Livia

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Sobre Livia

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    Curitiba - PR
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    música, psicanálise e filosofia.

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  1. Esse mundo suspenso de lembranças, não? Leminski tem um verso que se entrega bem, digo que de maneira sutil, quase como um artesanato de feirinhas: tudo que duramente passa tudo que passageiramente dura tudo, tudo, tudo não passa de caricatura de você, minha amargura, de ver que viver não tem cura
  2. A filosofia muito se deu a interpretar a abordagem da estética e do belo, pois nestes é que, assim como nos ritos, se findam as ideias. Os atos extinguem-se, o gesto da eternidade subsiste vazio de sua essência, mas ainda transcende na expectativa da imaginação e das ideias. Na eternidade, não há mais ação ou ocultismos materialistas, que sempre disfarçam o absoluto, o infinito, a própria verdade, mas um âmago poético real a agitar-se por trás da rejeição de si. Quantas vezes não nos rejeitamos pela consider[ação] do absurdo? Pois esse absurdo existe no silêncio, no escuro, no estado primordialmente humano o qual nomeamos de sofrimento, aliás é no sofrimento que se impele a pureza extrema da ação, este grito das ideias abissais. Escreve Oscar Wilde: ''Nós denominamos nossa época utilitarista e não existe uma coisa única de que não ignoremos o emprego. Esquecemos que a água pode limpar, o fogo purificar, e a terra é a nossa mãe comum. Consequentemente, a nossa arte não tem brilho, como a lua que brinca com as sombras, enquanto a arte grega possui o esplendor do sol trata diretamente das coisas. Creio firmemente no poder purificador das forças elementares e quero voltar a elas e viver em sua presença.'' A crença moderna sobre a verdade baseia-se em mitos mecânicos, não há mais natureza, imagens e forças; vive-se estagnado ao que se há, fantasmas psicológicos enaltecidos pela concretude, pois este aparentemente funciona. Ao que se é, deixa-se por enferrujar a própria essência. E parece-me, cada vez mais, que a metafísica torna-se apenas uma maneira de afirmar uma filosofia em seu íntimo exclusivamente concreta, como um zênite utilitário para comprovar o transitório. Eu grito de meu abismo, o abismo dos silêncios.
  3. Quem toca-nos, breve sonho. Extinguem-se as lembranças dos dias claros, as vozes, cantos, palavras, passagens, e repousa, à sua suntuosa e hermética lógica, a eternidade a lograr apenas o absurdo de seus filhos. Em seu trono inexistente, desemboca o vazio, um raro tormento diante da luz. Meu corpo é sopro; meu sangue, efetivo limiar da miséria e agonia. Os ventos tornam-se falsos, germinam as mentiras e as flores do paraíso com seus odores nauseantes e estúpidos. Mas na vertigem dos sóis, os abismos dilapidam continuamente os campos iluminados. Abismo escuro, não vejo teu fim. Abismo de ímpeto, não ouço o eco de meus gritos. Abismo do fundo dos olhos, tenho em meu espírito a tua noite. Abismo sacrificial, tuas forças sombrias embebem meus atos ao medo. Não há descrição que não ao firmamento de toda a verdade. Propósito da dissipação dos mistérios, eis a eternidade. Ei-la infinitamente.