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Saindo do Armário: a Assunção do Ateísmo

Posted By Cancian On 17/04/2000 @ 12:00 AM In ateísmo | 8 Comments

“Sair do armário” é um termo associado a gays e lésbicas que anunciam sua homossexualidade ao mundo. Poucos se arrependem, pois nisso encontram um modo aberto e satisfatório de viver.

Mas há outro “armário” escondendo uma minoria discrepante: os ateus. Muitos deles mantêm, como os gays de décadas passadas, suas opiniões escondidas por serem avessos a confrontos ou por medo de reações hostis.

Não podemos continuar assim. O Direito Cristão, com sua infindável missão, moveu esforços sem paralelos a fim de cristianizar o país. Usando a legislação, emendas constitucionais e publicidade, o direito religioso engajou-se numa guerra de palavras e difamação contra seus maiores inimigos: a lógica e a obviedade do ateísmo. A Bíblia chega a proibir o contato com ateus (Cf. II Coríntios 6), o que evita o surgimento de debates e previne a incursão da lógica não-religiosa no “rebanho”. Comportamentos similares são vistos em cultos religiosos, onde os novos membros são proibidos de contato até mesmo com sua família caso ela não seja pertencente ao grupo.

Como resultado desse esforço difamador, os ateus são aviltados e vistos como indivíduos anárquicos e antirreligião, que desejam aniquilar o direito que as pessoas têm de professar suas crenças. Apenas uma pequena parte dos ateus são abertos sobre seu ateísmo e, como resultado, aparentamos constituir uma parcela muito menor do que realmente somos. Em outras palavras: os legisladores estão dando menos importância a nós do que deveriam, o Direito Cristão está vencendo.

O objetivo deste artigo é ajudar a reverter o processo criado por aqueles que se opõem ao livre-pensamento, ajudando os descrentes a serem mais abertos sobre seu ateísmo. Para alguns indivíduos, mostrar-se ateu abertamente pode ser extremamente difícil. A fim de facilitar o processo, guiarei os leitores através de passos básicos para a “saída do armário”, primeiramente apresentando uma definição de ateísmo e as vantagens do livre-pensamento.

O que é ateísmo?

A definição de “ateísta” é “indivíduo sem teísmo”. Ateístas (ou ateus) veem Deus da mesma forma que uma lenda ou um conto de fadas, assim como Zeus ou papai Noel. Quem ativamente descrê da existência de papai Noel e Zeus, e não consegue achar quaisquer motivos para dar a mais credibilidade à hipótese de Deus, é considerado um ateu segundo a maioria das definições.

Quem se denomina “ateu”, “agnóstico”, “livre-pensador” ou algo relacionado encontrará neste artigo um apoio para sentir-se mais seguro em expor seus pontos de vista abertamente.

Como os ateus são?

Como são? É difícil dizer. Para mim, um dos melhores componentes do ateísmo é a liberdade de pensamento. Preconceitos contra pessoas de outros sexos, raças ou preferências sexuais são raros, pois se baseiam em dogmas religiosos completamente ilógicos. Nós discutimos, nos engajamos em debates e, quando alguém prova que estamos errados, achamos isso bom, exatamente porque primamos pela verdade. Se fazemos algum bem, é porque achamos isso certo, e não porque temos um medo egoísta do inferno ou porque queremos “ganhar pontos” com uma divindade.

Fora isso, somos um grupo muito diversificado de pessoas. Somos escritores, poetas, filósofos, cientistas, professores, empresários, neurocirurgiões, caminhoneiros, arquitetos, pedreiros. Somos homens e mulheres, brancos e negros, republicanos e democratas, heterossexuais e homossexuais, tímidos e extrovertidos. Já que nosso único ponto em comum é a descrença, existem ateus que diferem em pontos de vista políticos, econômicos e sociais. Mas isso é algo positivo e deveria servir de modelo para que o resto do mundo aprenda. O vínculo entre os ateus é a diversidade.

Nós somos morais e éticos. Estamos cansados de ser detratados e aviltados devido à nossa descrença.

Isso lhe soa familiar?

Por que sair do “armário”?

Apesar de haver razões válidas para permanecermos dentro do “armário”, os motivos opostos são muito mais fortes.

Você está se escondendo agora mesmo. Uma parte em você é mantida escondida e mascarada por medo de rejeição. Como resultado, pessoas que lhe amam são ignorantes em relação a um aspecto de sua personalidade. Será que eles mudariam de opinião sobre você se soubessem? Talvez, mas não é melhor ter certeza? Será que eles realmente o rejeitariam se soubessem? Na maioria dos casos, não. A grande maioria dos ateus que conheço possui um relacionamento cordial com os indivíduos religiosos de sua família. Na verdade, a religião raramente é tão importante quanto o amor de um membro familiar.

Qual é a sensação de viver sempre escondido e oprimido sem motivo? Você acha que o ateísmo é algo vergonhoso?

Não há nada vergonhoso em ser ateu e, na verdade, isso deveria ser visto como uma conquista. A maioria das pessoas aceita a religião vigente da região onde nasceu sem nunca questionar. Indivíduos que mudam de religião quase nunca questionam a crença em Deus em si mesma. Aqueles que são céticos nesse sentido deveriam ser orgulhosos por terem chegado independentemente a uma conclusão deliberada e consciente.

Pelo simples fato de alguém ser ateu, quebra-se o círculo vicioso “faça isso porque Deus mandou”. Ateus pensam por si mesmos, são autoconfiantes e responsáveis por suas próprias ações e decisões. Mostrar-se como tal é o próximo grande passo.

Os graus de assunção

Há cinco graus de assunção e abertura em relação ao ateísmo. Sempre existem os “meios-termos”, mas estes sãos os graus assim como eu os vejo:

Primeiro Grau — Completamente fechado. Nem mesmo sua esposa sabe. Você diz a todos que é religioso e pode até frequentar igrejas para convencer as pessoas ao seu redor. Sua vida é literalmente uma mentira. A possibilidade de alguém descobrir a verdade lhe apavora. Para quem está nessa categoria o primeiro passo deve ser algo simples, como contar à esposa. Ela o ama e tem o direito de saber.

Segundo Grau — Fechado em grande parte. Sua esposa sabe, mas a maioria de sua família e amigos não. Você evita o assunto a todos os custos, mas se ele surgir o ateísmo acaba escondido.

Terceiro Grau — Um pouco aberto. Alguns membros da sua família e amigos sabem, mas você ainda é hesitante em tocar no assunto. No trabalho seu ateísmo ainda é um segredo. Você possui amigos ateus e talvez pertença a uma organização como a Sociedade Terra Redonda para ajudar no suporte moral. É possível que até escreva sobre o assunto, mas não em jornais, pois não deseja que seu ateísmo seja largamente conhecido. Pode evitar o assunto às vezes, mas, se pressionado para tomar uma posição, não se dirá um religioso, em vez disso procurará termos amenos para designar sua posição, como “agnóstico”, “livre-pensador”, mesmo que na verdade seja um ateu.

Quarto Grau — Bastante aberto. Quase todos sabem de sua descrença. A maioria das pessoas no trabalho, todos seus amigos e sua família inteira sabem. Você não chega a gritar “sou ateu” aos quatro ventos, mas não faz qualquer esforço para esconder sua posição, e ocasionalmente pode vir a começar uma discussão sobre o assunto.

Quinto Grau — Completamente aberto. Toda vez que o assunto aparece, você mostra sua descrença com orgulho e franqueza. Qualquer indivíduo que o hostilizar por causa de seu ateísmo é um fanático intolerante que não deve ser levado em consideração. Você escreve cartas aos editores de jornais regionais sobre o assunto e talvez tenha um adesivo ateísta em seu carro.

Saindo: quando e como

Quem está nos dois primeiros graus tem trabalho a fazer. Esconder-se é prejudicial tanto para a saúde quanto a mente, e isso precisa ser corrigido. O objetivo é chegar pelo menos ao terceiro grau (idealmente ao quinto, mas em curto prazo chegar ao terceiro será suficiente), algo relativamente fácil.

Após admitir seu ateísmo para si mesmo, o primeiro passo é admiti-lo a outras pessoas, e o modo mais fácil é entrar em contato com uma organização ateísta, onde há gente que pensa como você. Não há nada de vergonhoso nisso. É ótima a sensação de estar numa sala repleta de gente que pensa de modo idêntico ao seu. Esse é o jeito mais fácil encontrar amigos ateus, nos quais também se encontra a segurança para conseguir confrontar outras pessoas.

Há basicamente três tipos de pessoas que influenciam a vida de um indivíduo: amigos (incluindo esposa), família (parentesco sanguíneo) e parceiros de trabalho. Pessoalmente, acho que se mostrar ateu nessa ordem (amigos, família, parceiros de trabalho) é geralmente o melhor modo.

Por que é mais fácil contar aos amigos sobre a descrença? Porque cada um escolhe seus amigos. As pessoas normalmente preferem estar com quem é parecido com elas, mas mesmo se seus amigos não forem ateus, continua sendo improvável que sejam tão intolerantes a ponto de lhe rejeitarem por isso. Já que são seus amigos, vão apoiar seu direito de escolha e continuar sendo seus amigos mesmo não concordando com suas opiniões.

Uma exceção à regra seria o caso de um ateu recém-convertido de uma doutrina religiosa. Nesse caso, possivelmente haverá a necessidade de procurar novos amigos com interesses diferentes, pois os amigos antigos, ainda sendo bastante fanáticos, provavelmente reprovarão seu comportamento. Vale lembrar que a Bíblia proíbe expressamente o contato com ateus. Talvez tentando explicar aos seus amigos como esse livro é dogmático e ilógico seja possível manter a amizade viva.

Contar à família é a parte mais difícil. Por um lado, há a necessidade de apoio da família, em contrapartida, há a culpa por esconder um segredo tão significante. Neste caso não existem as mesmas vantagens que com os amigos, pois numa mesma família podem coexistir crenças bastante contrastantes. Ou seja, existe a possibilidade de rejeição por parte de seus próprios familiares.

Talvez eles não gostem do que estão ouvindo, mas precisam saber. Pais religiosos geralmente são os que mais se decepcionam por acharem que “malograram” na criação de um bom filho religioso. Mas, no fundo, eles ainda preferem que você seja honesto sobre algo tão importante.

A exceção dessa regra é quem depende financeiramente dos pais e tem certeza que eles o expulsariam de casa se soubessem de seu ateísmo. Nesse caso não diga nada. Libertar-se da religião e possuir autorrespeito é importante, mas não tão importante quanto possuir um teto sobre a cabeça. Procure conquistar sua independência antes de anunciar seu ateísmo.

Dizer para parceiros de trabalho é fácil. Normalmente eles não se importam e, francamente, isso não os diz respeito. Se confessar seu ateísmo significa perder o emprego, então não valerá a pena. Pode-se chegar até o quarto grau sem que eles saibam disso. Caso haja incerteza, adie a “assunção” até ter mais segurança sobre suas prováveis consequências.

Alguns deles podem ser seus amigos, e assim cairão na primeira categoria. Entretanto, lembre-se que quem não é seu amigo pode vir a espalhar as “notícias” a pessoas que você preferiria que não soubessem. É importante salientar que se assumir ateu no trabalho é diferente dos outros casos e deve ser tratado como um problema à parte.

Saindo do “armário” efetivamente

Chegou a hora de dizer às pessoas. Como exatamente se faz isso? Há três regras simples que julgo serem bastante úteis.

1 — Seja confiante. Não diga “estou começando a ter algumas dúvidas em relação à religião”. Isso leva as pessoas à atitude “vamos salvá-lo antes que seja tarde”. Afirme as coisas de modo nítido e deixe claro que chegou a essas conclusões deliberadamente. Sorria, seja firme e orgulhoso. Pensar por si mesmo é algo positivo e não há nada de vergonhoso em compartilhar suas conclusões com as pessoas que você ama.

2 — Seja compassivo. Sim, seja compassivo com eles. Entenda que essas pessoas realmente acreditam em Deus e nos ensinamentos dos pregadores. São vítimas — assim como você — das mentiras ditas pelas organizações religiosas, a única diferença é que eles creem nessas mentiras. Às vezes surge uma atmosfera de raiva, mas isso pode ser solucionado com um pouco de educação, paciência e compreensão.

Diga a seus pais que não malograram na criação de uma pessoa que toma suas próprias decisões em vez de seguir regras cegamente. Diga que está feliz e que essa foi apenas sua escolha; explique que não há motivo para se sentirem magoados e que você está muito agradecido por sua aceitação e amor.

3 — Após dizer “eu sou ateu” espere pelo melhor, mas prepare-se para o pior. O melhor obviamente seria ouvir “eu sou ateu também” ou “e daí?”, mas não conte com isso. Como dito anteriormente, confessar aos amigos é mais fácil por ser improvável que o rejeitem. Já perdi amigos em potencial por causa disso, mas nunca uma amizade já estabelecida. Entretanto, esteja preparado para responder às perguntas padrão, desde “Você quer ir ao inferno?”, “Isso quer dizer que você reza para Satan?”, até “Como você pôde fazer isso comigo?”, etc.

A melhor defesa a tais questionamentos é responder prontamente. Conhecendo as pessoas, será mais fácil saber quais tipos de pergunta podem ser esperados. Abaixo estão algumas afirmações e refutações que podem ser de alguma valia.

Exemplos:

1 — “Ateus não possuem moral, pois não acreditam em Deus”. Como é triste ver que as pessoas são boas apenas por medo de um “castigo eterno”. Seres humanos têm a noção de certo e errado incrustada em seus cérebros. Se ateus fazem o bem, não é por medo de represália, mas porque julgam isso correto. Nós possuímos valores familiares, sociais e culturais, e, é claro, defendemos a liberdade de pensamento. Muitos ateus possuem e defendem tais valores.

A escravidão não era apenas aceitável há 200 anos atrás, mas também considerada positiva por muitos, sendo defendida através da Bíblia, que também foi utilizada para justificar o Holocausto, as Cruzadas e a Santa Inquisição. Isso mostra que a Bíblia pode ser usada para defender os piores ideais imagináveis, e assim não pode ser tida como um guia moral confiável.

Fale sobre as pessoas más que eram religiosas. Lembre que Hitler era Católico e Jeffrey Dahmer pediu graças — a Jesus — antes de canibalizar suas vítimas. Mencione que frequentemente são publicadas histórias em jornais sobre o comportamento sexual impróprio de padres, muito frequentemente com crianças. Não se esqueça de Jim Bakker — que fraudou milhões de indivíduos do seu “rebanho” — e de Jimmy Swaggart — que apenas pediu perdão após ser pego com prostitutas.

Sempre corrobore seus argumentos com fatos: ateus são 8-10% da população mundial, entretanto, constituem apenas 1% da população carcerária. Imagine se 8-10% do mundo realmente acreditasse que não há problema algum em roubar, estuprar e matar? Haveria caos! Isso prova que o comportamento ético não tem qualquer relação necessária com a religião.

2 — “Ateus acreditam na evolução, mas ela não responde a tantas questões quanto o criacionismo”. O ateísmo não é uma teoria científica, mas apenas a ausência religiosidade. Em geral nós acreditamos na ciência, e provavelmente todas as questões serão respondidas por ela, apesar de admitirmos que hoje não possuímos todas elas. Isso não é motivo, entretanto, para se inventar um deus fictício, especialmente porque fazê-lo cria ainda mais perguntas. A ciência tem caminhado bastante, desenvolvendo teorias como a da evolução, a dos movimentos geológicos e a do Big Bang, todas embasadas em evidências, mas não necessariamente defendidas por todos os ateus.

3 — “Os ateus não podem saber que Deus não existe porque não podem provar sua inexistência”. Novamente, esse argumento é uma faca de dois gumes, mas os teístas relutam em admitir isso. Os ateus não precisam provar a inexistência de Deus, pois ninguém precisa provar a inexistência de Zeus ou do papai Noel. Os teístas podem provar a existência de seu Deus? É claro que não. Ninguém pode provar que Deus existe, mesmo assim eles continuam afirmando que têm certeza. O fato de eles terem certeza sem qualquer evidência é em si mesmo uma evidência em favor do ateísmo.

4 — “Os ateus lutam para remover a religião da sociedade e forçar todos a se tornarem como eles”. Absolutamente errado. Nós apenas lutamos pela liberdade de escolha e de pensamento, sem intervenção do governo ou das escolas. Defendemos o direito de não precisarmos apoiar as religiões através de impostos ou de privilégios de qualquer espécie. No restante, cada um pensa como quiser e isso não nos diz respeito. Usem suas joias, celebrem seus dias sagrados, rezem em suas casas, em suas igrejas ou em público, só pedimos que não forcem outras pessoas a isso.

5 — “Ateus têm a mente tão fechada que não podem ver todos os milagres que acontecem diariamente”. Algumas pessoas procuram milagres onde não estão. Permitam-me colocar as coisas em perspectiva: alguém se curar de câncer não é milagre algum, mas se uma doença grave desaparece do dia para a noite sem ajuda da ciência médica, aí sim temos algo que merece ser analisado. Comida chegando a uma região onde há muita fome: perseverança humana; o fim instantâneo da fome no mundo: milagre. Mais uma vez: uma criança nascendo saudável — ciência; o fim espontâneo das deficiências hereditárias — milagre. Note que apenas as coisas boas são milagres, vulcões e tornados não contam.

6 — Falar sobre Deus pode desembocar no velho argumento “Sse você está questionando Deus, então isso prova que acredita nele”. Mas isso é facilmente refutado, pois falar sobre Deus prova minha crença nele tanto quanto discutir mitologia grega prova minha crença Zeus, Baco, Apolo, etc.

Fiz uma lista de boas questões que podem ser utilizadas para ajudar a justificar o ateísmo. Seja cuidadoso, pois são questões embaraçosas que só podem ser respondidas com afirmações do tipo “os desígnios de Deus são incompreensíveis à mente humana”.

1 — Se Deus é todo-poderoso, por que levou seis dias para criar o Universo e ainda descansou no sétimo? Por que não estalou os dedos e criou tudo de uma vez sem que isso causasse qualquer cansaço? Esse Deus não parece “todo-poderoso” para mim.

2 — Se Deus conhece o futuro, por que comete erros? Ele deveria saber que se arrependeria de ter causado o dilúvio e que Sodoma e Gomorra estariam cheias de pecadores.

3 — Por que Deus precisa ser “servido” e por que precisamos estar na Terra para isso? Por que não podemos fazê-lo no céu?

4 — Nós possuímos o livre arbítrio, mas Deus já sabe quem vai pecar, quem o “aceitará” etc. Então por que estamos aqui? Por que ele não envia nossas almas diretamente ao céu ou ao inferno baseado em seu infinito conhecimento?

5 — Por que Deus gosta de ser glorificado? Se ele é onisciente, por que liga se meros humanos lhe dão crédito por ter criado o Universo?

6 — Como se pode justificar o fato de um Deus “todo amor” e “todo misericórdia” enviar todos os não-cristãos ao inferno, não importando quão bons eles sejam? Todos que nasceram antes de Cristo foram para o Inferno. Entretanto, pessoas terríveis, incluindo Hitler e Jeffrey Dahmer, poderiam ir ao Céu se aceitassem Deus antes de morrer.

7 — Por que um Deus todo-bondade, que tudo perdoa, nos pune pelo pecado de Adão, nos transformando indistintamente em pecadores? Se Deus ficou tão irritado, por que não simplesmente matou Adão e Eva e recomeçou tudo? Novamente, foi Deus quem assim quis. Gostaria de saber por que ele decidiu nos manter vítimas desse inacreditável rancor.

8 — De onde Deus veio? Como foi criado? Por que é um argumento válido dizer que ele “sempre existiu”, mas é inválido dizer o mesmo sobre a energia?

Quando ambos admitirem, finalmente, que possuem opiniões diferentes e que não vão chegar a qualquer acordo, você obteve sucesso em sua missão: assumir seu ateísmo. Após isso, a melhor coisa a ser feita é mudar o assunto para algo positivo, sorrir e manter um relacionamento agradável com essa pessoa. Talvez ela apenas necessite de algum tempo para se adaptar.

Conclusão

Concluir a leitura deste artigo significa ter dado o primeiro passo. Entretanto, ser ateu não é apenas não crer em Deus. Você é um dos milhões de livres-pensadores neste país que não obedecem a regras cegamente, mas, em vez disso, sentem a necessidade de pedir provas ou ao menos explicações lógicas. Sua responsabilidade (consigo mesmo e não conosco), agora, é mostrar seu ponto de vista aos seus amigos, família, governantes, etc.

Seja um ateu aberto, honesto e orgulhoso, e não mais uma vítima oprimida pelo Direito Cristão.


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