Rickverso

A parábola do velho do forte e a filosofia taoista

17 posts neste tópico

“Um velho vivia com seu Filho em um forte abandonado, ao alto de um monte, e um dia perdeu um cavalo. Os vizinhos vieram-lhe expressar seu pesar por aquele infortúnio, e o Velho perguntou:

- Como sabeis que é má sorte?

Poucos dias mais tarde voltou seu cavalo com um bando de cavalos selvagens, e vieram os vizinhos felicitá-lo por sua boa sorte, e o Velho respondeu:

- Como sabeis que é boa sorte?

Com tantas montarias a seu alcance, começou o Filho a cavalgá-las, e um dia quebrou uma perna. Vieram os vizinhos apresentar-lhes condolências, e o Velho respondeu:

- Como sabeis que é má sorte?

No ano seguinte houve uma guerra, e como o Filho do Velho era agora inválido, não teve de ir para a frente.” (Lieh-tsé)

A autoria dessa parábola é atribuída o filósofo chinês Lieh-tsé (c. 300 a. C.), que pertencia à escola filosófica taoista. Podemos perceber que sua mensagem guarda certa semelhança com aspectos da visão estoica a respeito dos acontecimentos e de como se conduz a pessoa sábia. Você concorda com essa afirmação? Justifique.

 

 

 

Sim. O filho do velho estaria com uma destinado para não ir à guerra, que é o seu amor fati, porquanto foi graças ao cavalo por ter quebrado a sua perna.

1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
3 horas atrás, Rickverso disse:

Podemos perceber que sua mensagem guarda certa semelhança com aspectos da visão estoica a respeito dos acontecimentos e de como se conduz a pessoa sábia. Você concorda com essa afirmação? Justifique.

Sim. Não existe sorte nem azar. Existe acaso, aleatoriedade. Os humanos que julgam algo bom (atende seus interesses) ou ruim (contraria seus interesses). Mas na verdade, fatos aleatórios acontecem o tempo todo e podem prejudicar ou beneficiar, sem nenhum "plano" prévio ou "inteligência" prévia que o torne favorável ou prejudicial. Ridículo atribuir ao universo intenções a nosso favor ou contra nós.

2

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

 

4 horas atrás, Rickverso disse:

“Um velho vivia com seu Filho em um forte abandonado, ao alto de um monte, e um dia perdeu um cavalo. Os vizinhos vieram-lhe expressar seu pesar por aquele infortúnio, e o Velho perguntou:

- Como sabeis que é má sorte?

Poucos dias mais tarde voltou seu cavalo com um bando de cavalos selvagens, e vieram os vizinhos felicitá-lo por sua boa sorte, e o Velho respondeu:

- Como sabeis que é boa sorte?

Com tantas montarias a seu alcance, começou o Filho a cavalgá-las, e um dia quebrou uma perna. Vieram os vizinhos apresentar-lhes condolências, e o Velho respondeu:

- Como sabeis que é má sorte?

No ano seguinte houve uma guerra, e como o Filho do Velho era agora inválido, não teve de ir para a frente.” (Lieh-tsé)

A autoria dessa parábola é atribuída o filósofo chinês Lieh-tsé (c. 300 a. C.), que pertencia à escola filosófica taoista. Podemos perceber que sua mensagem guarda certa semelhança com aspectos da visão estoica a respeito dos acontecimentos e de como se conduz a pessoa sábia. Você concorda com essa afirmação? Justifique.

Minha resposta: Sim. O filho do velho estaria com uma pré-destinação para não ir à guerra, que é o seu amor fati, porquanto foi graças ao cavalo por ter quebrado a sua perna. 

Gostei do texto. Só não pontuei pq essa "pré-destinação" estragou tudo. 

1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
1 hora atrás, Ypatia de Alexandria disse:

Sim. Não existe sorte nem azar. Existe acaso, aleatoriedade. Os humanos que julgam algo bom (atende seus interesses) ou ruim (contraria seus interesses). Mas na verdade, fatos aleatórios acontecem o tempo todo e podem prejudicar ou beneficiar, sem nenhum "plano" prévio ou "inteligência" prévia que o torne favorável ou prejudicial. Ridículo atribuir ao universo intenções a nosso favor ou contra nós.

Concordo. Mas existem acasos que nos beneficiam (e a isso chamamos sorte), e acaso que nos prejudicam (a isso chamamos sorte). Deste modo, "azar" e "sorte" não vão de encontro a causalidade/casualidade, pois residem/existem dentro da subjetividade; tal como "bom" e "mau".

O outro ponto da questão é o fato de que o que nos beneficia num dado momento poder nos prejudicar em outro. E o problema desta questão é nossa incapacidade de prever o futuro, como tb de o próprio futuro, em tese, não existir. Ora, sendo assim, me parece justo assumir uma condição como sendo "sorte" ou "azar". 

 

2

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
11 horas atrás, Membro Fantasma disse:

Concordo. Mas existem acasos que nos beneficiam (e a isso chamamos sorte), e acaso que nos prejudicam (a isso chamamos sorte). Deste modo, "azar" e "sorte" não vão de encontro a causalidade/casualidade, pois residem/existem dentro da subjetividade; tal como "bom" e "mau".

O outro ponto da questão é o fato de que o que nos beneficia num dado momento poder nos prejudicar em outro. E o problema desta questão é nossa incapacidade de prever o futuro, como tb de o próprio futuro, em tese, não existir. Ora, sendo assim, me parece justo assumir uma condição como sendo "sorte" ou "azar". 

Isso é uma questão semântica e cultural. Na minha região, quando o povão diz "sorte" isso é praticamente sinônimo de "benção de Deus (sic)". Quando dizem "azar" é algo muito próximo a "mau-olhado", "vento virado" ou "olho gordo" (ou seja, tem alguém agourando, tem feitiçaria no pedaço), tanto que dizem "azar" e na mesma hora se benzem rápida e furtivamente. Aqui, sorte como sinônimo de bem e azar é sinônimo de mal é algo subentendido. Talvez seja diferente em outros lugares. Bom saber.

0

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Pois é. Me parece que o autor do tópico, ao dizer "pré-determinação", usou o termo "sorte" e "azar" desse jeito que você mencionou, algo como "destino". Se entendido dessa forma, realmente, sorte e azar não existem.

0

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Mas isto acontece com todos o tempo todo, só que não ficamos sabendo quando somos “salvos” ou “condenados”. Um motoqueiro que  morre num cruzamento qualquer colidindo com um carro que passou pela preferencial sem parar não teria morrido se ao sair de casa tivesse gasto mais um segundo antes de dar a partida na moto (pra coçar o ouvido, por exemplo). 

1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Muit obrigado a todos!

O que eu poderia ter usado no lugar de pré-destinação? Me baseei no amor fati, que faz parte da Filosofia estoica. Por isso eu botei como "pré-destinação". Então, eu poderia ter botado o que por exemplo?

0

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
18 horas atrás, Membro Fantasma disse:

Concordo. Mas existem acasos que nos beneficiam (e a isso chamamos sorte), e acaso que nos prejudicam (a isso chamamos sorte). Deste modo, "azar" e "sorte" não vão de encontro a causalidade/casualidade, pois residem/existem dentro da subjetividade; tal como "bom" e "mau".

O outro ponto da questão é o fato de que o que nos beneficia num dado momento poder nos prejudicar em outro. E o problema desta questão é nossa incapacidade de prever o futuro, como tb de o próprio futuro, em tese, não existir. Ora, sendo assim, me parece justo assumir uma condição como sendo "sorte" ou "azar". 

 

Eu pensei no predestinado (acho que é assim, segundo a nova regra ortográfica). Porque em inglês nós temos duas palavras para destino, que é destiny e o fate. O destiny significa um destino que você vai planejar pra você, enquanto o fate é uma coisa que você já nasceu pra ser, por isso eu tinha botado "pré-destinado", mas eu acho que o correto é predestinado.

0

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
1 hora atrás, Rickverso disse:

Então, eu poderia ter botado o que por exemplo?

"Pré-destinado" e "predestinado" só comportam ser encarados pelo lado místico. "Destino", se se aplicado para coisas incertas, vai dar no mesmo que "predestino". Ex: posse dizer "seu destino foi trágico" ou "seu destino foi trabalhar"; tais frases não são místicas, pois são apenas juízo de valor e de fato. Agora, seu eu disser: "você está destinado a ser um famoso doutrinador", seria o mesmo que dizer "predestinado", que é algo puramente fantasioso, já que o futuro é incerto. Talvez a única coisa que possamos dizer com segurança sobre o futuro é: "você está destinado a morrer". 

Amor fati, se não me engano, quer dizer apenas aceitar com resignação o que nos acontece. Desta forma, não encarando os acontecimentos como sorte ou azar, mas apenas como coisas que tinham que ser dado o acaso e a causalidade. Schopenhauer diz algo parecido, algo como, tudo que aconteceu tinha que acontecer, não porque estava predestinado, mas simplesmente pq tudo levou a ser como foi. Em outras palavras: vc não pode mudar o que já aconteceu, então aceita!.

1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Em 06/12/2017 at 23:22, Membro Fantasma disse:

Gostei do texto. Só não pontuei pq essa "pré-destinação" estragou tudo. 

Ahhh, eu já sei ... É o problema da tal liberdade. :P

Pagode tbm é philosofia. :D

 

0

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Em 06/12/2017 at 18:41, Rickverso disse:

“Um velho vivia com seu Filho em um forte abandonado, ao alto de um monte, e um dia perdeu um cavalo. Os vizinhos vieram-lhe expressar seu pesar por aquele infortúnio, e o Velho perguntou:

- Como sabeis que é má sorte?

Poucos dias mais tarde voltou seu cavalo com um bando de cavalos selvagens, e vieram os vizinhos felicitá-lo por sua boa sorte, e o Velho respondeu:

- Como sabeis que é boa sorte?

Com tantas montarias a seu alcance, começou o Filho a cavalgá-las, e um dia quebrou uma perna. Vieram os vizinhos apresentar-lhes condolências, e o Velho respondeu:

- Como sabeis que é má sorte?

No ano seguinte houve uma guerra, e como o Filho do Velho era agora inválido, não teve de ir para a frente.” (Lieh-tsé)

A autoria dessa parábola é atribuída o filósofo chinês Lieh-tsé (c. 300 a. C.), que pertencia à escola filosófica taoista. Podemos perceber que sua mensagem guarda certa semelhança com aspectos da visão estoica a respeito dos acontecimentos e de como se conduz a pessoa sábia. Você concorda com essa afirmação? Justifique.

Sim. O filho do velho estaria com uma destinado para não ir à guerra, que é o seu amor fati, porquanto foi graças ao cavalo por ter quebrado a sua perna.

Talvez em um outro universo paralelo, o cavalo não voltou pra casa, ele não quebrou a perna, foi convocado pra guerra e morreu numa rajada de metralhadora. Morreu como herói, condecorado pela Pária em vez de morrer velho, doente e aleijado. :P

Moral da história: "Na casa de Papai Noel há muitas moradas" ... É melhor dar azar do q a zé. :D 

Som na caixa.

 

0

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
1 hora atrás, Ricardo Sandre disse:

Ahhh, eu já sei ... É o problema da tal liberdade. :P

Pagode tbm é philosofia. :D

hehe, pagode é uma das muitas evidências de que vivemos no INFERNO!!!!!!!

0

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Em 06/12/2017 at 18:41, Rickverso disse:

Sim. O filho do velho estaria com uma destinado para não ir à guerra, que é o seu amor fati, porquanto foi graças ao cavalo por ter quebrado a sua perna.

Posso aceitar que exista eventos que consideremos importantes dentre milhões que ocorrem, mas não existe nada ai além da possibilidade de ocorrerem. Seria o mesmo que achar que um asteroide estaria destinado a terra somente por ter caído nela, algo absurdo de pensar, existem um número desconhecido de objetos no nosso sistema solar e eventualmente um irá cruzar nosso caminho.

Assim como podemos traçar a rota dos asteroides, podemos traça a rota de eventos, que de aleatórios não tem nada, todos ocorrem seguindo as leis da física e química, tanto as que conhecemos, quanto a que desconhecemos. Até mesmo nosso padrão de pensamento obedece a química e se bem analisados pode-se antecipar quase qualquer padrão de comportamento.

Estava vendo uma reportagem da disputa entre o OpenAi (de uma companhia de Elon Musk) e jogadores profissionais de dota 2, um jogo muito mais complexo que xadrez, aonde jogadores humanos levam em média 2 anos para atingirem o nível profissional de disputa, a I.A. levou 6 meses para aprender sozinha. Em certo momento ela começou a fazer as próprias estratégias, como agir de forma irracional deixando-se atingir mais vezes, mas isso porque ela percebeu que jogadores humanos quando vêem um inimigo em dificuldades agem de forma mais imprudente para tentar eliminar ele rápido e dai ela conseguia armar uma armadilha para vence-los. Demonstrando de forma categórica que somos também muito previsíveis.

Esse é só um exemplo de que aquilo que chamamos de destino é somente as coisas acontecendo como tem que acontecer e humanos escolhendo alguns eventos para dar significado especial.

0

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
10 minutos atrás, Membro Fantasma disse:

hehe, pagode é uma das muitas evidências de que vivemos no INFERNO!!!!!!!

Filosofia é uma das muitas evidências de que vivemos no INFERNO!!!!!!!

Inferno são os outros egos. :D

0

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisar ser um membro para fazer um comentário

Criar uma conta

Crie uma nova conta em nossa comunidade. É fácil!


Crie uma nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.


Entrar Agora