, baseia-se em um conjunto de pensamentos, crenças, pontos de vistas, essa, em sí mesma, não é interiamente correspondente aos fatos, o que a invalida como premissa. Diversas vezes percebemos elementos fundamentados em uma ideologia (isso seria, válidos, eficientes, reais), mas é nesse ponto que temos que pensar racionalmente sobre o que ela trata e filtrarmos o que é útil do que não é. Se a religião cristã, defende a união do homem com a mulher, isso significa que, ao concordarmos com isso, também somos cristãos? De maneira alguma. Nem a definição de cristão me parece ser algo claro (e mesmo se fosse, não passaria de uma arbitrariedade). Como o niilismo seria uma reclusão da subjetividade (exatamente por, basicamente, não passar de uma projeção inexistente na objetividade), logicamente que não há como aceitarmos qualquer tipo de ideologia, o que em absolutamente nada significa que não possamos concordar com a utilidade que alguns de "seus elementos" possuam. No caso, só o que fariamos, logicamente, seria ficarmos com o que, de fato, é útil a um dado interesse apenas, pois isso é efetivo. Ao negarmos o funcionamento dos fatos, nos tornamos ignorantes e bitolados. Racionalmente, o niilismo sequer passa em nossas cabeças na prática. Ele é apenas uma denominação da exata ausência de elementos implantados apenas, e não que ele seja uma ideologia as avessas, forçando-nos a renegar outras ideologias. Ele torna-se algo natural de se pensar. É praticamente automático se nos restringirmos aos fatos "tais como temos acesso" (a nível subjetivo, logicamente). O único "perigo" digno de atenção que já vivenciei até o momento, foi o que descrevi abaixo. Um silogismo da inutilidade/ausência de sentido. Isso realmente, é algo que, no meio prático, requer uma cautela. No entanto, só requer ponderação, pois a conclusão é inescapável, e não há como, racionalmente, mudar de ideia quanto a isso.

Rome

Pra mim muda...

As vezes deixo de fazer algo, pois vejo a inutilidade daquilo.

Bem, intrinsecamente inútil, todos são, pois toda utilidade de algo aponta para um interesse humano. No caso, me referi ao efeito das práticas. Se colocarmos combustível em um carro, e ele estando em pleno funcionamento, irá funcionar da mesma forma.

Um ponto "perigoso" do niilismo, no qual eu "caio" toda a vez seria esse silogismo da inutilidade. Ora, nada, em sí, tem sentido, então, para que fazê-lo? Nesse ponto, temos que considerar que somos simplesmente um bando de primatas desejando aproveitar das coisas. A funcionalidade de algo, não mudará mesmo que imploremos para não nos servir para nada. No caso, o que muda, são os objetivos que temos dentro das possibilidades. Esses mudam, e esses que definem a utilidade, não a funcionalidade.

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Wolph,

Nós somos produto deste meio que nos cerca, obedecemos às mesmas leis e nos comunicamos. Como voce pode dentro do seu raciocinio, alegar que não há comunicação no ser como um fato, se este é o seu filtro que está percebendo isso? Na verdade, o niilismo não existe, correto?

A "comunicação" com o Ser, nada mais é do que formas que temos de percebê-lo ou de interpretá-lo, e tal não é uma fidelidade de sua existência. A inexistência da comunicação com o Ser trata-se de perceber que a forma como nós interagimos com ele se limita a um método, ou de percepção, ou de interpretação. Uma percepção, entre outros entendimentos, seria uma forma de reconhecer um algo. Ora, o que percebemos do ambiente não é uma representado do mesmo. A forma como percebemos o calor, por exemplo, não é nada mais do que uma vibração atômica (pelo que a ciência pode nos esclarecer. E tal entendimento não seria percebido pela sensação, no caso, mas por outros meios, que também precisam representar e abstrair informações para compreender esse fenômeno.), por exemplo. Mesmo percebendo a relação causal de um fato, isso não é o mesmo que dizer que tivemos comunicação com o Ser. Para tal, nos abstraimos elementos, esses são necessariamente representados e interpretados, além de abstraidos. Além disso, tudo esse processo, não passa de uma representação em nosso cérebro. De maneira que, ter acesso a objetividade "pura", não faz o menor sentido, já que, para tal, precisamos dos fatores acima para interagir com ela.

Como uma forma mais familiar de elucidar esse processo, ao conversarmos com alguém, nossas palavras nada mais são do que meios de comunicação, de alguma forma, padronizada. Tal comunicação, apensar funcionar satisfatoriamente, não tem o efeito de "reproduzir" em nossas mentes o exato entendimento de quem a propagou. O que ela faz é promover parâmetros, aos quais podem, ou não, nos passar o significado proposto e com isso compreendermos o que foi comunicado com base em nosso entendimento. As palavras já não possuem significado algum, e sua utilização durante o processo ainda passa por filtros de interpretação. Como resultado, estamos limitados a compreender o que nosso próprio conhecimento (das palavras) e entendimento nos possibilitar, o que é claro.

Não estou dizendo que inexiste a comunicação, elas apenas não é algo que podemos crer como uma representação exata do que tivemos acesso (que em sí, seria incomunicável, pois não há um o que se pronunciar). Mas isso não é um problema, pois podemos nos comunicar e nos relacionar com os fatos significativamente bem, mas, dentro dessa condição.

Nossa interpretação ou percepção, justamente por poder se comunicar e "testar" a realidade é muito mais eficaz que a subjetividade interpretada como uma para cada consciencia, ou várias realidades desconstruídas por um obervador de cada vez, como diz collingwood e Rome fez "amém".

Sim, mas dentro do possível.

Relegar tudo a nossa volta como algo a nunca ser alcançado pelo critério das verdades absolutas é tão etéreo como aventar a possiblidade de deus.

Só é negado que, tanto quanto podemos filtrar pelo entendimento e pelo efeito proposto, de fato nunca existiu.

A inércia niilista é um paradoxo que ao mesmo tempo que alega ser perda de tempo ou ineficaz julgar, moldar, etc. a realidade, criticando os "ismos" de quem molda, participa do "jogo" em que os "istas" se inserem.

Dificilmente você verá alguém dito niilista lutando para erradicar ideologias. Aqui, o que está sendo feito é apenas descrições de algumas implicações, e não propostas de alternativas, ou dizendo o que alguém deva fazer. Em sí, trata-se apenas de reflexões, como já deve ter ficado claro.

Na verdade, o niilista pelo que entendí não deveria criticar nenhuma posição filosófica, pois todas são filtros que tentam entender subjetivamente a realidade.

Não é feito, em nenhum momento, uma crítica positiva a nenhuma forma de pensamento. Basicamente, apenas entendimentos do que elas afirmam, e tentar perceber o que seria inócuo (o que de fato é eliminado no processo), do efetivo, o que tudo o que alguém de fato pode fazer (salvo se estiver defendendo algo). Claro que ninguém precisa abordar a realidade com a radicalidade do niilismo, mas, ao não fazermos isso de forma satisfatória, em algum nível, acabaremos creditando caracteristicas aos fatos aos quais eles não possuem. O niilismo nada mais seria, ao que posso perceber, um tipo de extremismo racional para entender o que quer que seja. E ele não deve ser encarado como um simbolo de racionalidade, apenas, ao meu entender, como um tipo de simbolização de uma conclusão. Diferentemente de uma ideologia, que se caracteriza com "ismos" e nos faz pensar dentro de seus moldes. O niilismo não promove nada, não obriga nada. Claro que, em alguma forma irrefletida, pode haver a possibilidade de alguém interpretar o niilismo como uma ideologia, como uma espécie de negação gratuita de tudo. Nesse caso, julgo, o niilismo seria uma ideologia. Basicamente, o que é feito é apenas reflexões sobre os fatos, aos quais, o niilismo sequer é sentido ou sequer pensado. Nunca sequer cometei sobre o niilismo diretamente em alguma conversa que tive, apenas esponho pensamentos (salvo se a pessoa em questão, se tiver conhecimento do assunto, chegue a comentar sobre niilismo, o que já me ocorreu raríssimas três vezes, pelo que me lembro).

É a mesma pessoa que se alega apolítica, e não percebe que isto é uma atitude/posição política.

Assim como ateísmo não é religião, no caso, ausência de política não seria uma. Claramente que essa trás uma mensão a uma posição em questão, logicamente, mas não se trata de uma postura ativa. No caso de política, eu apenas não trato do assunto (como nunca tratei), de forma a defender algum tipo de partido ou modelo. Basicamente, trato a questão com utilitarismo, não com inépsia ou ignorância. Se uma dada propósta bem fundamentada e não utópica é útil a um interesse, me é suficiente para ser favorável. Apenas não parece existir sentido algum em defender a todo o custo um tipo de modelo em detrimento do outro. Salvo se, por definição, for o modelo "perfeito" para algo que provavelmente não existirá consenso. Claro que também não significa que um dado modelo, apenas por não ser "perfeito", não seja digno (desde que seja funcional) de ser favorável a sua propósta. O que todos queremos de fato é a utilidade de suas propóstas. Quem quiser defender ativamente um modelo, fique à vontade, não parecer haver sentido direto algum nisso (relacionado a ideologia).

Como são partidos dominantes que elegem o regimento administrativo político, claramente que, somos forçados a interagir com essa realidade no segmento de partidos e não apenas de propostas. No caso, a opção mais racional seria escolher, dentre as opções, o que mais proporcionaria um cenário adminstrativo coerente e eficaz com o que é possível de se realizar com a meta de trazer benefícios a um todo. O que todo eleitor consciente deve fazer.

Esse tipo de atitude, é o que haveria para ser feito dentro do que é disponível, claro. A política nada mais é do que um sistema, uma forma de administrar uma sociedade de humanos que, de fato, não parecem ter como viverem satisfatoriamente se autogovernando. Por dedução, o niilismo tende a ser algo próximo do anarquismo, se considerarmos alguma atividade prática do mesmo. No entanto, julgo pelo comporamento humano que tal sistema de convivência parece ser utópico em uma sociedade massiva de habitantes (embora haja uma administração teoricamente passível de realização no anarquismo http://pt.wikipedia....wiki/Anarquismo No entanto, o que importa é sua utilidade, e não estou de forma algum defendendo-o, mas, caso essa prática fosse satisfatoriamente funcional, em função da liberdade humana, seria claramente bem vindo), consequentemente, não passando de uma dedução lógica com um sentido. Não havendo, aparentemente, condições de convivências massiva de seres humanos compatíveis com um gerenciamento individual. No caso, julgo que, se o objetivo for viver em sociedade, precisamos de governantes. Mas, tais só existiriam para reger um sistema, e não para serem vistos como algo "intrinsecamente necessário". Pois, claramente que há meios de existirmos sem governantes diretos, no entanto, julgo que apenas dentro de uma quantidade populacional razoável, e bem longe de creditar efeitos benéficos utópicos ao sistema. Essa liberdade como uma consequência do anarquismo, não me foi refletida, mas deduzo não ser efetiva, visto que o meio para alcançá-la, como é promovida, seria utópico, mas apenas uma dedução.

Em sí, não há necessidade de governantes, mas claramente que, se formos viver em sociedade pacifica, um tipo de gerenciamento é obviamente bem vindo para manter uma qualidade de vida satisfatória para a maioria. Além disso, estamos apenas abordando do ponto de vista do progresso, ignorando que, embora na prática já vivemos de forma mais desenvolvida, há outras formas de se viver (só diferenciando por sua qualidade a um todo ou a um interesse humano). Apensar de inadequadas ou regressivas a forma que já nos organizamos, não deixam de serem formas de existir. O fato a se apontar é simplesmente que inexistem formas absolutas de se exitir ou algo a qual todos devemos ser ou fazer. Tal não passa de uma implantação nossa. Se o objetivo for discutir qualidade ou, para quem tiver mais erudição no meio, as vantagens e desvantagens em um dado sistema político, fiquemos à vontade. Tais discuções, para tais objetivos, podem ser bem proveitosas. Agora, nenhuma delas, tratando do tema racionalmente, sequer poderá impor sua visão ou seu modelo como algo digno de ser reverênciado ou submetido. Tal trata-se apenas de um sistema, intrinsecamente desnecessário, mas, dentro de uma convivência, só é útil se o mesmo funcionar significativamente de acordo com o que promove, o que só a prática poderia esclarecer e apenas ela a ser base para argumentações.

Edit:

Alterações: Acréscimos.

Mudanças:

De:

"Por dedução, o niilismo tende a ser anarquista, se considerarmos alguma atividade prática do mesmo."

Para:

"Por dedução, o niilismo tende a ser algo próximo do anarquismo, se considerarmos alguma atividade prática do mesmo."

Editado por CIV
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CIV,

Sim, podemos nos comunicar diante da condição explicada por voce, pois se formos pensar em termos absolutos nada é passivo de ser objetivado por nós.

Sim, e, pelo que percebo, é nesse nível que consideramos como os fatos acontecem. Ao pensarmos em um fato (e não experimentá-lo), já consideramos a condição a nível "absoluto", ou seja, é possível fazer tal de tal forma, quando na verdade, o realizável seria um pouco mais reduzido do que isso. Agora, claramente que se temos uma noção que se corresponda dentro do que afirma, não há esse problema.

Contudo quando as "aproximações" subjetivas do real (comunicação, quimaduras por calor,etc)se repetem, podemos criar um "campo objetivo" de análise e parcialmente construir fatos pertinentes e significativos para nossa consciencia.

Quando pensamos que não temos acesso a objetividade, não se trata de tentarmos "alcançá-la". Trata-se de uma condição. Relacionamento que temos com os fatos sempre foi dentro de um modelo de representação (interpretação e percepção), basicamente, essa é a condição descrita. E tal não nos impede de interagir com os fatos.

Mas o que é existir?

Ao que percebo, é produzir, de alguma forma, uma influência.

Sobre a critica às ideologias, não estou me referindo a voce (voce nucna fez isso, na minha opinião) mas há textos do Cancian e um do Jairo que interpretei desta maneira, pois critica atitudes e reflexões subjetivas, com conotação filófica assumida, ou seja, se transforma e muma ideologia como voce bem colocou.

Bem, pessoalmente não cheguei a ler esses textos (é do deusnagaragem?), mas, é necessário interpretar certas abordagens corretamente. Muitas vezes, até para mim mesmo, pode-se ter uma impressão de que o niilismo está sendo passado como uma ideologia (como muitos devem ter essa impressão do que já foi escrito nesse tópico), quando na verdade, tratado de forma racional e imparcial, é simplesmente um entendimento qualquer (embora, a primeira vista, de aparência paradoxal e bastante confusa, embora diria ser simples de ser ponderada, apenas não parece ser algo que qualquer um esteja disposto a pensar, ou a fazer em nome da realidade). De fato, é possível, sim, tratar o niilismo como uma ideologia, ou com uma bitolação pela conclusão (o que as vezes ocorre comigo, no caso da falta de sentido objetivo), mas, tal ponto reside na ideia de uma irracionalidade que considera que existimos em um sistema mas que não pensamos nele. No caso da ausência de sentido, isso nada mais é do que uma conclusão tal como qualquer outra, não serve para nada intrinsecamente, e, se optamos por dar alguma função a isso, tal é algo que não é nada mais do que uma opção pessoal. No que se refere a conclusão, permanece a mesma, independentemente da incoerência com o sistema ou com crenças de outras pessoas. Essa situação apenas seria, na prática, uma afronta contra a maioria, e não um delírio. No entanto, pode tornar-se irracional no ponto onde damos mais atenção a ausência de sentido do que ao sentido que é crido, já que precisamos interagir com o mesmo, no entanto, dentro de uma incoerência a um "nível" mais fundamental.

Outro problema é que sendo uma racionaização, mesmo que radical, esta sujeita aos mesmos filtros da subjetividade que qualquer outra e ao negar a utiliadade da ação movida pela ideologia, atua também, revelando ser paradoxal.

Não compreendi bem seu raciocínio. O niilismo, claramente, trata-se de uma posição subjetiva, (isso é, um pensamento), mas não impõe nada para ser alvo do que ela mesma nega. Quanto a utilidade,, por definição, salvo como algum manifesto, nenhuma ideologia em sí tem qualquer utilidade. A utilidade de um sistema, ou de uma ação prática, não é parte integrante de uma ideologia. Ideologias são um conjuntos de pensamentos, e não, em sí, práticas ou expressões de realidades. Como disse acima, se pensamentos de uma ideologia (seja um sistema político, social, administrativo etc...) conseguem ser postas em prática, dentro de um dado cenário, é necessário separar o que de fato funciona, do que não passa de ficção, isso por sí só, é suficiente para dissociar, logicamente, o pensamento da prática. Se saimos do escopo do sistema, significa que não concordamos, ou não fazemos parte ativamente do mesmo. Claro que há divisões de um sistema base, alterando o pensamento do mesmo, e criando vertentes. No entanto, o sistema em sí, jamais poderá corresponder com a realidade do modo ao qual afirma. Seja por haver fatores corrompendo o mesmo, seja por de fato, não passar de uma ficção. O niilismo, nesse aspecto, fica muito restrito a definições, pelo que percebo, mas sua radicalidade, apensar de apenas ir contra a afirmação do entendimento do sistema, não o torna logicamente incorreto. No máximo, talvez, possa ter um efeito paralisante. No entanto, sua pretenção não é ser útil quanto a isso. Ele basicamente expressaria, nesse ponto, a ausência objetiva do entendimento proposto em praticamente todos os níveis quanto a uma projeção. Claro que isso nos é inútil, e desestimulante. Ora, sabemos que é possível colocarmos sistemas em prática em diversos cenários, e se houver problemas, basta solucioná-los, se possível. Mas, não se trata exatamente disso. Trata-se de percebermos que os ideais que vamos construindo, seja em qual cenário for, não irá se corresponder da forma como imaginamos quando expressos nos fatos. Isso porque, ideais são ideais. Não devemos confundir isso com teorias as quais ao processo é inverso. Vemos a realidade, e aprendemos com ela. No ideal, pensamos na realidade, e desejamos adequá-la ao que nos é de esperado. O ideal, necessariamente, reside no mundo das ideias. Se nos baseamos em fatos para utilizá-los, já não estamos mais paralisados pelo ideal. Se algum ideal é parcialmente correspondido nos fatos, esse é meramente por coincidência, e não por observação e planejamento.

Também julgo que devemos dissociar "ideal" de necessariamente vantajoso a um fim. Podemos ser idealistas de catástrofes sem problemas.

Sua escolha pelo utilitarismo (o ismo que li criticas nos textos de Cancian e Jairo) e a recusa de modelos imperfeitos e inócuos de modelos políticos é uma atitude politica, mesmo que voce negue.

É uma posição referênte a política, mas não se trata de política em sí. Como disse acima, exatamente como ateísmo não se trata de religião.

Uma definição de política, não muito precisa:

Politica

.f. Ciência do governo dos povos. / Direção de um Estado e determinação das formas de sua organização. / Conjunto dos negócios de Estado, maneira de os conduzir. / Fig. Maneira hábil de agir; astúcia; civilidade. // Ciência política, ramo das ciências sociais que trata do governo e da organização dos Estados.

Fonte: Dicionário aurélio

Não é a mesma coisa que ateímo e teísmo, pois a política está presente em toda relação/interação e não é uma opção possível, a não ser que voce não consiga racionalizar tais relações (loucos, acéfalos, comatosos, recem-nascidos).

A comparação é meramente por definição. Apolítico denota apenas ausência de política. Exatamente como ateísmo denota ausência de teísmo.

Apolitico

adj. e s.m. Que ou o que está fora da política; que não se interessa pela política.

Fonte: Dicionário aurélio

O que não concordo é alegar que usar nosso intelecto para criar "ismos" é improdutivo pois o até agora mostrados não foram eficientes (o que é verdade)por causa de uma fatalista "natureza essencial" da humanidade, uma vez que tal coisa não existe.

Não se trata de ser improdutivo, pois não estamos falando exatamente de produção ou de resultados, mas sim, de que tais ideais não representarem nada, basicamente isso. Um dado modelo de convivência que seja, o máximo que oferece é funcionalidade, e essa é necessariamente precisa estar aliada aos fatos e a realidade do mesmo, e não ao que acreditamos. Não estamos tratando de improdutividade e nem mesmo definindo um fim para seus efeitos, ou o que eles deveriam cumprir para serem negados. Apenas estamos tratando da inocuidade de ideologias (adotando a definição correta), quais forem. Pode parecer imbecil ou paradoxal pois, ficamos procurando respaldo em funcionalidade para fundamentar a aceitação de ideologias ou crenças, mas, não se trata disso. Um ideal, o máximo que pode produzir, em sua condição, é estímulo e essa é uma desvantagem prática para quem o nega de imediato. Mas, não nos paralisa, pois não nos guiamos por ideais, e sim por fatos, tais como podemos percebê-los. Logicamente que não significa que ideais não possam passar por nossas cabeças, ou que estamos imunes de nos motivar por eles, apenas significa que não vemos importância alguma nisso, pois a inocuidade inerente de seus efeitos nos desmotiva de imediato. Se buscamos alguma motivação, essa primeiramente deve ser buscada em algum fato concreto, para depois ser pensada e trabalhada, já que, no ideal, o processo é o inverso.

Além disso, como já foi dito, não vejo sentido algum, ao menos que haja necessariamente uma conexão lógica sustentando o sistema, de acomodar ideologias dentro dessas conexões lógicas. Isso pois, elas se sustentam por sí só, não precisam de valores pomposos para suas decorações. Se algo, efetivamente, funciona, é suficiente para calar toda e qualquer manifestação contra sua existência.

Alteração: Acréscimo de texto/correção

Editado por CIV
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