autor: Emil M. Cioran

 
  •   26/03/2011
    Quando se chega ao limite do monólogo, aos confins da solidão, inventa-se — na falta de outro interlocutor — Deus, pretexto supremo de diálogo. Enquanto o nomeias, tua demência está bem disfarçada e... tudo te é permitido. O verdadeiro crente mal se distingue do louco; mas sua loucura é ...
  •   11/06/2010
    Vi este perseguir tal meta e aquele tal outra; vi os homens fascinados por objetos díspares, sob o encanto de projetos e de sonhos ao mesmo tempo vis e indefiníveis. Analisando cada caso isoladamente para descobrir as razões de tanto fervor desperdiçado, compreendi o sem-sentido de todo gesto e ...
  •   22/08/2009
    É preciso uma considerável dose de inconsciência para entregar-se sem reservas a qualquer coisa. Os crentes, os apaixonados, os discípulos, só percebem uma face de suas deidades, de seus ídolos, de seus mestres. O entusiasta permanece inelutavelmente ingênuo. Há sentimento puro onde a ...
  •   14/04/2012
    Não é mim a quem corresponde, caro amigo, emitir um julgamento sobre um livro do qual sou objeto. Saibas, contudo, que tua tentativa de captar desde o âmago de minha maneira ver as coisas, iluminou-me sobre numerosos detalhes, sobre numerosas ilusões surgidas do êxtase ou da negação, e que, ...
  •   08/07/2012
    P.: Sempre me chamou a atenção que, apesar de teu tom pessimista, teus livros sempre contêm algo parecido com a alegria, o humor, uma espécie de alacridade na demolição. R.: Sabes tu por quê? Porque, para mim, escrever é uma terapia, exatamente isso. Escrevi para curar-me. O primeiro livro ...
  •   23/05/2010
    Em si mesma toda ideia é neutra ou deveria sê-lo, mas o homem a anima, projeta nela suas paixões e suas demências; impura, transformada em crença, se insere no tempo, adota a forma de acontecimento: o passo da lógica para a epilepsia está consumado... Assim nascem as ideologias, as doutrinas ...
  •   17/07/2010
    Em todo homem dorme um profeta, e quando ele acorda há um pouco mais de mal no mundo... A loucura de pregar está tão enraizada em nós que emerge de profundidades desconhecidas ao instinto de conservação. Cada um espera seu momento para propor algo: não importa o quê. Tem uma voz: isto ...
  •   18/03/2011
    A história universal não é senão uma recorrência de catástrofes em direção a uma catástrofe final.
  •   09/05/2009
    Respiro por preconceito. E contemplo o espasmo das ideias, enquanto que o Vazio sorri a si mesmo... Não há mais suor no espaço, não há mais vida; a menor vulgaridade a fará reaparecer: basta um segundo de espera. Quando se percebe existir, experimenta-se a sensação de um demente ...
  •   02/03/2000
    “Não consigo tirar de minhas pálpebras a fadiga dos povos completamente esquecidos” Hugo von Hofmannsthal Uma civilização começa a decair a partir do momento em que a Vida torna-se sua única obsessão. As épocas de apogeu cultivam os valores por si mesmos: a vida é apenas um meio de ...