A Parapsicologia

Alejandro J. Borgo

A parapsicologia é uma disciplina que se enquadra dentro das pseudociências. Tem a duvidosa honra de ser a única pseudociência experimental, embora — a rigor — seja difícil chamar de experimento um teste de parapsicologia. Os fenômenos parapsicológicos ou fenômenos “psi” foram arbitrariamente divididos em:

  • Telepatia, ou captação do conteúdo mental de outra pessoa.
  • Clarividência, ou captação extra-sensorial de um objeto ou acontecimento objetivo.
  • Precognição, ou captação extra-sensorial de acontecimentos futuros.
  • Psicocinese, ou influência da mente sobre a matéria.

Os três primeiros pertencem à mal chamada percepção extra-sensorial, e o último engloba o grupo de fenômenos “físicos”. A parapsicologia concebe a mente como uma entidade separada do corpo e, em alguns casos, os parapsicólogos afirmam que os fenômenos não pertencem ao âmbito do mental, pondo a “psi” em um nível que estaria “mais além do psíquico ou mental”. Os fenômenos psi seriam:

a) independentes do espaço e do tempo;

b) erráticos, ou seja, não se pode saber quando vão apresentar-se;

c) involuntários; e

d) inconscientes.

Vejamos:

a) Ao serem independentes do espaço e do tempo, violam várias leis físicas, mas os parapsicólogos — em vez de duvidar da existência de um fenômeno tão peculiar — sustentam que é preciso reformar toda a física para que psi possa ser explicada (quando nem sequer está demonstrado que exista).

b) Com a desculpa da erraticidade, os parapsicólogos podem explicar seus fracassos dizendo que “como é errático, o fenômeno desta vez não se apresentou”. Quando obtém um resultado positivo dizem “desta vez se apresentou”. Isto é equivalente a afirmar que um remédio para a dor de cabeça deu resultado depois que a dor passou. Se a dor não passa, então se recorre à explicação seguinte: algo inibiu o efeito do remédio, a concentração dos componentes não era a correta, o paciente não estava predisposto, etc, etc.

c) Estes pretensos fenômenos não podem ser manejados à vontade, de maneira que não se pode propor a produção de um fenômeno a bel-prazer, em qualquer momento ou lugar. Esta vulgar desculpa é também frequentemente usada pelos supostos “mentalistas”, “videntes”, etc., quando a colher não se dobra ou as cartas não se acertam.

d) Outra característica — dizem os parapsicólogos — é que os fenômenos psi são inconscientes. Não se sabe quando nem como se experimenta a telepatia ou a clarividência. Às vezes pode-se perceber algo extra-sensorialmente e “transformá-lo” em uma sensação de tristeza, alegria, dor, sem dar-se conta de que se trata de um fenômeno psi genuíno. Com o mesmo rigor podemos dizer que temos um dragão verde dentro de nossa cabeça, só que o dragão dá um jeito para desmaterializar-se cada vez que nos tiram uma radiografia ou se “transforma” em uma sensação de calor, ansiedade, etc, etc.

Como vemos, a parapsicologia ignora a física, a biologia, a psicologia científica e todo e qualquer conhecimento que provenha da ciência. Não possui uma teoria que explique satisfatoriamente como um ente imaterial (psi) pode interagir com um sistema material (o cérebro). Tentou-se correlacionar os fenômenos psi com diversos aspectos: a personalidade, a atitude crédula ou incrédula, os estados alterados da consciência, a idade, o sexo, e se utilizou uma grande gama de instrumentos para levar a cabo investigações delineadas para pôr à prova a hipótese da existência de psi.

Fica ridículo começar a correlacionar a psi com qualquer característica ou habilidade se ainda não se provou sequer sua própria existência. Por isso dizemos que a parapsicologia não faz experimentos propriamente ditos. Primeiro deveria provar que a variável crucial psi existe. De igual maneira poder-se-ia propor a existência dos duendes plutonianos, os quais são invisíveis, erráticos e independentes do espaço e do tempo e começar a correlacionar sua presença com o estado de ânimo das pessoas, a personalidade, etc., sem corroborar primeiro que realmente existam.

Pelo que se vê, a parapsicologia está longe de transformar-se em uma ciência, apesar de que os parapsicólogos falam de “parapsicologia científica” ou “nova ciência”. Mais de 100 anos de pesquisas não conseguiram provar um só fenômeno psi. Foram feitos testes com animais, com plantas, com material subatômico, com cartas, desenhos, estados alterados de consciência, drogas, etc. Foram publicados experimentos assombrosos, mas quando se tentou repeti-los, o resultado foi o fracasso, com as consequentes desculpas pseudoexplicativas. As mais prestigiosas revistas dedicadas à parapsicologia deveriam publicar os milhares e milhares de testes que produziram resultados negativos para a hipótese psi.

Tendo em conta as objeções precedentes, devemos agregar a fraude, seja ela por parte dos investigadores ou pelos sujeitos “dotados” ou “sensitivos” que fazem trapaça durante os experimentos. Vários ilusionistas peritos têm recomendado que um mágico experimentado se encontre presente quando se faz uma investigação com sujeitos como o famoso Uri Geller, tão propensos à fraude. E o panorama desalentador se completa mencionando os delineamentos experimentais defeituosos, as análises estatísticas errôneas e outras falhas do gênero.

Antes de afirmar que psi existe, os parapsicólogos deveriam resolver certos aspectos cruciais e ainda pendentes de definição. Perguntas sem resposta:

  • O que é “energia psíquica”?
  • O que é psi?
  • Por que psi é errática?
  • Como sabemos que psi é inconsciente?
  • Se psi não responde às leis naturais, a que leis responde?
  • Se psi é errática e involuntária, por que há pessoas que parecem exercê-la à vontade em seus “consultórios profissionais”?

Fazendo um exame crítico e objetivo verificamos que não há provas nem sequer indícios a favor de psi, ou seja, da percepção extra-sensorial e da psicocinese. Para cúmulo, os parapsicólogos inventam novos termos para tratar de explicar o acaso. Exemplo: o que acontece quando uma pessoa acerta menos do que o esperado pelo acaso? Há percepção extra-sensorial negativa? Não. De maneira nenhuma. Preferem chamá-la “psi-missing” (perda de psi). Os mais audazes propõem que a pessoa nega inconscientemente o fenômeno e produz resultados inferiores ao esperado pelo acaso. Este é um procedimento típico da pseudociência.

Resumindo:

  • Não há base experimental.
  • Os resultados positivos são irrepetíveis.
  • Tem sido detectada fraude em proporção alarmante.
  • Tem se observado delineamentos experimentais defeituosos.
  • Tem se descoberto análises estatísticas errôneas.
  • Há uma incômoda maioria de resultados negativos (sem publicar).
  • Há mais de 100 anos de pesquisas.
  • As definições são vagas.
  • Não existem hipóteses nem teorias explicativas.

Será preciso adicionar algo mais para percebermos que a parapsicologia é uma pseudociência?

comentários

  • MaiconMaicon
    Bem, lendo o seu artigo eu acabei concordando que, de fato, a parapsicologia é uma pseudociência. No entanto, por mais longe que ela esteja de se tornar uma ciência é o único recurso que temos para explicar racionalmente os supostos “fenômenos mediúnicos” que não são poucos. E,por favor, não me diga que todos se tratam de fraudes.
    Como explicar, por exemplo, as dezenas de cartas psicografadas por Xico Xavier onde o conteúdo faz referência à informações do morto que ele não dispunha se não pela telepatia e hiperestesia?
    18/05/11 - 20:53
  • Matheus GuisoniMatheus Guisoni
    Evidentemente que essa pseudoanálise(já que adotou tanto esse prefixo) se restringe infelismente ao universo material ao qual nos estamos acostumados, e de fato concordo plenamente que existem um número assombroso de fraudes, trapaças, charlatonismo e misticismo ao redor dessas práticas, o que no mundo contemporâneo não é de se estranhar; vemos isso em igrejas como por exemplo quando um pastor faz um "milagre" e depois não consegue repetilo, vemos isso em "truques"(pois de fato são) de adivinhação e vemos isso em nossos pensamentos...
    A grande questão é que essa ciência(que no caso de pseudo só tem seus críticos e teoricos equivocados), não se restringe a apenas esse espaço amostral fisíco, até por que, sua origem não é física, por isso a anális tristemente reforçada por você se restringe apenas ao materialistas e reducionistas, não vou entrar no campo mediúnico nem no campo "para-psique" até por que isso de nada vale para materialistas.
    Para essa gama infeliz de pensadores, gostaria de apresentar para vocês a teoria da redução objetva de Penrose-Hameroff(física quântica relacionando mente e cerébro), e espero que isso possa esclarecer um pouco a estreita noção de fenômenos ainda incompreendidos.
    03/07/11 - 17:33
  • Fernando CostaFernando Costa
    Na verdade, a verdadeira definição de parapsicologia não é pseudociência, mas sim qualquer assunto que a ciência, apesar de todos os seus avanços recentes, ainda não conseguiu explicar.
    Aqui, inclui-se assuntos como psicocinese, telepatia, levitação, e outros.
    Como nunca foram provados pela ciência, e ainda só podem ser explicados através de uma explicação mística ou transcendental, eles acabam recebendo diversos rótulos preconceituosos e enquadrados como misticismo.
    O homem ainda não desvendou nem uma ínfima fração dos segredos da eletricidade, do magnetismo e principalmente do cérebro humano.
    Não existe, por exemplo nenhuma razão para a ciência duvidar da existência, por exemplo, da levitação e da telecinese espontânea. Teoricamente são possíveis. O grande problema, é que por serem fenômenos espontâneos, e por conseguinte, incontroláveis, eles não podem ser testados cientificamente em ambiente controlado.
    Assim, serão assuntos que sempre serão vistos pela ciência como coisas mágicas e impossíveis, idéias que a grande quantidade de charlatões que existem por aí acaba por reforçar.
    Mas o efeito Biefeld-Brown já foi descoberto há 100 anos, e é o responsável por grande parte dos fenomenos que hoje são considerados como pertencentes à parapsicologia.
    Pequenos objetos que levitam sob a ação da eletricidade já são realidade já alguns anos (lifters), e nada impede que o pensamento humano, que em última análise, não passa de pulsos elétricos tenha a mesma capacidade que uma bobina eletromagnética.
    27/10/11 - 02:15
  • RomesRomes
    Me desculpe, mas, sou parapsicólogo formado e devo corrigi-lo! A um bom tempo que a Parapsicologia não é mais pseudo-ciência, como diz, agora passou a ser ciência oficial!
    05/11/11 - 21:34
  • AlexAlex
    Está bem desinformado para alguém que se diz cético. Existem vários estudos sobre manifestações paranormais inclusive nos EUA esses estudos acontecem com intuito militar.
    09/12/11 - 11:15
  • Perguntar ao sr, Gomes come e para -psicologo formado se seria possivel entrar em contacto comigo, tenho certas perguntas para lhe perguntar , tudo tem a ver com a perceçao de varias coisas da minha parte. Mas nao queria postar aqui para que nao ser azo de gozo, Obrigado.
    25/01/12 - 17:11
  • DimasDimas
    Gostaria que os senhores Romes a Alex me informassem onde posso encontrar os estudos, com as condições necessárias para reproduzi-los. Tudo o que mais desejo é não ser cético.
    14/02/12 - 16:15
  • Pena que você não conheça o Núcleo de Estudos dos Fenômenos Paranormais da Universidade de Brasília/DF com o primeiro curso de Parapsicologia Geral e Experimental ministrado de 1989 a 1998 tanto como disciplina optativa para os alunos da UnB (12 turmas) e para a comunidade como curso livre para 6 turmas com o nome de Parapsicologia Aplicada à Vida Diária.O livro DOMÍNIO DA MENTE SUPERCONSCIENTE de Joston Miguel Silva apresenta uma estatística não paramétrica de 30 anos de cursos em BSB, Rondonópolis/MT, Cuiabá/MT, Riode Janeiro/RJ e Guaíra/SP. Uma disciplina é ou não científica por si só, mas pelo caráter e procedimentos dos que a conduzem.Joston.
    15/03/12 - 20:07
  • ArakelianArakelian
    Sério? E quais os resultados atingidos? Qual a grad curricular do curso? Cadê a bibliografia CIENTÍFICA sobre a parapsicologia? Quais foram os métodos empíricos realizados e utilizados? Como essa abordagem pode ser falseável?

    Parapsicologia é pseudo-ciência. A começar por sua própria etimologia.
    15/03/12 - 20:25