Marcia Helena

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Sobre Marcia Helena

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  • Data de Nascimento 11-02-1984

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    Rio de Janeiro
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    Eu gosto de Física, astronomia e música.

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  1. Existe corrupção, e a causa está na estrutura, isto é, na forma como uma instituição pública ou estatal se organiza, e se relaciona com entidades privadas e é fiscalizada pelos mesmos órgãos públicos, agências, etc. A corrupção deve ser uma preocupação constante da sociedade quando se desenha em uma estrutura organizacional. Se tal não ocorre, então ela surge. O que é corrupção? O termo “corrupção” deriva de algo próximo a estragar, decompor, fragmentar a ponto de descaracterizar o objeto. Também descreve a decomposição da personalidade do indivíduo, a má fé, a falta de autenticidade, a falsa consciência permitindo que um indivíduo adote valores antagônicos aos da sociedade, conforme a conveniência da situação, embora ele tenha consciência de seus atos que causam a lesão das instituições públicas. O erro de conduta não vem da ignorância, do desconhecimento, ou mau entendimento, mas da sua má fé. O corrupto é quem sustenta uma determinada conduta “ética”, no geral, e realiza outra ética, antagônica à primeira, em favor de seus interesses particulares e privados em detrimento dos interesses sociais e coletivos. Como o cidadão que critica os “políticos” corruptos, mas tenta não pagar impostos. Ou o que critica o nepotismo, mas ao mesmo tempo em que fura a fila do engarrafamento, pelo acostamento, ou tenta subornar o guarda de trânsito para se livrar de uma multa por infração no trânsito e perdas de pontos na carta de motorista. Mas como a corrupção se legitima? Essas práticas só existem por resultado de uma “racionalização”. A corrupção se apresenta como uma prática de mercado “eficiente e empreendedora”, capaz de tornar mais ágil a administração. Do mesmo modo que o motorista que fura a fila do trânsito pelo acostamento que acredita ganhar vantagem pessoal. No entanto, é um argumento medíocre o da legitimação da corrupção pela eficiência. De fato, ela apenas onera as estruturas produtivas no geral. A “autonomia técnico-gerencial” de legitimação dos interesses econômicos é o ambiente fecundo para a corrupção, pois é o de menor controle social e político possível. Uma estratégia corriqueira da corrupção, descrita pelos organismos internacionais que estudam e combatem o fenômeno, é que a corrupção está relacionada sempre a reivindicação de maior autonomia possível e centralização para o gerenciamento da administração pública e estatal, de forma a que as opções possam ser apresentadas como “eminentemente técnicas”, dentro de uma racionalidade deficiente. Por isso, o preenchimento de cargos por critérios exclusivamente “técnicos” se situa no exato oposto do combate à corrupção. A capacidade técnica dos ocupantes de cargos de nomeação é tão importante quanto o compromisso para com a publicidade e transparência de suas decisões. Razões de ordem “técnica” não podem ter autonomia absoluta. A ponderação e compartilhamento das decisões são sempre necessários, e o controle político da sociedade é indispensável. Em termos de “falsa consciência”, a corrupção tem raízes na racionalização que falseia a realidade, para justificar as próprias ações e condutas. No mundo do trabalho, onde opera a corrupção, a falsa consciência que se combina com dois mecanismos, ou seja, o empobrecimento da razão e a artificial separação ideológica entre o “mundo do trabalho”, e “o mundo da vida”, pregada pela ideologia capitalista. Empobrecer a razão significa, reduzi-la aos aspectos puramente pragmáticos e instrumentais. Como se a razão pudesse construir armas de destruição em massa capazes de destruir a humanidade, mas não questionar o seu uso. Ou, no mundo industrial, em construir novos equipamentos e maquinários “modernos” cada vez mais produtivos, com sistemas de segurança cada vez menos eficientes. O capitalismo reserva para a razão o papel do cavalo que puxa a carroça, com viseiras de burro para não se distrair e não saber questionar a irracionalidade do sistema. Ao apartar vida e trabalho, o empregado passa a ser um número, uma peça descartável e substituível. Se ele tem família, se vive do trabalho, isso não interessa. Há resistência, e as crianças ainda afirmam na escola que “meu pai é motorista”, “carteiro”, “advogado”, “médico”, “professor”, "pedreiro", etc. Mas o efeito concreto da lógica dos “mundos separados” é criar uma "moral no trabalho", e outra na vida privada. Podemos dar o exemplo do profissional de segurança no trabalho ou um inspetor que assinam documentos públicos para não desagradar os interesses financeiros da empresa em que trabalham, atestando uma situação sabidamente mentirosa, que envolve perigo e insegurança no trabalho e que depois vai para a escola exigir que a van dos filhos tenha cintos e air-bags. Mas o pior é quando essa conduta dividida se manifesta nas escolhas coletivas que são as eleições. São os efeitos máximos dos “dois eus”. Projetando esse pensamento na esfera pública, o raciocínio bipartido faz com que o eleitor queira se opor aos “escândalos” de corrupção da revista Veja, do Estadão e do jornal O Globo, escolhendo candidato que bate em mulher, ou que tem por hábito o consumo de substâncias “heterodoxas” ilícitas. Um “eu” critica o que supostamente seja o erro básico da sociedade, enquanto o outro “eu” faz escolhas antagônicas ao primeiro movimento. Qual seria o lugar da corrupção, nisso tudo?