| A época das imagens de mundo |
| “Com a metafísica se consuma uma reflexão sobre a essência do ente e uma decisão sobre a essência da verdade. A metafísica funda uma época, na medida em que lhe concede o fundamento da sua configuração essencial através de uma interpretação específica do ente e de uma acepção específica da verdade. Este fundamento governa todas as manifestações que caracterizam uma época. Reciprocamente, é preciso que o fundamento metafísico possa ser reconhecido nestas manifestações, para que haja uma reflexão apropriada sobre elas. A reflexão é a coragem de tornar dignos de questionamento, no mais alto grau, a verdade das próprias premissas e o âmbito dos próprios propósitos.” |
| Autor: Martin Heidegger |
№ de páginas: 17 |
| A Filosofia e a Visão Comum do Mundo |
| “Mas a filosofia se pode agora fazer, porque ela dispõe de um fundamento firme. Não tem que procurar por certezas e evidências primeiras, porque as tem em seu ponto de partida. Não perseguirá no ar o que tem como chão: o solo não se inventa, mas sobre ele se caminha. Não sairá à busca de critérios para legitimar o seu discurso, na medida em que este imediatamente se legitima, enquanto expressão do reconhecimento do Mundo.” |
| Autor: Oswaldo Porchat |
№ de páginas: 23 |
| A Filosofia entre a Religião e a Ciência |
| “A filosofia, conforme entendo a palavra, é algo intermediário entre a teologia e a ciência. Como a teologia, consiste de especulações sobre assuntos a que o conhecimento exato não conseguiu até agora chegar, mas, como ciência, apela mais à razão humana do que à autoridade, seja esta a da tradição ou a da revelação. Todo conhecimento definido – eu o afirmaria – pertence à ciência; e todo dogma quanto ao que ultrapassa o conhecimento definido, pertence à teologia. Mas entre a teologia e a ciência existe uma Terra de Ninguém, exposta aos ataques de ambos os campos: essa Terra de Ninguém é a filosofia.” |
| Autor: Bertrand Russell |
№ de páginas: 7 |
| A morte a a dor |
| “Quem deseja, sofre; quem vive, deseja; a vida é dor. Quanto mais elevado é o espírito do homem, mais sofre. A vida não é mais do que uma luta pela existência com a certeza de sermos vencidos. A vida é uma incessante e cruel caçada onde, às vezes como caçadores, outras como caça, disputamos em horrível carnificina os restos da presa. A vida é uma história da dor, que se resume assim: sem motivo queremos sofrer e lutar sempre, morrer logo, e assim consecutivamente durante séculos dos séculos, até que a Terra se desfaça.” |
| Autor: Arthur Schopenhauer |
№ de páginas: 9 |
| A Natureza da Atividade Filosófica |
| “A atividade filosófica é sui generis. Parecemos viver muito bem sem ela. Aprendemos e ensinamos, trabalhamos, ouvimos música, vamos à praia e podemos construir nossas vidas com planos de sucesso e estabilidade financeira sem nos deixarmos envolver pelo discurso e pelos problemas filosóficos. Na verdade, os problemas filosóficos normalmente nos deixam incomodados, mal humorados, ansiosos. Isso porque, como normalmente ocorre, ao tentar resolvê-los, deparamo-nos com outros problemas que até então não havíamos considerado. A filosofia parece ser não apenas desnecessária para o bem viver; ela parece ser incompatível com a idéia de uma vida tranqüila. Somando-se a isso, devemos considerar o caráter abstrato da atividade filosófica. Por lidar com problemas distantes da vida comum, o filósofo é considerado freqüentemente uma pessoa destacada da realidade, perdido em especulações inúteis, alheio aos problemas que a vida diária se lhe impõem.” |
| Autor: Marco Antonio Franciotti |
№ de páginas: 6 |
| Aforismos para a Sabedoria de Vida |
| “Nestas páginas falo da sabedoria de vida no sentido imanente, como a arte de percorrer a vida do modo mais agradável e feliz possível; as instruções para isso também podem ser denominadas eudemonologia, pois ensinam como ter uma existência feliz. Tal existência talvez possa ser definida como uma que, vista de uma perspectiva puramente objetiva, ou após uma reflexão fria e madura – pois a questão necessariamente envolve considerações subjetivas –, seria sem dúvida preferível à não-existência; implicando que devemos nos apegar a esta por si mesma, e não apenas pelo medo da morte; assim, que gostaríamos de vê-la durar para sempre. Se a vida humana corresponde, ou poderia corresponder, a tal concepção de existência, é uma questão que, como sabemos, é respondida negativamente pela minha filosofia; entretanto, na eudemonologia, deve ser respondida afirmativamente.” |
| Autor: Arthur Schopenhauer |
№ de páginas: 100 |
| Alma |
| “É um termo vago, indeterminado, que expressa um princípio desconhecido, porém de efeitos conhecidos que sentimos em nós mesmos. A palavra alma corresponde à animu dos latinos, à palavra que usam todas as nações para expressar o que não compreendem mais que nós. No sentido próprio e literal do latim e das línguas que dele derivam, significa ‘o que anima’. Por isso se diz: A alma dos homens, dos animais e das plantas, para significar seu princípio de vegetação e de vida. Ao pronunciar esta palavra, só nos dá uma idéia confusa, como quando se diz no Gênesis: ‘Deus soprou no rosto do homem um sopro de vida, e se converteu em alma vivente, a alma dos animais está no sangue, não mateis, pois, sua alma.’” |
| Autor: Voltaire |
№ de páginas: 19 |
| Assim Falava Zaratustra |
| “Agora, meus discípulos, vou-me embora sozinho! Ide-vos, vós outros, sozinhos também! Assim o quero. Com toda a sinceridade vos dou este conselho: Afastai-vos de mim e precavei-vos contra Zaratustra! Melhor ainda: envergonhai-vos dele! Talvez vos haja enganado! O homem que reflexiona não só deve amar os seus inimigos, mas também odiar os seus amigos. Mal corresponde ao mestre aquele que nunca passa de discípulo. E por que não quereis arrancar a minha coroa? Venerais-me! Mas, que sucederia se uma vez caísse a vossa veneração? Cuidado, não vos esmague uma estátua! Dizeis que creis em Zaratustra? Vós sois crentes em mim; mas, que importam todos os crentes?! Vós ainda vos haveis procurado; encontrastes-me então. Assim fazem todos os crentes: por isso a fé é tão pouca coisa.” |
| Autor: Friedrich Nietzsche |
№ de páginas: 202 |
| Aparência e Realidade |
| “Vimos que, se investigarmos um objeto vulgar, do gênero que os sentidos conhecem, o que os sentidos imediatamente nos dizem não é a verdade acerca do objeto em si mesmo, mas apenas a verdade acerca de determinados dados dos sentidos que, tanto quanto podemos ver, dependem das relações entre nós e o objeto. Por conseqüência, o que vemos e sentimos diretamente é apenas uma ‘aparência', que acreditamos ser o sinal de uma 'realidade' escondida.” |
| Autor: Bertrand Russell |
№ de páginas: 4 |
| Como a ciência evolui? |
| “Desta maneira, a conjectura de que o objetivo da ciência é encontrar explicações satisfatórias conduz-nos à idéia de melhorar o grau com que as explicações são satisfatórias melhorando o seu grau de testabilidade; isto significa avançar para teorias com um conteúdo cada vez mais rico e com graus de universalidade e de precisão cada vez mais elevados. Isto está, sem dúvida, inteiramente de acordo com a prática efetiva das ciências teóricas.” |
| Autor: Karl Popper |
№ de páginas: 2 |
| Como é a Filosofia Analítica Possível? |
| “Pouco antes do início do presente século, deu-se um episódio digno de nota em Viena. Em 1894, a Universidade encomendou a Gustav Klimt uma série de painéis que descrevessem o triunfo da luz sobre as trevas. O primeiro painel, concluído por Klimt em 1900, representava a Filosofia. Os Lentes esperavam, claro, qualquer coisa como a descrição rafaelina da escola de Atenas: Platão e Aristóteles, e talvez Galileu, Hume, Kant e Mach, dissertando gravemente perante uma multidão convenientemente impressionada que assistia e aprendia. Um tal painel confirmaria a natureza racional e esclarecedora da filosofia e celebraria o seu reconhecido papel social. Mas Klimt, fortemente influenciado por Schopenhauer, Wagner e Nietzsche, acabou por apresentar uma tenebrosa representação do Vazio no qual a humanidade turbulenta vagueia sob o jugo todo-poderoso da Paixão e da Vontade, não tendo o Conhecimento, representado por uma Esfinge de formas bastante vagas e por uma inflexível figura de Medusa, claramente nenhum efeito no resto dos trabalhos.” |
| Autor: Simon Blackburn |
№ de páginas: 13 |
| Como é ser um morcego? |
| “A consciência é o que torna o problema mente-corpo realmente intratável. Talvez seja por isso que as discussões atuais do problema dão a ela pouca atenção, ou a abordam de modo obviamente errado. A recente onda de euforia reducionista vem produzindo várias análises dos fenômenos e dos conceitos mentais, construídas para explicar a possibilidade de alguma variedade de materialismo, identificação psicofísica ou redução. Mas os problemas com que elas lidam são aqueles comuns a esse ou a outros tipos de redução. E ignora-se o que faz o problema mente-corpo único e diferente do problema água-H2O, ou do problema máquina de Turing-máquina da IBM, ou do problema raio-descarga elétrica, ou do problema gene-DNA, ou do problema carvalho-hidrocarbono.” |
| Autor: Thomas Nagel |
№ de páginas: 10 |
| Como se tornar um homem de gênio |
| “Se há entre os meus leitores jovens que aspiram tornar-se líderes do pensamento da sua geração, espero que evitem certos erros em que caí quando era novo por falta de bons conselhos. Quando desejava formar uma opinião sobre um certo assunto, costumava estudá-lo, avaliar os argumentos a favor dos diversos pontos de vista e tentar chegar a uma conclusão ponderada. Descobri depois que esta não é a maneira de fazer as coisas. Um homem de gênio sabe tudo sem precisar estudar; as suas opiniões são pontificais e o seu caráter persuasivo não depende de argumentos, mas do estilo literário. É necessário ser parcial, pois isso facilita a veemência que é considerada uma prova de força.” |
| Autor: Bertand Russell |
№ de páginas: 1 |
| Conferência sobre ética |
| “O que agora desejo sustentar é que, apesar de que se possa mostrar que todos os juízos de valor relativos são meros enunciados de fatos, nenhum enunciado de fato pode ser nem implicar um juízo de valor absoluto. Permitam-me explicar: suponham que alguém de vocês fosse uma pessoa onisciente e, por conseguinte, conhecesse todos os movimentos de todos os corpos animados ou inanimados do mundo e conhecesse também os estados mentais de todos os seres que tenham vivido. Suponham, além disso, que este homem escrevesse tudo o que sabe num grande livro. Então tal livro conteria a descrição total do mundo. O que quero dizer é que este livro não incluiria nada do que pudéssemos chamar juízo ético nem nada que pudesse implicar logicamente tal juízo.” |
| Autor: Ludwig Wittgenstein |
№ de páginas: 5 |
| Da incoerência de nossas ações |
| “A cólera, a necessidade, a companhia ou o vinho, ou o som de uma trombeta, terão feito de suas tripas coração. Não foi o raciocínio que lhe deu coragem: foram as circunstâncias. Não nos espantemos, pois, de ver que mudou ao mudarem elas. Essa variação e essa contradição, tão comuns em nós, levaram muitas pessoas a pensar que possuímos duas almas, ou duas forças que atuam cada qual num sentido, uma no sentido do bem e outra no do mal. Uma só alma e uma só força não poderiam conciliar-se com tão repentinas variações de sentimentos.” |
| Autor: Michel de Montaigne |
№ de páginas: 4 |
| Da simpatia |
| “Como não temos experiência imediata sobre o que os outros homens sentem, não podemos formar idéia acerca do modo como elas são afetadas, a não ser supondo aquilo que sentiríamos nessa situação particular. Ainda que o nosso irmão esteja a ser torturado, e desde que nós próprios estejamos à vontade, os nossos sentidos nunca nos informarão sobre o que ele sente. Os nossos sentidos nunca puderam e nunca poderão arrastar-nos para fora de nós próprios, e só através da imaginação podemos formar qualquer idéia sobre quais são as suas sensações. Não pode essa faculdade ajudar-nos de outra forma que não seja representar para nós o que seriam as nossas sensações se estivéssemos nessa situação.” |
| Autor: Adam Smith |
№ de páginas: 2 |
| Discurso do Método |
| “(...) considerando que quaisquer pensamentos que nos ocorrem quando estamos acordados nos podem também ocorrer enquanto dormimos, sem que exista nenhum, nesse caso, que seja correto, decidi fazer de conta que todas as coisas que até então haviam entrado no meu espírito não eram mais corretas do que as ilusões de meus sonhos. Porém, logo em seguida, percebi que, ao mesmo tempo em que eu queria pensar que tudo era falso, fazia-se necessário que eu, que pensava, fosse alguma coisa. E, ao notar que esta verdade: eu penso, logo existo, era tão sólida e tão correta que as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de lhe causar abalo, julguei que podia considerá-la, sem escrúpulo algum, o primeiro princípio da filosofia que eu procurava.” |
| Autor: René Descartes |
№ de páginas: 25 |
| Dúvidas Filosóficas |
| “A filosofia origina-se de uma tentativa obstinada de atingir o conhecimento real. Aquilo que passa por conhecimento, na vida comum, padece de três defeitos: é convencido, incerto e, em si mesmo, contraditório. O primeiro passo rumo à filosofia consiste em nos tornarmos conscientes de tais defeitos, não a fim de repousar, satisfeitos, no ceticismo indolente, mas para substituí-lo por uma aperfeiçoada espécie de conhecimento que será experimental, precisa e autoconsistente.” |
| Autor: Bertrand Russell |
№ de páginas: 7 |
| Esboço de uma história da doutrina do ideal e do real |
| “Descartes é corretamente considerado o pai da filosofia moderna, principalmente porque auxiliou a faculdade da razão a ficar sobre seus próprios pés ensinando aos homens como usar seus cérebros onde até então se recorria à Bíblia ou Aristóteles. Mas é o pai em um sentido especial e estreito, pois foi o primeiro a trazer à nossa consciência o problema sobre o qual a maior parte do filosofar se voltou desde então, a saber, aquele do ideal e do real. Essa é a questão relativa àquilo que em nosso conhecimento é objetivo e o que é subjetivo, e, portanto, àquilo que será atribuído por nós a coisas diferentes de nós e ao que será atribuído a nós próprios.” |
| Autor: Arthur Schopenhauer |
№ de páginas: 14 |
| Fé na Verdade |
| “Hoje em dia ouve-se muitas vezes dizer que a ciência é ‘apenas’ mais uma religião. Há algumas semelhanças interessantes. A ciência oficial, tal como a religião oficial, tem as suas burocracias e hierarquias entre funcionários, as suas instalações grandiosas e esotéricas sem qualquer utilidade aparente para os leigos, as suas cerimônias de iniciação.” |
| Autor: Daniel C. Dennett |
№ de páginas: 11 |
| Filosofia e ciências da natureza: alguns elementos históricos |
| “Quando surgiu a ciência? Esta parece ser uma pergunta simples. Contudo, tem frequentemente dado origem a longas discussões. Discussões que acabam quase sempre por se deslocar para uma outra pergunta mais básica: o que é a ciência? Mais básica, pois a resposta para aquela depende da solução encontrada para esta.” |
| Autor: Aires Almeida |
№ de páginas: 21 |
| Identidade pessoal |
| “Admito que o assassino é destro, como eu, que tem as mesmas impressões digitais que as minhas e que não usa barba nem bigode, como eu. Até se parece exatamente comigo nas fotografias da câmara de vigilância apresentadas pela defesa. Não, não tenho um irmão gêmeo. Na verdade, admito lembrar-me de ter cometido o homicídio! Mas eu e o homicida não somos a mesma pessoa, uma vez que sofri mudanças. A banda de rock preferida dessa pessoa eram os Led Zeppelin; agora prefiro Todd Rundgren. Essa pessoa tinha apêndice, mas eu não; o meu foi removido na semana passada. Essa pessoa tinha de vinte e cinco anos de idade; eu tenho trinta. Eu e esse assassino de há cinco anos não somos a mesma pessoa. Portanto, não podem punir-me, pois ninguém é culpado de um crime cometido por outra pessoa.” |
| Autor: Theodore Sider |
№ de páginas: 8 |
| Investigação Acerca do Entendimento Humano |
| “Se qualquer objeto nos fosse mostrado, e se fôssemos solicitados a pronunciar-nos sobre o efeito que resultará dele, sem consultar observações anteriores; de que maneira, eu vos indago, deve o espírito proceder nesta operação? Terá de inventar ou imaginar algum evento que considera como efeito do objeto; e é claro que esta invenção deve ser inteiramente arbitrária. O espírito nunca pode encontrar pela investigação e pelo mais minucioso exame o efeito na suposta causa. Porque o efeito é totalmente diferente da causa e, por conseguinte, jamais pode ser descoberto nela.” |
| Autor: David Hume |
№ de páginas: 86 |
| Milagres, a Historia e a Ciência: Uma Análise do Argumento de Hume |
| “Até o século XVIII a maioria absoluta dos ensaios sobre milagres encarava o problema do ponto de vista da possibilidade ou não de uma violação das leis da natureza através de uma ação divina. O grande mérito da discussão humeana é ter procurado mudar a abordagem ao problema, encarando frontalmente a questão do valor e da credibilidade de testemunhos históricos quanto à ocorrência de supostos ou, quem sabe, reais milagres.” |
| Autor: Eduardo O. C. Chaves |
№ de páginas: 12 |
| Moral como Antinatureza |
| “A espiritualização da sensualidade é chamada amor: representa um grande triunfo sobre o cristianismo. Outro triunfo é a nossa espiritualização da hostilidade. Ela consiste num profundo reconhecimento do valor de se ter inimigos: em suma, significa agir e pensar de modo oposto ao que outrora era a regra. A Igreja sempre desejou a destruição de seus inimigos; nós, imoralistas e anticristãos, encontramos nossa vantagem nisto: que a Igreja existe.” |
| Autor: Friedrich Nietzsche |
№ de páginas: 3 |
| Necessidade de uma Reforma da Filosofia |
| “A religião, no sentido ordinário, não é tanto o vínculo quanto a dissolução do Estado. Deus, no sentido da religião, é o pai, o conservador, o providenciador, o guardião, o protetor, o regente e o senhor da monarquia mundial. Por isso, o homem não precisa do homem; tudo o que ele deve receber de si ou dos outros recebe¬ o imediatamente de Deus. Confia em Deus, não no homem; dá graças a Deus e não ao homem, por conseguinte, o homem só por acidente está vinculado ao homem.” |
| Autor: Ludwig Feuerbach |
№ de páginas: 5 |
| Niilismo |
| “O niilismo não é algo difícil de ser definido, mas de ser apreendido; como se trata de uma noção bastante ampla e abstrata, existe muita confusão em torno dela. Vejamos alguns dos principais motivos disso; primeiro, o niilismo é vago em si mesmo, pois vem de nihil, que significa nada; a palavra niilismo, que poderia ser traduzida como nadismo, de imediato, não nos dá qualquer ideia do que se trata. Segundo, o niilismo não possui qualquer conteúdo positivo; por se tratar de uma postura negativa, só conseguiremos entendê-la depois que tivermos consciência do que ela nega, e por isso a compreensão do niilismo envolve muitos outros conceitos; ele só se tornará visível depois que esboçarmos seu contexto.” |
| Autor: André Díspore Cancian |
№ de páginas: 27 |
| O Anticristo – Ensaio de uma Crítica do Cristianismo |
| “...eu condeno o cristianismo; lanço contra a Igreja cristã a mais terrível acusação que um acusador já teve em sua boca. Para mim ela é a maior corrupção imaginável; busca perpetrar a última, a pior espécie de corrupção. A Igreja cristã não deixou nada intocado pela sua depravação; transformou todo valor em indignidade, toda verdade em mentira e toda integridade em baixeza de alma.” |
| Autor: Friedrich Nietzsche |
№ de páginas: 42 |
| O problema da indução |
| “Os argumentos indutivos não são dedutivamente válidos e a conclusão não se segue logicamente das premissas. As premissas apenas fornecem indícios para a conclusão; fazem a conclusão mais provável, mas não certa. Se todas as vezes que largaste uma pedra, ela caiu, consideras provável que ela caia também da próxima vez.” |
| Autor: John Hospers |
№ de páginas: 3 |
| O Valor da Filosofia |
| “Enfim, para resumir a discussão do valor da filosofia, ela deve ser estudada, não em virtude de algumas respostas definitivas às suas questões, visto que nenhuma resposta definitiva pode, por via de regra, ser conhecida como verdadeira, mas sim em virtude daquelas próprias questões; porque tais questões alargam nossa concepção do que é possível...” |
| Autor: Bertrand Russell |
№ de páginas: 4 |
| O Valor da Ignorância |
| “Ocorre que não é preciso buscar aquilo que já temos. Assim, se pensamos ter o conhecimento, também pensamos não precisar buscá-lo. Daí porque, se estamos iludidos a esse respeito, essa ilusão é o maior bloqueio para a obtenção do conhecimento. Como já disse alguém, não há melhor prisão do que aquela que não se parece com uma prisão.” |
| Autor: Júlio César Burdzinski |
№ de páginas: 2 |
| Os Limites da Explicação Científica |
| “Cientistas que fazem pesquisa pura, e não aplicada, costumam dizer ao público e às agências de financiamento que sua missão é a explicação de tal ou qual coisa, daí porque a tarefa de aclarar a natureza da explicação é tão importante para eles – e também para os filósofos. Essa tarefa me parece um pouco mais fácil na física (e na química) do que nas demais ciências, porque os filósofos da ciência se viram a braços com a pergunta de o que se quer dizer com a explicação de um evento” |
| Autor: Steven Weinberg |
№ de páginas: 9 |
| Objetividade |
| “Uma componente importante da Metafísica Ocidental Comum é a tese de que há verdades objetivas. Esta tese tem duas componentes. Primeiro, as nossas crenças e asserções ou são verdadeiras ou são falsas; cada uma das nossas crenças e asserções representa o Mundo como algo que é de certa maneira, e a crença ou asserção é verdadeira se o Mundo é dessa maneira, e falsa se o Mundo não é dessa maneira. Poderíamos dizer que compete às nossas crenças e asserções apanhar corretamente o Mundo; se não o fizerem, não estão a cumprir a sua tarefa, e a culpa é delas e não do Mundo. As nossas crenças e asserções relacionam-se assim com o Mundo como um mapa se relaciona com o território: compete ao mapa apanhar corretamente o território, e se o mapa não apanha o território corretamente, a culpa é do mapa e não do território.” |
| Autor: Peter van Inwagen |
№ de páginas: 11 |
| Princípios da Filosofia do Futuro |
| “Não queiras ser filósofo na discriminação quanto ao homem; sê apenas um homem que pensa; não penses como pensador, isto é, numa faculdade ar¬rancada à totalidade do ser humano real e para si isolada; pensa como ser vivo e real, exposto às vagas vivificantes e refrescantes do oceano do mundo; pensa na existência, no mundo como membro do mundo, e não no vazio da abstração como uma mônada iso¬lada, como monarca absoluto, como um deus indiferente e exterior ao mundo – podes, depois, estar certo de que os teus pensamen¬tos são unidades de ser e de pensar.” |
| Autor: Ludwig Feuerbach |
№ de páginas: 35 |
| Racionalidade e realismo: o que está em jogo? |
| “Em geral, as afirmações procuram descrever como são as coisas no mundo, cuja existência é independente da afirmação, e a afirmação será verdadeira ou falsa em função de as coisas no mundo serem realmente como ela diz que são.” |
| Autor: John R. Searle |
№ de páginas: 18 |
| Sobre a brevidade da vida |
| “É extremamente breve e agitada a vida dos que esquecem o passado, negligenciam o presente e receiam o futuro; quando chegam ao termo de suas existências, os pobres coitados compreendem tardiamente que estiveram por longo tempo ocupados em nada fazer.” |
| Autor: Sêneca |
№ de páginas: 12 |
| Sobre a filosofia universitária |
| “Expor, sob o nome e firma da filosofia, mas em roupagens estranhas, os dogmas fundamentais da religião do Estado, que é depois intitulada com uma expressão digna de um Hegel – ‘a religião absoluta’ –, pode ser uma coisa muito útil, desde que sirva para adequar melhor os estudantes aos fins do Estado, como também firmar na fé o público leitor; mas vender isso por filosofia é o mesmo que vender uma coisa por aquilo que ela não é. Se isso e tudo o que foi dito acima mantêm o seu avanço imperturbável, a filosofia universitária tem de se tornar cada vez mais uma remora para a verdade. Pois todos os filósofos estão perdidos, quando se toma, como escala de seu juízo e fio de prumo de suas proposições, outra coisa além da verdade, verdade que é tão difícil de alcançar mesmo com toda investigação e fadiga da força espiritual mais elevada.” |
| Autor: Arthur Schopenhauer |
№ de páginas: 6 |
| Sobre educação |
| “Em vez de desenvolver a capacidade de discernimento da própria criança, ensinando-a a julgar e a pensar por si própria, o professor devota todas as suas forças a entulhar sua mente com ideias prontas de outros indivíduos. Nessa situação, essas visões equivocadas sobre a vida, que resultam da aplicação incorreta das ideias gerais, terão de ser posteriormente corrigidas por longos anos de experiência, e é muito raro que o sejam por completo. Essa é a razão pela qual tão poucos eruditos são dotados de bom senso, algo que é muito comum encontrarmos em indivíduos que não receberam qualquer instrução.” |
| Autor: Arthur Schopenhauer |
№ de páginas: 7 |
| Sobre livros e leitura |
| “Quando lemos, outra pessoa pensa por nós: só repetimos seu processo mental. Trata-se de um caso semelhante ao do aluno que, ao aprender a escrever, traça com a pena as linhas que o professor fez com o lápis. Portanto, o trabalho de pensar nos é, em grande parte, negado quando lemos. Daí o alívio que sentimos quando passamos da ocupação com nossos próprios pensamentos à leitura.” |
| Autor: Arthur Schopenhauer |
№ de páginas: 6 |
| Teses Provisórias para a Reforma da Filosofia |
| “O segredo da teologia é a antropologia, mas o segredo da filosofia especulativa é a teologia – a teologia especulativa que se distingue da teologia comum, porque transpõe para o aquém, isto é, atualiza, determina e realiza a essência divina que a outra, por medo e estupidez, exilava para o além.” |
| Autor: Ludwig Feuerbach |
№ de páginas: 10 |
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